domingo, 13 de julho de 2014

Ainda somos os mesmos



Estou tentando achar o tom certo para avaliar esta série de derrotas nos quatro amistosos contra os Estados Unidos. À primeira vista, impressiona o fato do Brasil não ter conquistado uma vitória sequer. Mas mais preocupante que os resultados em si, é o desempenho – que me parece, pelo que se pode acompanhar nas descrições e estatísticas dos jogos, não melhorou.

O Brasil é o mesmo de Montreux. Deu uma turbinada no ataque com os retornos da Fabiana, da Thaisa e da Garay, mas a volta da Sheilla não parece ter sido enriquecedora para o time. A oposto teve dificuldades em pontuar.

Os problemas na composição da dupla das pontas também tem perseguido a seleção neste início de temporada. Por enquanto, nem Gabi nem Natália, as opções do Zé Roberto, mostraram qualidade suficiente para segurar o passe. E acho que daí não vai sair nada melhor do que estamos acompanhando, infelizmente. 


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Reitero (como no post final sobre Montreux) a necessidade de termos a Jaqueline de volta neste time. Mas, aí, temos a notícia, no meio dos amistosos, que ela não foi aos Estados Unidos porque tinha que resolver questões pessoais. Para variar, a CBV não faz questão de dar as informações de forma clara. A jogadora estava no grupo que esperava para embarcar para os EUA e, de repente, não constava na lista de relacionadas para partida.

Não sei quanto tempo ela vai ficar afastada do grupo, mas é uma pena que o retorno dela tenha que ser postergado. Para a Jaque voltar a ter ritmo de jogo vai demorar. O quanto antes ela assumir esta posição, melhor. Se ela vai recuperar o mesmo nível de jogo que apresentava antes de parar, não se sabe. Mas é uma aposta necessária. Não vejo outra saída neste grupo atual. Só ela tem a habilidade necessária para consertar o fundo de quadra. 


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+Mais

- É estranho que, mesmo com todas as composições usadas nesta série de amistosos, a Tandara não tenha sido utilizada em nenhuma delas. Será que ela teve algum problema físico, já que não esteve relacionada no primeiro jogo? Ou foi opção do treinador? Isso, CBV, é o que a gente gostaria de saber. Um pouquinho mais de comunicação com o torcedor não faria mal. Pelo contrário, evitaria especulações.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Tchau, Fabi

Essa pegou todos de surpresa. A despedida da líbero da Fabi da seleção brasileira foi totalmente inesperada. A Fabi, mesmo quando contestada, sempre foi uma das “confirmadas” no grupo. Só mesmo ela para poder dar o fim a este período na seleção.


É uma pena. A Fabi, mesmo não sendo a líbero mais técnica que temos à disposição, é uma líder experiente e calejada. Ela foi uma das jogadoras que deu identidade ao Brasil nestes últimos anos, com uma disposição incrível atrás de cada bola. Vai ser difícil imaginar a seleção sem ela.


Tenho, portanto, receio do que esta saída possa causar na seleção. A Camila Brait, sua substituta direta, é excelente. Certamente vai acrescentar qualidade à frágil linha de passe brasileira. Mas é uma coisa acima da técnica, como falei. Camila não tem o mesmo comando que a Fabi tem do fundo de quadra. 

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É curioso até que a Camila consiga seu espaço exatamente quando, ao meu ver, a Fabi vivia um bom momento. Antes de Londres, pedíamos, quase que unanimemente, que líbero do Osasco tivesse uma oportunidade e substituísse,a na época, uma inconstante Fabi. Mas a Fabi mostrou, na quadra, que o Brasil precisava dela mais do que a gente imaginava.


A Camila já está com uma boa bagagem, acho que ela segura bem a responsabilidade dos grandes confrontos. O que pesa, realmente, é que ela, por personalidade e por falta de  histórico, não é uma referência para as demais no grupo. 

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Enfim, ia chegar uma hora que a renovação teria que ser posta em ação. Desejaria que tivesse ocorrido no inicio do ano passado ou no ano que vem, não tão perto de um torneio importante como o Mundial. Mas se a Fabi quis assim, espero que o Zé Roberto respeite a decisão e não insista para a sua volta, postergando, novamente, o processo de renovação. Que deixe a Camila ocupar o espaço aberto pela própria Fabi.  

