segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Copa Rio x Copa do Mundo



Cada um com a Copa que lhe cabe. No caso do Brasil, foi a Copa Rio, que reuniu num torneio amistoso a seleção brasileira, a Bulgária, Alemanha e a Holanda.

 
Sem esperar grande coisa, ao menos queríamos que o Brasil fosse um pouco desafiado neste pequeno torneio. E não é que foi? Talvez mais por trapalhadas próprias do que pela qualidade dos adversários, mas há que se admitir que a seleção foi testada nas partidas contra a Alemanha e, principalmente, contra a Holanda.

Com praticamente a mesma equipe que jogou o Grand Prix, o Brasil apresentou as mesmas características de quando disputou a competição: o sistema defensivo fazendo mais do que o ofensivo e nos deixando em apuros quando não funcionou bem.

Foi o que aconteceu contra a Holanda. As jogadoras estavam presas em quadra na defesa, sem reação e o bloqueio fazia marcações equivocadas. Em resumo: o time parecia não ter estudado as holandesas.

A entrada da Léia no lugar da Brait, surpreendentemente, deu uma melhorada no volume de jogo. E a da Sheilla no lugar da Monique tornou o time mais agressivo não só no ataque mas também no bloqueio e no saque – o que, vamos combinar, deveria ter sido a postura brasileira desde o início.

Por mais que o nível do torneio tenha superado as expectativas, fica difícil fazer grandes avaliações individuais – que considero ser a principal função destes amistosos. Ainda assim, gostei da postura e da regularidade da Ana Carol e da Gabi em quadra. Acho que as duas estão marcando bem a sua passagem pela seleção nesta temporada.
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Copa do Mundo ponto a ponto

Enquanto ficamos nos amistosos, nossas principais adversárias se enfrentam numa Copa do Mundo bem equilibrada. Cinco equipes lutam por duas vagas para os Jogos de 2016. EUA, Rússia, China, Japão e Sérvia possuem 5 vitórias e uma derrota.

A Sérvia tem sido a maior surpresa, pois foi quem melhor respondeu aos confrontos mais fortes. Perdeu para China, mas venceu os Estados Unidos e a Rússia. Só não está em melhor colocação (5º) porque essas vitórias foram por 3x2. Em compensação, tem o calendário final mais tranquilo. Nos quatro jogos que lhe resta, dos fortes, só enfrenta o Japão. Se controlar a “cacetada” de erros que dá de graça aos adversários a cada jogo, pode fechar sem sustos a competição e conseguir a vaga.

O Japão também surpreende por estar entre os primeiro colocados, mas a pedreira para as nipônicas chega nos próximos jogos. Além da Sérvia, enfrenta EUA e China. Acho que não vai ser pela Copa do Mundo que o Japão alcança sua classificação para a Olimpíada.

Também acho difícil que a China alcance a classificação, mesmo se a atacante Zhu, lesionada, voltar às quadras. Pelo o que assisti do confronto contra os EUA, o que a China tem de força e potência, falta em técnica e volume de jogo. Beneficiou-se muito da quantidade absurda de erros cometidos pela Sérvia e pela Coreia, seus principais desafios até o momento juntamente com os EUA. Ainda tem de enfrentar Rússia e Japão, além da chata República Dominicana.

Acho que, à frente da China para a conquista da vaga, estão EUA e Rússia, apesar de ambas seleções terem decepcionado quando enfrentaram as equipes mais fortes da competição. Os EUA foram engolidos pelo bloqueio na derrota para a Sérvia e depois se recuperaram com uma vitória nada convincente contra a China. Já a Rússia venceu o Japão, que tradicionalmente dá trabalho, por 3x2 e perdeu pelo mesmo placar para a Sérvia.

Vamos ter confronto direto entre EUA e Rússia na antepenúltima rodada, na sexta. É a partida, ao meu ver, com o resultado mais imprevisível nesta reta final e a mais decisiva. O vencedor deve sair com a classificação bem encaminhada e deixar o derrotado enrolado com os demais na busca da segunda vaga.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

A seleção de hoje e a do futuro


A seleção principal voltou às quadras para dois amistosos contra a Bulgária. Mesmo tendo assistido somente ao segundo jogo, posso falar com tranquilidade que foram confrontos com pouca – para não dizer quase nenhuma – utilidade para a seleção.

Fora da Copa do Mundo, por já estar classificada para as Olimpíadas, restou ao Brasil, neste segundo semestre, somente a possibilidade de realizar amistosos com seleções de nível B/C da Europa e de disputar o fraco Sul-americano.

Pelo tamanho do desafio, dá para ver que não vale a pena colocar as jogadoras principais para jogar. Pelo contrário, são nestas ocasiões que se deve fazer testes. Mas a lógica da comissão técnica brasileira é  inversa. Aí vimos em quadra contra a Bulgária Dani Lins e Fabiana. E não duvido que, se tivessem condições de jogo, Garay e Jaqueline estariam também.

É dar muita oportunidade ao azar. E quase que o pior aconteceu. A Fabiana se machucou nesta partida; ainda bem que não foi nada grave. Mas e se fosse? Uma das principais jogadoras do grupo iria ter que passar por um desgaste desnecessário de uma recuperação física antes da Olimpíada.

Acho pouco provável, mas mesmo assim torço para que o torneio amistoso da próxima semana – que contará com, além da Bulgária, Holanda e Alemanha – seja um pouco mais desafiador para o Brasil. Se vamos seguir esta tendência de usar a “força máxima” - ou próximo disso -, que, ao menos, na balança, as vantagens de preparação pesem mais do que os riscos.
 
 
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Nesta semana também, a seleção sub-23 foi, pela primeira vez, campeã mundial. É uma ótima notícia para quem, como nós, está bastante descrente na capacidade de renovação da seleção brasileiria.

É um campeonato que fica um pouco esvaziado, é verdade, já que muitas jogadoras mais próximas da idade limite já estão nas seleções adultas – que, por sua vez, estão prestes a disputar a Copa do Mundo. Mas isso não impede que possamos olhar com atenção e até com um certo otimismo o elenco brasileiro.

Por exemplo, a levantadora Juma, eleita a MVP da competição. Juma foi reserva no São Caetano na última Superliga, mas ganhou a posição da Naiane na seleção. Como sabemos, a Naiane foi um dos destaques/revelação da SL. Ou seja, a disputa parece estar qualificada numa posição tão carente para o Brasil. Claro que só o tempo confirmará ou não estes nomes, mas não se pode fechar os olhos e as portas para eles no momento.

O bom é que boa parte deste grupo, mesmo sendo reserva nos seus times, está nas mãos de treinadores competentes na gestão de jovens jogadoras. Técnicos que sabem dar uma estrutura bacana a elas e não têm medo de as colocar na fogueira se necessário. É o caso da Drussyla e da Lorenne, no Rexona; da Juma, no Pinheiros; da Gabi e da Saraelen, no Molico.

Meu receio maior é saber se as titulares Naiane e Rosamaria, no Minas, sob o comando do Paulo Coco, terão o mesmo suporte. A Rosamaria é, deste grupo campeão, a jogadora com melhores condições de conseguir, pós-2016, um lugar na seleção principal. Joga numa posição carente para o Brasil, já tem um pouco mais de experiência como titular em clubes e tem potencial. Mas vai precisar de apoio do Paulo, que, ao meu ver, não se assemelha ao Zé Roberto somente no tom de voz. Acho que, infelizmente, assim como seu superior, ele não é um bom preparador de jovens atletas. Tomara que esteja errada e que tanto a Rosa como a Naiane saiam ainda mais fortalecidas da próxima temporada.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

A seleção final


A seleção brasileira feminina está treinando em Saquarema para o Sul-americano em setembro e para uma série de amistosos que devem acontecer antes do torneio. Desta vez, um grupo pequeno e único, com o melhor que temos à disposição hoje – o que inclui Fabiana e Sheilla. Ainda terão seis cortes para disputar a competição.

Levantadoras: Dani Lins e Macris

Ponteiras: Garay, Gabi, Mari PB, Jaque, Natália e Suelle

Opostas: Joycinha, Monique, Sheilla

Meios: Adenízia, Bárbara, Carol, Fabiana, Jucy

Líberos: Brait e Leia


Pela convocação, deu pra perceber quem agradou – e não – nas experiências no GP e no Pan.

Um dos nomes que ganhou aprovação foi o de Macris. Ela, na verdade, foi a única levantadora testada realmente e não faria sentido não estar presente nesta lista. Fica a dúvida se a Fabíola estava disponível para esta convocação ou não.

A certeza que temos é que, para nossa felicidade, a Ana Tiemi foi deixada de lado. Justo. Melhor trabalhar com duas levantadoras e focar no crescimento de quem tem potencial para ser desenvolvido. Só não digo que o Zé Roberto finalmente desistiu dela porque nunca se sabe... E até porque Joycinha foi convocada.

Não vou me repetir sobre a Joycinha. Só espero que a convocação dela tenha sido para preencher vaga. Não há Sul-americano, por mais perfeito que seja para ela, capaz de credenciá-la para o grupo do ano que vem, ainda mais depois do que (não) vimos no GP e no Pan.

Lamento a ausência da Rosamaria. Sei que ela está com a seleção sub-23 pra disputar o Mundial da categoria e chegaria depois para a preparação, mas, como já falamos aqui, mil vezes uma jovem receber oportunidades do que quem já provou que não tem utilidade.