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As contratações do Molico



Estou preocupada com as contratações do Molico Osasco. Ou melhor, com a linha de passe que está sendo formada com as peças que estão, até o momento, à disposição. Carcaces, como toda cubana, é muito irregular no fundamento. Gabi, apesar da insistência do Luizomar na temporada passada em colocá-la para consertar a recepção, não me passa segurança. A melhor notícia para a função é a contratação da Samara, que teve boa temporada no passe pelo Pinheiros. 


A verdade é que o Osasco baixou a bola para a próxima temporada e as contratações estão bem mais modestas. Apostou na contratação da Dani Lins, o que diminuiu as possibilidades de investimento em ponteiras e opostas de peso. 


Ainda é cedo para falar, mas acho que o Osasco vai ter um jogo concentrado na Thaisa e na Carcaces enquanto as demais ponteiras e opostos vão se revezar constantemente. Isso porque, mesmo voltando à sua posição de origem, não aposto minhas fichas na Mari. 


Não acho que ela possa ser uma jogadora com diferencial como foi antes das lesões. Acho que o máximo que o Osasco vai conseguir com a sua presença serão lapsos de genialidade, que vão lembrar a velha Mari, mas que não serão suficientes para dar consistência ao ataque do time. 


E, na reserva, vai ter a Ivna, que é outra incógnita. Entendo que o mercado muitas vezes não dá opções ao atleta, mas a volta da Ivna para Osasco me parece um retrocesso na sua carreira. Acredito que o melhor para o oposto seria ir para um time em que pudesse sair jogando como titular. Acho que ela precisava tentar mais uma vez dar um salto na carreira para se confirmar como uma jogadora importante – o que, na minha avaliação, não conseguiu no Sesi. Pode ser que consiga no Osasco, nas brechas que certamente a Mari vai dar, mas ainda assim o melhor seria que ela fosse para uma equipe que a visse e a recebesse para ser titular.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Começando com o pé esquerdo


Sei que o grupo brasileiro no Montreux era o mais difícil e que ainda é começo de temporada, mas confesso que fica uma ponta de decepção e preocupação em ver que o Brasil não se classificou para as semifinais. Não pelo fato da eliminação precoce, mas pelo o que apresentou.

O Brasil já começou temporadas anteriores de melhor forma. O nível de jogo da seleção no ano passado, por exemplo, foi superior ao apresentado este ano.

Acompanhei a partida contra a China e li os comentários sobre o jogo contra a Rússia. O problema nas duas partidas foi o mesmo: o passe. Não foi uma temporada boa para nenhuma das ponteiras passadoras neste fundamento na Superliga e o problema está se fazendo sentir na seleção.

O Zé não tem muitas opções mesmo a não ser recuperar, urgentemente, a Jaqueline. No Montreux, as possibilidades de escalação ficaram um pouco limitadas. Fora a Jaque, que ainda não está nas condições ideais, não há nenhuma exímia passadora. 


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O Brasil ainda joga mais duas partidas para definir da 5ª colocação em diante. Não é lá muito honroso, mas pode ser útil. Sem contar com a Tandara, o Zé poderia voltar com a Andreia como oposto. Monique já foi testada ano passado, agora é a vez da Andreia. 

Ela merece mais tempo de entrosamento com a Dani Lins e ser melhor aproveitada. No jogo contra a China, as jogadas com ela praticamente se resumiram às chinas. O que era para ser uma opção e um diferencial virou o básico. No fim, parecia mais um jogadora improvisada do que uma original da posição. Um desperdício de oportunidade para a Andreia e para a seleção.

domingo, 25 de maio de 2014

Pra se garantir no Mundial


Terça-feira começa a temporada da seleção brasileira em 2014. Um ano importantíssimo, com o Mundial no segundo semestre. Ou seja, há pouca margem para experimentações, é o momento das confirmações.

Assim, o Montreux Volley Masters tem um grande peso no calendário da seleção já que vai ser uma das etapas para a definição do grupo. Tem algumas jogadoras que vão precisar mostrar serviço ou ficar de olhos bem abertos para não perder posição. Acho que se encaixam nesta categoria a Tandara, a Fabíola e a Adenízia. 


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O risco de ficar fora do Mundial é pequeno para a Tandara e a Adenízia. Afinal, são 14 inscritas para a competição. Mas elas têm que abrir os olhos para que não fiquem assistindo às partidas da arquibancada  - o que, para ambas, seria uma baita retrocesso.

No caso da Tandara, o discurso é o mesmo de sempre. Por diversas razões, ela até agora não mostrou seu valor na seleção. Espero que ela seja titular no Montreux e consiga fazer uma sequência de jogos pela seleção. 

Ela tem o trunfo de poder jogar como oposto. O Zé pode optar por ela e pela Natália em vez de convocar uma segunda oposto. Mas vai que a Andreia se mostre mais útil e o treinador descarte uma das ponteiras polivalentes? 

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Já a Adenízia, ao meu ver, tem retrocedido. A sua temporada no Osasco foi ruim. Ela vive um mau momento enquanto a Ana Carolina está em ascensão e a Angélica tem a simpatia do Zé. Ainda assim, o treinador afastou sua a principal concorrente até então, a Jucy.

Aqui façamos uma pausa na tentativa de entender os critérios e a lógica do Zé nas suas convocações. Até o ano passado, a Jucy era quem brigava com a Adenízia para ser a terceira central. A Jucy fez uma temporada melhor que a Adenízia, ainda que muito abaixo do que ela tinha apresentado nos anos anteriores. Pode ser que a idade tenha pesado no descarte da Jucy, mas, então, por que cargas d’água ele a convocou ano passado? 2013 era o ano perfeito para renovar, experimentar. Por que, na Copa dos Campeões, quando não pôde contar com a Jucy e a Thaisa, ele convoca a Gattaz e a Wal e não a Ana Carolina? O Zé quer renovar ou não? 


 
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Agora, quem eu acho que corre mesmo o risco de perder o avião para o Mundial é a Fabíola. Primeiro, pelo histórico. Se ela não foi à Olimpíada quando era titular da seleção meses antes, imagina agora que perdeu espaço para a Dani Lins e não vive o seu melhor momento.

E a situação está se repetindo. O Zé tira da manga uma levantadora, a Ana Tiemi, que há anos não é convocada... Enfim. Se a japa estiver no grupo da Itália, não será surpresa.

Em 2010, o Zé optou por levar duas líberos e quatro centrais. Pode ser que esta configuração mude, mas acredito que, assim como no último Mundial, ele não vá levar três levantadoras. Ou seja, disputa acirrada para a Fabíola. 



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Além de começar a definir o grupo do Mundial, outra função importante deste torneio vai ser reencaminhar a Jaqueline às quadras. Não há jogadora que faça a mesma função dela na seleção – não entre as convocadas. Michele e Suelle é que se aproximariam mais do estilo, mas a Jaqueline já está, por experiência e qualidade, em outro nível.

É fundamental recuperá-la para o Mundial, o Brasil não tem substituta. É um investimento necessário, ainda que possa fechar as portas para as demais ponteiras da seleção em busca de uma chance.



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Pê ésse:

Pode dar certo, pode dar errado, mas a verdade é que essa coisa do Marco Bonitta chamar a Tai Aguero para ser levantadora só mostra como a seleção italiana trabalhou mal a renovação nesta posição. Ficou refém durante anos da Lo Bianco como se ela fosse eterna.

Sabe-se lá por que, os treinadores ignoravam a segunda principal levantadora da Itália, a Francesca Ferreti, que ficou de fora das convocações nos últimos anos. Não apostaram em uma reserva para a Lo Bianco, o que custou mais uma campanha vergonhosa na Olimpíada quando a titular mal tinha condições de jogar por dores nas costas. Escolher a Tai é uma medida de emergência e uma aposta. Pode dar certo agora, mas e depois? 

quarta-feira, 14 de maio de 2014

É um mexe-mexe


A limitação de duas jogadoras com 7 pontos por time mais a saída do Amil turbinaram as movimentações do mercado para a próxima temporada. É tanto mexe-mexe, troca-troca, que vai demorar para que eu me acostume com as novas composições de cada time.


Prefiro comentar o que já foi oficialmente anunciado. Afinal, de uma semana para outra tudo pode mudar – vide o caso da Monique que foi dada como certa no Campinas e o time acabou.