A convocação da Bárbara também não fez muito sentido. Cinco centrais para quê? Já temos bem claro quem são aquelas que vão lutar por posição - e, entre elas, certamente não está a Bárbara.

No mais, vendo o grupo completo convocado (ainda com a ausência da Thaisa) fica evidente nossa fragilidade. Digo pela falta de opções de peso na reserva e pela composição do grupo, feita na sua maioria por jogadoras mais técnicas do que com poder de decisão.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

É bronze! GP - Brasil 3x1 Itália



Nos despedimos do Grand Prix com o bronze e com alguns pontos a comemorar e outros nem tanto.

A partida contra a Itália resume bem o desempenho brasileiro na maior parte do GP. Carol e Jucy foram as protagonistas do jogo e do campeonato. Ambas foram os destaques no bloqueio e no ataque e comandaram a seleção. Os jogos nos quais o Brasil não conseguiu acioná-las foram aqueles nos quais mais enfrentou dificuldades.

Aí caímos no principal problema brasileiro: a dificuldade de pontuar no ataque e contra-ataque com as ponteiras. Isso tornou algumas disputas fáceis mais trabalhosas e as difíceis, muito desequilibradas contra o Brasil. 
 


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Acho que o GP valeu bastante pra colocar pra jogar a Gabi, Carol, Natália e Léia e, também, pra deixar claro o gap que há ainda entre elas e as titulares. Mas só jogando e passando por estas experiências para elas crescerem.

Natália e Jucy estiveram na seleção do torneio, sendo eleitas as melhores das suas posições. Admito que me surpreendi ao ver a Natália como melhor ponteira. Ganhou por ter sido quem melhor uniu o desempenho na recepção e no ataque. Ainda assim, a Natália, pelo tempo de estrada que já tem, precisaria oferecer muito mais regularidade e ser mais confiável.

A Jucy teve um momento muito especial no GP. Apesar de ter a seu favor uma característica quase que exclusiva entre as centrais atuais, que é de ser muito rápida e ágil (a Adenízia é quem mais se aproxima dela neste sentido), fica difícil imaginar que ela consiga um espaço no time brasileiro. Acho que o torneio foi pra ela um canto dos cisnes.

A Léia não foi bem, ao meu ver, nesta fase final do GP. Sei que ela é muito boa, mas cometeu erros técnicos difíceis de se aceitar para uma líbero. Sassá, na sua estreia na sua posição, esteve melhor. Léia ainda tem um longo caminho para trilhar se quiser incomodar a Camila Brait, que esteve muitíssimo bem tanto no GP como no Pan.

Carol e Gabi também ainda têm uma longa estrada. Caíram de rendimento na fase final, mas mantiveram uma certa regularidade ao longo de todo o GP. Gosto da Carol, acho que, além do bloqueio, tem um saque muito bom e poder de decisão.

E vejo evolução na Gabizinha. Acho que ela está desenvolvendo melhor outros fundamentos como bloqueio e passe. No ataque, ela está tendo que aprender a se virar mesmo quando a bola não vem do jeito ideal pra ela, que é com velocidade. Aí são muitos mais erros que acertos, é verdade. Mas ela encara numa boa, não esmorece e assume a responsabilidade, o que acho muito positivo para uma jovem como ela.




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Ainda que possamos questionar a divisão das equipes para os dois torneios, acho positivo que o Brasil tenha dado este passo de testar as jogadoras reservas. Nenhuma delas roubou a nossa atenção ou surpreendeu a ponto de questionarmos as titulares, mas está valendo o processo e a experiência pelas quais elas estão passando porque logo ali adiante elas podem estar provocando algumas dúvidas quanto quem deve defender o time principal.

domingo, 26 de julho de 2015

EUA 2x0 Brasil


Caramba, o Brasil testou nossa paciência nos dois confrontos contra os Estados Unidos de hoje. Por isso, já aviso que este post, além de longo, será bastante amargo.

Perder faz parte, o adversário que enfrentamos, tanto no Pan como no GP, é qualificado, nos conhece muito bem. O que é difícil de aceitar e digerir é a falta de qualidade brasileira, o que a seleção tinha condições de apresentar e não apresentou. Vejamos: 
 
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Pan – Brasil 0x3 Estados Unidos

O Brasil, pela primeira vez na competição, começou bem uma partida. Estava com alguns bons saques, o bloqueio se fazia presente contra a Kristin e a defesa estava super atenta. Mas o mesmo problema que infernizou nossa seleção tanto no Pan como no GP também esteve presente: a ineficiência do ataque. E não só na virada de bola, mas também no contra-ataque.

Digamos que, enquanto os EUA, tiveram um repertório de dar gosto, jogando fácil com todas as atacantes os saques meia-boca brasileiros, o Brasil teve só a Garay e, de vez em quando, a Jaque. Mari PB começou bem a partida, virava mais bolas que as opostos brasileiras, mas teve que ser sacada para a importante entrada da Jaqueline, que deu uma injeção de ânimo e experiência à equipe. 
 
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Garay e Jaque se esforçaram pra carregar o time nas costas, mas é difícil fazer isso o tempo todo. Só a Macris não percebeu que tudo tem um limite e que, em certos momentos, o melhor era tentar outras saídas. O que a Macris tem de técnica não tem de visão de jogo. Ela aciona umas jogadas no momento errado e, depois, insiste em outras. Foi assim que o terceiro set acabou para os EUA, com a Macris insistindo na bola mais complicada de virar para qualquer time, que é na entrada da rede, quando só se tem duas atacantes na rede. A Jaque estava encaixotada ali, mas a levantadora ignorou a Adenízia e a Garay pelo fundo.

Aí a gente pensa: por que não utilizar a levantadora reserva? Porque a Ana Tiemi entra e mostra que não sabe levantar. A mão fraqueja, a bola sai terrível. Ela levantou duas bolas espetadas e baixas em momentos importantes de contra-ataque no terceiro set. Como contar com uma jogadora dessas?

Agora, houve um atenuante para a atuação da Macris - que, inclusive, considero bastante segura, com personalidade, mas que se perde nas escolhas: é a falta de confiança nas opostos. Rosamaria, que começou a partida, não virou, e Joycinha, depois de um espasmo de dois pontos no terceiro set, também não.

E aí a gente pensa outra coisa: por que convocar Ana Tiemi e Joycinha, se elas não dão resultado? Pergunta lá no posto Ipiranga, porque eu não sei. Talvez lá consigam decifrar porque o Zé Roberto insiste tanto em gente ruim. Troféu persistência pra ele por insistir há 10 anos na Joycinha e na Ana Tiemi sem obter nenhum resultado positivo. Tá, estou sendo meio injusta porque a Ana Tiemi até que teve alguns bons momentos na seleção. Mas, caramba, ESQUECE a Joycinha! Ela teve mil chances e não aproveitou nenhuma! A Rosamaria teve cinco e foi descartada com uma facilidade incrível! 

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Ainda no mesmo assunto: você tem duas opostos no seu grupo. Uma de 31 anos, com diversas passagens na seleção sem deixar qualquer marca que valha alguma lembrança, jogando desde o início do ano pela seleção e não fazendo UMA atuação decente. Outra, com 20 anos, boa passagem em clubes e na seleção de base, com potencial, com entrosamento com a levantadora titular, mas que, sim, precisa ainda ser muito trabalhada e, nas poucas vezes que entrou, também não rendeu. Em quem você aposta? Eu, você e a torcida do Flamengo, na segunda. O Zé Roberto, claro, na primeira.

Se a Rosamaria tivesse em quadra nesta final e tivesse a mesma atuação da Joycinha, eu aceitaria numa boa. Porque ela merece uma oportunidade, tem potencial, e mostraria que o Zé pensa no futuro da seleção. Agora é impossível encarar numa boa ver a Garay e a Jaqueline carregarem um peso morto de 1,90 e 31 anos.

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Pra fechar os trabalhos sobre esta final do Pan, faltou dizer que nosso bloqueio também deixou a desejar; que a comissão técnica e suas substituições erradas fizeram uma lambança inaceitável, beirando o amadorismo; e, por último, dar os parabéns aos Estados Unidos pelo título e por trabalhar muito bem a sua renovação - que, além das ponteiras/opostos, têm um bom repertório de levantadoras de qualidade.

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GP - Brasil 0x3 Estados Unidos

Este era um resultado que já esperava CASO os EUA entrassem com sua força máxima em quadra. Com sua versão mais “light”, os EUA, ainda assim, sobraram contra o Brasil – e isso é inaceitável.

Claro que mesmo o time B dos EUA é talentoso. O país tem um arsenal sem-fim de jogadoras de qualidade e com muito potencial. Mas vamos analisar friamente quem estava em quadra: uma levantadora novata, uma ponteira novata e uma oposta novata - duas delas sem sequer experiência de clubes. Todas muito menos rodadas que Dani Lins, Natália e Gabi, portanto. E o Brasil não colocou pressão alguma do outro lado para aproveitar a inexperiência destas jogadoras.

A Robinson se mostrou deficiente no passe e este foi o único ponto que conseguimos explorar – ainda assim, muito menos do que poderíamos. Afinal, não tínhamos uma sequência boa de saques. A levantadora Kreklowe e a Lowe, a oposto canhota, jogaram com uma facilidade incrível porque não encontraram, em nenhum momento, alguma resistência por parte do Brasil. 