Sorte que a oposto achou um lugarzinho no time do Sesi, que não fica com Ivna. É uma boa contratação, mas nada empolgante. O Sesi reforça o fundo de quadra, mas vai precisar de mais ofensividade. Alguém para acompanhar a Pri Daroit na responsabilidade do ataque. Ainda mais que o time não terá mais o super-entrosamento Dani Lins – Fabizona. 


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É curioso que o Molico tenha investido para a última vaga de 7 pontos na contratação de uma levantadora e não de numa atacante. Mostra a preferência por estabilidade, por ter um time bem estruturado - o que certamente vai ter com a chegada da Dani.

Agora, o mercado está ficando apertado para o time nas pontas. As opções são poucas. A Mari de hoje, caso seja confirmada, não é um nome de peso. Provavelmente o Osasco vai olhar novamente para o mercado externo, o que não se mostrou a melhor saída nesta temporada. Acho que a Caterina cumpriu bem seu papel, mas foi aquém das expectativas. E a final do mundial representou bem a temporada da Sanja no Osasco: pouco acrescentou.

Se é para investir nas gringas, que seja em alguém "confirmado". O Osasco, da forma como tem se configurado o mercado, não pode perder tempo em apostas estrangeiras. Se optar por isso, que sejam apostas nacionais, que ao menos custam mais barato. 

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O Praia Clube se equilibrou bem com as contratações da Sassá e da Tandara. Mas não gosto da Ramirez. Para mim, é uma jogadora decadente que pouco acrescentará. Espero que o Praia esteja pensando em outro nome para compor o ataque. E fica a dúvida também, claro, sobre o rendimento da Ju Carrijo. Uma levantadora reserva em condições de brigar pela posição seria necessário (Camila Adão, Fernandinha?)

Mas isso é artigo raro no mercado e ainda bem que o Sesi agiu rápido e garantiu a Claudinha. Com a Carol Albuquerque de reserva, o time tem uma dupla confiável. Talvez a temporada com o centrado Talmo recupere a confiança da Claudinha.


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Sobre o Mundial...

Pessoal, um problema com a internet me impediu de postar no domingo. Nestes dois últimos dias estive em viagem de trabalho e também não consegui publicar a final do Mundial de Clubes. Peço desculpa pelo furo e agradeço os comentários.

Acho que não há nada muito a acrescentar além do que vocês comentaram no outro post. Não gostei da atuação da Fabíola e Sanja não ajudou em nada. Mas, como equipe, esperava mais do Molico/Osasco.

Vencer o Dinamo Kazan era uma tarefa inglória, mas não impossível. Ao menos, não esperava a lavada que foi esta final. Até o Sesi, com mais limitações individuais, fez três set bem disputados contra o time russo. O Osasco mal deu as caras na decisão. Bloqueio inexistente e uma enorme dificuldade na construção do ataque, da recepção e distribuição até o desempenho final das atacantes.

Enfim, foi decepcionante e uma maneira triste para o Osasco terminar esta temporada. Uma despedida um tanto amarga para Fabíola e Sheilla. 
 

quarta-feira, 7 de maio de 2014

O Mundial de Clubes- e a forma de lidar com as derrotas



Finalmente achei um tempinho para escrever sobre o Mundial de Clubes. Estou em cima do laço, afinal o torneio começa hoje. Mas antes tarde do que nunca.

Devo dizer que, pensando na representação do Brasil na competição, foi bom o Molico/Osasco ter sido convidado. A temporada do Sesi tem sido fora de série, sem dúvida. Mas é difícil imaginar o time do Talmo como candidato ao título.

É até irônico apostar mais as fichas no Molico sendo que o mesmo foi batido pelo Sesi duas vezes – e nos momentos mais importantes – desta temporada. Só que o Sesi tem mais limitações e menos valores individuais, além de ser menos “cascudo”.

Fora que acho que a melhor fase das paulistanas já passou. Elas já atingiram o seu máximo e a tendência agora é regredir. O Osasco, me parece, tem mais para dar, exatamente por estar mordido e “devendo” na temporada.

Para vencer o super elenco do Dinamo-Kazan, só vejo um time com capacidade: Molico. E olha lá... Vai ser parada dura.


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Pê esse:

- Sei que a discussão já passou, mas quero deixar registrada a minha opinião. Confesso que o fato do Sesi ter levado numa boa a derrota na final não me incomodou. Realmente o que a gente espera nestes momentos é uma ambição maior e uma inconformidade com a derrota. É isto que faz o cara deixar de ser apenas um competidor para ser um vencedor. Mas acho que ali elas sentiram que a presença na final já havia sido uma grande conquista, que haviam feito de tudo dentro das suas próprias limitações e reconheceram a superioridade do adversário.

Mas o que quero comentar mesmo é a declaração da Sheilla dizendo que não comemora e nunca comemorou derrota. Ok, é totalmente compreensível ela ficar insatisfeita com os insucessos do time dela. Ela não tinha que entrar na onda de Unilever e Sesi e fingir que estava tudo bem.

Só que a mesma Sheilla era a nota destoante no pódio do Mundial de 2006 quando a seleção ficou com o vice depois de uma dolorida derrota contra a Rússia. Ela estava sorrindo, tranquila, de boa. Não comemorou, mas também não chorou nem sequer ficou de cara fechada. Na época, me lembro, ela foi questionada por isso.

Quer dizer que estava indiferente? Não. Talvez estivesse satisfeita com o que tinha feito e absorvido a derrota de uma modo diferente assim como as meninas do Sesi. Aí vem o Voloch dizer que ela é “acima da média”, profissional e blablabla. A questão é que ela estava puta no pódio da Superliga porque o Osasco deu vexame. Tinha condições de estar na final e ficou de mero espectador. Não foi por uma questão de perfil, “não aceito o segundo muito menos o terceiro lugar” e etc. Acontece que há derrotas e derrotas. E esta do Molico pro Sesi foi difícil para a Sheilla digerir.

E, sim, meu PS ficou maior que o texto principal.

 

quinta-feira, 1 de maio de 2014

A triste realidade de cada temporada



E o Amil fugiu.

É triste, mas a verdade é que já estamos acostumados com a despedida de patrocinadores do vôlei a cada temporada. Ainda assim, a saída do Amil pegou todo mundo de surpresa – se até o Zé Roberto não sabia (Lula?), imagina a gente.

Aí pergunto – e me indigno – por que toda aquela palhaçada de passagem de cargo do Zé para o Paulo Cocco se o patrocinador sabia que não iria permanecer? Certamente a decisão não foi tomada de uma hora para outra. A Amil poderia ter saído de forma mais decente, sem enganar treinadores, jogadores e torcida. 

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Nessas horas é que vemos como nossa liga nacional é frágil. Esta saída do Amil em conjunto com a medida do ranking, que agora só possibilita a inclusão de duas jogadoras de 7 pontos por time, batem forte na qualidade da Superliga. Vamos viver novamente uma debandada de jogadoras do Brasil. Sheilla e Fabíola, ao que consta, são as primeiras.

Nosso campeonato está desamparado e não vejo atitudes da nossa Confederação para melhorá-lo. Está tudo nas mãos dos grandes clubes (e seus super patrocinadores) e da mídia. Para CBV, como bem mostraram as denúncias recentes, o que interessa é saber o quanto dá para tirar de dinheiro da Superliga e aproveitar para encher os próprios bolsos. Aí investe aqui e ali na seleção e no vôlei de praia, afinal são ótimas vitrines e o resto a gente sabe bem para onde vai...

O campeonato nacional precisa ser seriamente repensado e discutido. O vôlei não vai existir sem patrocínio. Ok, esta é a maior verdade de todas. Então, como trabalhar com esta realidade? Como minimizar esta dependência? Como evitar que a cada saída de uma empresa o vôlei se desestabilize? Como estimular que mais empresas se interessem pelo esporte?

Enfim, inúmeras questões que precisam ser debatidas antes que seja tarde demais. Temos um lindo cartão de visitas, as nossas seleções, mas, na verdade, nossa estrutura está apodrecendo. O esporte e seus bons resultados não vão se sustentar por muito tempo se não fizermos esta renovação interna. 


quarta-feira, 30 de abril de 2014

Seleção Papo de Vôlei - Superliga 13/14

Monique - Thaisa - Michele; 
Tandara - Fabiana - Fofão;
Fabi; Bernardinho


Esta é a nossa seleção da SL 13/14!