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A seleção brasileira foi decepcionante. Poderia ter feito um jogo muito mais competitivo, ter brigado pela vitória de forma mais equilibrada e, quem sabe, ter obrigado o Kiraly à buscar ajuda das experientes que estavam no banco.

O Brasil, assim como fez contra a Rússia, esqueceu de colocar em quadra aquilo que tinha de mais forte. O bloqueio passou em branco e os ataques com as nossas centrais inexistiram. Uma inexplicada falta de sintonia entre a Dani e a Jucy e a Carol apareceu quando mais precisávamos. Paulo Coco fez certo ao apostar na Roberta no lugar da Dani no terceiro set, mas foi tarde.

Natália foi terrível no passe e uma incerteza no ataque. Monique, quem diria, foi quem melhor respondeu neste fundamento. Nossa defesa e cobertura de ataque pareciam presas ao chão de tão lenta e sem reflexos. Aliás, quando a Sassá esteve em quadra semana passada, nosso sistema defensivo esteve bem melhor.

E o que dizer dos contra-ataques? Quase nenhum aproveitado. É impressionante as chances que criamos e, por incompetência, ora do levantamento, ora da atacantes, desperdiçamos.
 

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Pra refletir...
 
Com o Pan terminado e o GP a uma partida do fim, hora de fazer o balanço deste semestre de experiências do Brasil. Os resultados finais não incomodam, mas o que eles representam e sinalizam, sim.

Primeiro, faz parte do esporte perder, mas é bom que haja uma disputa equilibrada para que o respeito ao adversário permaneça. Estas sequências negativas dão moral para os EUA, que estão perdendo o medo contra o Brasil. Estamos fortalecendo nosso principal adversário.

Segundo, o que já se sabia, mas foi comprovado, nosso elenco é muito pobre. Que Deus cuide bem de Sheilla, Thaisa, Fabiana, Jaqueline e Garay, porque, pelo que vimos, não há ninguém em condições de disputar a vaga de titular com elas. E seja o que Deus quiser pós- 2016.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

GP - Brasil 3x0 Japão



A vitória contra o Japão teve um lado bom e outro ruim. O bom, obviamente, é que o Brasil conseguiu se recuperar depois de um jogo terrível contra a Rússia, trazendo de volta à quadra aspectos importantes que tinham sumido na partida anterior, como o bloqueio e as jogadas com as centrais.

O lado ruim foi a instabilidade técnica e emocional. O time cometeu erros bobos em saque e recepção e permitiu aproximações perigosas no placar quando tinha vantagens. Foi um aspecto que não reparei, ao menos de forma tão explícita, na semana passada. A equipe parecia mais redonda, menos sujeita a altos e baixos como apresentou hoje contra o Japão.

No mais, fica a decepção com o baixo aproveitamento da Monique, novamente. O Japão parecia ser o adversário ideal para que ela deslanchasse, já que o bloqueio japonês não é tão alto e pesado, mas não foi o que aconteceu. 




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Filosofando sobre o vôlei feminino...

Não sei se é só uma percepção meio atrasada minha, mas nestas últimas competições internacionais tenho notado uma melhora do sistema defensivo das seleções.


O vôlei feminino realmente se caracteriza muito pelo volume de jogo, não há dúvida. Só que esta não era uma “arte” dominada pela maioria. Os times asiáticos tinham na defesa o seu ponto forte e o Brasil trabalhou muito também neste sentido, principalmente com a entrada do Zé no comando da seleção. Atualmente, vejo que quase todas as seleções vem apresentando um ótimo nível defensivo. Até a Rússia, com suas gigantes, parece mais eficiente na defesa – é verdade que, muitas vezes, falta a técnica ideal, mas o posicionamento da marcação está ali.

Isso exige muito mais habilidade das seleções, pois, além de garantir a defesa em si, precisam saber trabalhar a troca de bolas e se organizar para um contra-ataque minimamente aproveitável. Acho que tudo isso torna o jogo mais interessante e bonito de se ver. E também deve preocupar a Fivb, pois torna as disputas mais longas e menos aptas a serem televisionadas...

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Jornada dupla pesada


Que dia complicado para as seleções brasileiras no GP e no Pan! Uma derrota e uma vitória suada que vieram por motivos muito parecidos, como vamos ver a seguir nos comentários. 


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Pan – Brasil 3x2 Porto Rico

Mais uma vez, o Brasil se complicou contra Porto Rico. Mas ao contrário da estreia, não foi o ataque o principal problema brasileiro. Garay e Rosamaria até que deram, a partir do segundo set, maior vazão a este fundamento. Sim, ainda assim desperdiçamos muitos contra-ataques por falta de uma organização melhor, mas esta dificuldade já era mais ou menos esperada.