Em comparação a da temporada passada, somente Thaisa (14 votos) e Tandara (11 votos como ponteira, 14 no total) garantiram novamente seus lugares entre as melhores da competição.

A força de Tandara é compensada com a técnica das gêmeas Michelle e Monique, que aparecem pela primeira vez na nossa seleção. Monique, com 14 votos, ganhou com boa folga de Andreia (8) e Sheilla (6). Já Michelle foi 13 vezes escolhida, deixando a Suelle, com 10, para trás.

Outra novidade é a presença da Fabi. Nas duas primeiras eleições o posto de líbero ficou com a Camila Brait, que desta vez foi "goleada" pela experiente adversária. Fabi recebeu 16 votos enquanto Brait, sete.  

A disputa foi bastante acirrada entre Dani Lins e Fofão, que também faz sua estreia na seleção do PV. Apenas um voto definiu a eleição da veterana levantadora, escolhida por 15 vezes. O mesmo número de votos que recebeu o nosso treinador, Bernardinho. Ele volta a recuperar o comando da seleção depois de ter perdido a posição para Luizomar e Spencer Lee no ano passado. O Talmo ficou logo atrás com 12 votos.

E, para finalizar, a quase unanimidade: Fabiana. A central do Sesi recebeu 29 votos, dos 31 considerados na eleição.

domingo, 27 de abril de 2014

A estrela de Bernardinho




Esta Superliga 13/14 não foi das melhores em termos de nível técnico, mas merecia uma final mais interessante. Se não fosse bem jogada, que ao menos tivesse um pouco de emoção. Seria mais justo às disputas acirradas que vimos na fase final.

Mas não foi o caso. Tivemos sets com placares alargados para uma e para a outra equipe e um final conhecido: Unilever campeão.

O título foi merecido pelo o que o time do Bernardinho apresentou na decisão. Tomou as rédeas do jogo. Mesmo quando perdeu o terceiro set, a partida estava mais em suas mão do que nas do Sesi. 

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O Sesi passou esta fase final inteira aproveitando as falhas dos adversários ao mesmo tempo que mantinha uma base estável. Fazia a sua parte na virada de bola, fazia o jogo fluir, cometia poucos erros e deixava que os outros errassem. E o que aconteceu nesta decisão é que o time não conseguiu fazer nem uma coisa nem outra.

O Unilever controlou suas fragilidades no passe, mas tampouco foi pressionado pelo Sesi. O que foi o saque das paulistas? Fabiana e Pri Daroit foram as únicas que impuseram alguma dificuldade na recepção carioca.

No início, o Talmo dedicou seus tempos técnicos para consertar o posicionamento da defesa quando, ao meu ver, o foco deveria ser o saque. Ele precisava colocar o seu time em sintonia com o clima de uma final, a começar pelo saque. Se não botassem pressão não iria ter jogo para o Sesi – e foi o que aconteceu.

A Fofão jogou a maior parte do tempo com o passe na mão e aí não adianta marcação de defesa. Ainda mais com as opções que a levantadora tinha. As atuações de Mihajlovic e Gabi chegam a ser covardia se comparadas às de todas das atacantes do Sesi.
 
Para piorar a situação, o Unilever foi inteligente na sua marcação de bloqueio, que trabalhava mais centralizado e atento para matar a bola da Fabiana - que estava sendo durante esta fase final a bola de segurança do Sesi. Como previsto, a Ivna não correspondeu. Acho que o Talmo demorou em substituí-la pela Daroit, mas mesmo assim este seria um problema difícil de contornar. O ataque do Sesi sempre foi um ponto frágil. Ele sempre precisou compensar a fraqueza minimizando a eficiência do adversário neste fundamento - o que, como vimos, não conseguiu fazer contra o Unilever.

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Parabéns a todos envolvidos do Unilever nesta conquista! Se tem uma coisa que aprendi durante estes anos acompanhando a Superliga é que nunca se pode duvidar da capacidade de recuperação dos times do Bernardinho. O Unilever era uma maçaroca durante a fase classificatória, e hoje está aí, com a taça na mão. Como muitos dizem: “O Bernardinho é o Bernardinho”. A frase pode parecer simplista e boba, mas está cheia de significado, além de ser um belo resumo do que representa a força e unicidade deste treinador.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

A fraqueza que pesa a favor do Unilever


A decisão de domingo é inédita, mas o curioso é que teremos uma final entre a melhor (Sesi) e a pior recepção do campeonato (Unilever). Exatamente o fundamento que roubou a cena, de forma negativa, nesta temporada da Superliga. 