O que “quebrou as nossas pernas” – assim como no GP – foi a falta de um bom saque para que nosso bloqueio entrasse na partida. Deixamos a levantadora e as atacantes porto-riquenhas muito à vontade. Não colocamos pressão alguma no outro lado da quadra para forçar os erros de lá. Não conseguíamos fazer uma sequência de pontos sem entregá-los facilmente depois com algum erro de saque.

A atuação da Ocasio e da Aurea Cruz, que esteve bem apagada na primeira partida, foi absurda. Imaginei que elas perderiam o fôlego durante a partida, mas se mantiveram em alta o tempo todo. Foi somente com a melhora da relação saque-bloqueio que as coisas começaram a se encaixar melhor para o Brasil. Porto Rico começou a dar mais pontos em erros, e nós começamos a bloquear mais e a ganhar as trocas de bola.

Mas tudo à base de muito suor e sofrimento. Tanto que o Brasil novamente teve que correr atrás do placar no tie-break. E, de novo, como numa mágica, a Joycinha e, desta vez também, a Ana Tiemi entraram e recuperam o set com bons saques, pontos de bloqueio e ataque. 
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Vai entender... O Brasil chega no último momento e faz tudo o que tinha que ter feito desde o início. E a Joycinha, que sequer entrava na inversão 5x1, desencanta totalmente. Acho que ela é, como se fala no futebol, “jogadora de segundo tempo”, não serve para ser titular, pois tem efeito curto. Ela diz que continua se irritando com o tempo da bola. Eu digo que já passou da hora dela esperar a bola perfeita. Se quer bola perfeita, não pode ser oposto.

Ela pode se mirar num exemplo que está ao lado dela: Fernanda Garay. Não interessa se a bola tá boa ou ruim, ela tenta dar um jeito. É nessas horas que separamos as jogadoras de seleção e de clube. No jogo de hoje, usando exemplo do futebol também, Garay cobrava o escanteio e ia cabecear. Minha mãe, vendo a partida, resumiu bem: “Coitada da Garay, tem que fazer tudo!”.

Ela segurou muito as pontas na defesa, junto com a Brait, e no ataque, principalmente nas inversões, quando ela ficava sobrecarregada sem ter a companhia da Rosa. Cheguei a pensar que a inversão no tie-break não seria uma boa ideia. Meu medo era ficarmos sem força de ataque tendo que contar somente com a Garay. Mas o peso da camisa e a estrela do treinador acabaram, ainda bem, me contrariando e valendo a classificação para a final. Será que vamos ter que contar de novo com eles para conquistar o ouro?
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GP- Brasil 0x3 Rússia
Uma semana depois, a Rússia nos dá um troco muito bem dado no GP.

Claro que sabíamos que, com as principais em quadra (leia-se Goncharova), a Rússia não seria o mesmo adversário da semana passada. O Brasil precisaria ser mais do que foi para batê-las novamente, principalmente ter um ataque mais eficiente.

Acontece que, como temíamos, o ataque não funcionou. E pior: o que vinha funcionando bem também não. O Brasil não encontrou, durante toda a partida, uma forma de explorar o passe russo. Por consequência, o bloqueio não entrou. E aí foi uma avalanche de efeitos negativos em todos os outros fundamentos.

A defesa cometeu erros técnicos bobos. Os contra-ataques eram muito mal armados, a maioria era devolvida de graça para a quadra da Rússia que, por sua vez, sabia aproveitar as oportunidades. 
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Mesmo com todos os erros bobos cometidos pela Rússia no primeiro e, principalmente, no segundo sets, o Brasil não conseguiu achar seu ponto de alavancagem na partida. Era beneficiado pelas falhas para, em seguida, ele mesmo errar um saque. Não teve uma sequência que desse confiança ao time e o fizesse engrenar.

A Rússia nos enterrou em bloqueios porque nosso sistema de ataque foi mal do passe ao golpe final. Gabi e Natália não tiveram a consistência das partidas anteriores. A Dani fez, a meu ver, sua pior partida no GP. Lembrou-me muito a sua temporada no Molico pela falta de ousadia e visão da marcação adversária. Não fez o bloqueio russo se movimentar puxando as centrais com mais frequência ou optando pela maior distância. E, se digo isso da atuação da Dani, é porque sei que ela tem capacidade de consertar e forçar jogadas quando o passe não é o ideal.