Mas o mais curioso ainda é que o Unilever pode considerar esta liderança ao avesso um ponto a favor. Explico meu raciocínio:

Apesar da péssima qualidade, o passe não foi suficiente para impedir que o Unilever chegasse à final. O time deu uma controlada nos erros de recepção na semifinal, sem dúvida, mas continua apresentando recursos individuais que contornam os prejuízos do passe.

O Unilever tem atacantes que pontuam mesmo com as bolas mais quadradas: Mihajlovic e Pavan. A sérvia está em ótima fase. A canadense esteve apagada nas semifinais, mas eu acredito que ela possa fazer a diferença no ataque nesta final.

O Sesi não tem este recurso. Não foi por coincidência que a recepção foi o fundamento que o colocou de volta na disputa do campeonato. Desde que a Suelle se confirmou como titular, a equipe arrumou a linha de passe e se encaminhou para a ponta da tabela. Antes, com um passe ruim, o Sesi simplesmente não existia.

O time do Talmo só joga se o passe estiver em condições da Dani Lins explorar a Fabiana e colocar todas as suas ponteiras para jogar. Ele precisa deste conjunto. A Ivna não segura um ataque sozinha. Ela não mostrou estar preparada para ser a bola de segurança do time.

Em resumo, o Sesi é muito mais sensível a qualquer instabilidade no passe. A semifinal contra o Molico mostrou isso. Se o Unilever botar pressão no saque – e o Bernardinho deve estar programando minar a líbero Suelen – o Sesi acaba. O mesmo não serve para o Unilever. Mesmo com um bom saque, obrigatório para o jogo não chegar nas mãos da Fofão, o time do Rio ainda sobrevive. O Sesi vai precisar mais do que esta estratégia para levar o seu primeiro título.



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Mais+

Retomando alguns assuntos da semana:

- O Zé Roberto confirmou sua saída do comando do Vôlei Amil. Agora, ele é treinador exclusivo da seleção. Ótimo. É o mais saudável para todo mundo: jogadoras, seleção e ele mesmo. O que não me agrada é que ele ainda manterá algum cargo no time de Campinas. Acho que isso impede a distância necessária para fazer as avaliações das atletas. Mas já foi um passo importante para a seleção brasileira, que, inclusive, teve a sua primeira convocação do ano...

- ... sem contar com as jogadoras do Unilever, Sesi e Molico. Estão lá: Ana Tiemi, Angélica, Michelle, Jaqueline, Natália, Andréia, Monique e Tandara.

É bom ver nesta lista a Andreia e a Jaqueline.

Eu tenho meus pés atrás com a Tiemi. Não acho que a experiência na Turquia, por si só, a credencie para a seleção, mesmo que o time dela esteja fazendo uma boa campanha. Acho que temos que esperar para ver. As notícias enganam e, sem poder acompanhar de perto as partidas que ela faz, fica difícil saber se ela não está sendo supervalorizada. O mesmo aconteceu com Fernandinha e Érika na época das suas experiências internacionais.

Posso estar sendo bem idiota, mas espero que o Zé Roberto não tenha descartado de vez a Claudinha. Ela sim eu gostaria que tivesse chance de ser realmente testada na seleção.

- O Spencer Lee saiu do Banana Boat/Praia Clube, que contratou para seu lugar o Ricardo Picinin, que estava no Vivo/Minas. Vai ser difícil disassociar o Praia do Spencer, afinal o treinador é um dos grandes responsáveis por este projeto ter ganhado importância e ter se feito notar mesmo quando não tinha um elenco de estrelas. Mas acho que a mudança vai ser boa para o time, que precisa de uma renovação geral. O importante é que o trabalho em Uberlândia continua e que o Spencer não fique sem time, pois ele é competente. 


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Pê ésse:
- Sei que o Zé saiu do Vôlei Amil, mas deixo um veneninho: será que a Tiemi não vai ser a nova levantadora de Campinas? Apesar da experiência negativa no Vôlei Futuro, acho que o Paulo Coco trabalharia com ela numa boa.