Por fim, nosso trio de ponteiras esteve muito inseguro e não soube explorar o bloqueio russo. O comportamento das meninas me lembrou os das colegas do Pan na partida contra os EUA. A parada era mais complicada, mas tanto Gabi como Monique tinham habilidade para se safar melhor. 
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Num dia muito ruim do Brasil, acho que faltou o Paulo Coco ter tentado mais alternativas. O banco não é rico de opções, mas algumas poderiam ter sido testadas. Uma era uma simples troca da Monique pela Ivna. Não acredito que melhoraríamos no ataque, mas o bloqueio ganharia um bom reforço. Outra era, para o terceiro set, tentar uma formação com a Natália como oposto e Gabi e Suelle nas pontas, para ver se equilibrava o passe e liberava a nossa atacante mais forte.

Enfim, acho que o treinador ficou meio que resignado com a derrota. Uma pena. Não pela classificação final, que sabemos que esta não é a proposta deste ano, mas porque o Brasil poderia ter sido mais competitivo na partida. 

quarta-feira, 22 de julho de 2015

GP - Brasil 3x1 China



Prólogo: É meio decepcionante ver a China enviar seu time B logo pras finais do GP. Primeiro porque tira um pouco da graça da competição; segundo porque, mesmo sem o Brasil estar com sua força máxima, era bom poder enfrentar as vice-campeãs mundiais antes da Olimpíada já que não estaremos na Copa do Mundo.
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Partindo pro jogo em si, o Brasil, mais uma vez neste GP, começou em rotação baixa. Como existe um tempo naturalmente necessário para encaixar a marcação – o ponto forte do Brasil na competição -, a seleção fica um tanto insegura, pois acaba dependendo demais do ataque – que sabemos bem, é o principal problema brasileiro.

E demorou até o Brasil começar a ter consistência no saque e a bloquear nesta partida contra a China. Demorou tanto a ponto de perdermos o primeiro set. A seleção, a partir de determinado momento, perdeu-se completamente na partida. Travou no ataque, ficou ansiosa e desandou.

Do segundo set em diante, o Brasil viu que não precisava muito para quebrar o passe chinês, exigia só de um pouco de regularidade no saque. Com isso feito, a China se mostrou um adversário bastante frágil. A boa relação saque-bloqueio matou as chances das chinesas na partida.

Agora, pra não perder o hábito: nosso ataque pelas pontas não esteve bem. Deu pra perceber, pela distribuição, que a Dani abriu mais o jogo, o que acho positivo. Mas ela não teve uma boa resposta por parte das atacantes. Podemos dizer que somente a Gabi se safou. A Monique foi mais acionada que nos jogos anteriores, pontuou mais, mas ainda precisa melhorar o aproveitamento. Já a Natália, que vinha numa boa sequência, hoje não esteve bem. Sem ela, fica difícil enfrentar times mais maduros desta fase final do GP.


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Pê ésse:

- O Brasil vai enfrentar Porto Rico na semifinal do Pan. Espero que o reencontro seja bem menos complicado do que foi na estreia. E isso só depende do Brasil. 


terça-feira, 21 de julho de 2015

Pan - Brasil 3x2 EUA



Parecia decisão valendo ouro tamanha disputa entre as seleções. E os torcedores é que ganharam com um belo jogo.

Digamos que a partida pode ser resumida em diversas sequências de saque para cada equipe. Tanto Brasil como os Estados Unidos se destacaram pelo seu jogo defensivo e pela dificuldade na virada de bola. O Brasil funcionou melhor no bloqueio, os EUA na defesa e contra-ataque.

As norte-americanas tiveram uma organização e um aproveitamento melhores nos contra-ataques. Isso me fez crer que elas levariam a partida. Mas uma velha característica dos EUA, que pensei tivesse sido extinta com a conquista do Mundial, reapareceu: a “tremedeira” na hora da decisão.

O quarto set foi praticamente entregue ao Brasil em erros bobos e oportunidades desperdiçadas pelos EUA. Exatamente no final, elas começaram a cometer falhas que não vinham cometendo até então.

Na seleção brasileira aconteceu o contrário. Se as falhas norte-americanas deram o quarto set ao Brasil, o tie-break foi totalmente conquistado por méritos brasileiros. Na hora que precisou decidir, Rosamaria soltou o braço e, finalmente, decidiu no ataque enquanto que a Joycinha simplesmente fechou a rede fazendo pontos seguidos de bloqueio.

Isso nos deixa mais confiante. Afinal, mesmo com o time capenga e com muitas falhas, a seleção consegue fazer valer a camisa e o histórico.

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Falando em falhas brasileiras...

Houve falhas de recepção, mas esta não foi a constante da partida. Foram pontuais. Portanto, não se pode colocar na conta do passe a dificuldade da virada de bola. Houve também o mérito da defesa americana, sem dúvida. Elas estavam por todo os lados da quadra, era realmente difícil cair a bola na quadra delas.

Mas isso não pode ser desculpa para não pontuar na primeira bola de ataque. Somente Garay e Adenízia tiveram bom aproveitamento neste sentido. Aliás, a Garay foi o destaque na partida. Assumiu a responsa de jogadora mais experiente (a Jaque não jogou) e de pontuar pelas pontas, além de varrer a quadra na defesa. Bom vê-la de volta à velha forma.

Acho que, nesta partida, tanto Joycinha como Rosamaria estiveram ansiosas e não prestaram atenção nas oportunidades que tiveram. Mesmo com bloqueios quebrados, elas não viam as brechas tampouco exploravam o bloqueio. Rosa só foi fazer isso no tie-break.

O aproveitamento brasileiro também teria que ser melhor nos contra-ataques. Aí pesa o entrosamento, mas também a falta de visão da Macris. Muitas vezes parece que ela só quer mesmo é se livrar da bola, jogar o abacaxi pra atacante. São levantadas que não possuem uma estratégia, um objetivo. Agora, pelo que apresentou a Ana Tiemi nas inversões de 5x1, é melhor ficar com a mão mais calibrada da Macris mesmo em quadra.

Temos mais dias de treinamento para melhorar estes pontos para a final, que deve ser novamente contra os EUA. Temos que fazer mais para vencê-las novamente, não dá pra ficar somente à espera dos erros do lado de lá.

sábado, 18 de julho de 2015

Duas vezes Brasil: Pan e GP


Mais um dia de jogos da seleção feminina pelo Pan e GP. Para piorar a confusão que está minha cabeça de quem joga o que, os jogos hoje foram quase que simultâneos. Bora comentar o que deu pra ver das duas partidas:

Pan – Brasil 3x1 Peru 

 
Mais um set totalmente desnecessário perdido pelo Brasil no Pan. A seleção entrou mal em quadra, sem pressionar as peruanas no saque e no bloqueio. Acabou se complicando e perdendo o set pra equipe mais fraca do grupo – o que pode custar o primeiro lugar e a vaga direta na semifinal.

Os demais sets foram dentro do que deveria ser: o Brasil praticamente decidindo a partida na relação saque-bloqueio. O Peru tem uma recepção fraca e comete muitos erros. Um pouco de agressividade foi suficiente para o time se desmanchar. 

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A não ser no primeiro set, esta não foi uma partida que exigiu muito do ataque brasileiro. Ainda assim, os problemas de entrosamento entre a Macris e as atacantes são perceptíveis – afinal, não ia ser de uma hora para outra que se resolveriam.

Quem mais sentiu o descompasso desta relação foi a Jaque. Ao meu ver, ela está recebendo bolas muito lentas, o que a faz chegar embaixo da bola ou ficar com a força do movimento final do ataque comprometida.

Já a Garay, ainda que esteja recebendo bolas irregulares, tem conseguido se safar de um jeito ou de outro. O bom é que a Macris recuperou uma bola importante para o Brasil e que estava esquecida desde o início do GP: jogada de meio fundo. Nela, a Garay teve um ótimo aproveitamento.

Na segunda-feira, o Brasil tem um confronto bastante difícil contra os EUA. As americanas têm um bloqueio pesado, o que vai exigir da Macris mais velocidade do que ela tem utilizado até agora nas jogadas.

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GP – Brasil 3x0 Itália 

 
Acho que foi a melhor partida brasileira no GP. Depois da separação do elenco, este Brasil que joga a última fase do GP tem se mostrado mais regular e consistente do que o anterior.

Mesmo com uma levantadora bastante jovem como titular, a Itália entrou em quadra com aquilo que tinha de melhor à disposição e o Brasil venceu-a com muita propriedade.

A Itália tem um estilo semelhante ao brasileiro, gosta de usar as centrais e tem bastante volume de jogo. Foi uma partida, portanto, com bastante trocas de bolas e belas defesas. No fim, a seleção brasileira teve mais organização e habilidade na construção dos contra-ataques. Nosso poder de decisão também foi superior com o trio do Rexona Gabi, Natália e Jucy. Aliás, gostei da distribuição mais aberta e equilibrada da Dani nesta partida.

Já a força de ataque italiana ficou presa no nosso forte bloqueio. Não adianta, a Diouf não se cria sobre a seleção brasileira. Os dois metros da oposto italiana não assustam em nada a marcação nacional. Até não sei por que o Marco Bonitta não lançou mão da Sorkaite mais cedo.

O Brasil parte para a fase final mais bem preparado do que imaginava. Ao menos, tem um elenco que se mostra bem organizado e entrosado. Vamos sofrer ainda com o nosso ataque, principalmente ao enfrentar os Estados Unidos e a China, mas defensivamente estamos muito fortes. Acho que é o suficiente para entrar na briga.