domingo, 5 de julho de 2015

GP - Brasil 3x0 Tailândia

Fora o primeiro set, que só foi decidido no final graças a uma boa sequência de saques da Garay, o Brasil não teve maiores dificuldades para vencer a Tailândia.

O bloqueio, principal fundamento da seleção neste início de temporada, demorou a aparecer. Parte da dificuldade veio do saque pouco forçado da seleção, que dificultou a marcação das jogadas velozes das tailandesas. Mas, aos poucos, saque e bloqueio entraram na partida e tornaram a disputa mais fácil para o Brasil.

Nossas atacantes enfrentaram um bloqueio baixo, mas isso não foi sinônimo de facilidade já que era de se esperar um grande volume de jogo por parte da Tailândia. O mais importante é que o Brasil acompanhou pacientemente e com qualidade a troca de bolas e também respondeu com um bom volume na defesa.

Com o passe adequado, a Dani abusou da velocidade nas jogadas com as centrais, colocando a Jucy como maior pontuadora da partida. Outra jogadora que se beneficiou com a velocidade foi a Gabi, que teve boa atuação no ataque.



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Ao final da primeira rodada do GP, podemos dizer que as meios de rede roubaram a cena. Jucy e Ana Carol foram os destaques nas partidas, ora por serem nossa bola de segurança, ora por fazerem a diferença no bloqueio.

Ao que tudo indica, elas permanecem no grupo que disputa o GP juntamente com Gabi, Natália, Brait, Monique e Dani Lins. O entrosamento entre elas e a Dani se mostra fundamental para que o Brasil tenha variação de ataque nas próximas rodadas do GP. Afinal, nossas pontas ainda estão muito irregulares e as opções na reserva estarão mais escassas, pois parte do grupo vai para o Panamericano. 


Na próxima rodada o Brasil enfrenta Bélgica, Alemanha e Tailândia. O nível de dificuldade deve ser o mesmo desta primeira. A maioria das seleções do GP está com um elenco misto, que deve ser reforçado aos poucos. O Brasil faz o movimento contrário devido ao Panamericano. Isso não deve comprometer a classificação para a fase final onde, aí sim, a divisão dos elencos pode pesar contra.

sábado, 4 de julho de 2015

GP - Brasil 3x0 Sérvia


Pensei que o Rexona.... ops, a seleção brasileira teria mais dificuldade ao enfrentar a Sérvia do que realmente teve neste segundo confronto do GP 2015. Imaginei que nosso ataque fosse parar mais vezes no bloqueio sérvio, mas não foi o que aconteceu.

Pelo contrário, o jogo lento da Sérvia é que parou no nosso bloqueio. O Brasil, por sua vez, manteve uma regularidade no passe que permitiu a Dani Lins a jogar bastante com as nossas centrais, que acabaram por ser nossa bola se segurança.

E é isso que ainda preocupa na seleção. É muito bom que haja um entrosamento entre a Dani e a Jucy e a Ana Carol, mas nas pontas a coisa ainda anda feia. Joycinha continua pouco eficiente para uma oposto. Natália começou a partida no lugar da Garay hoje e foi muito mal no ataque. Gabi foi a melhor das três, sabendo usar da habilidade para aproveitar o bloqueio adversário.

O time jovem da Sérvia deu muitos pontos em erros aos Brasil, o que tornou a partida mais fácil. Um pouco mais de equilíbrio neste sentido, nosso ataque seria muito mais demandado e, pelo que tem apresentado, não daria conta do recado.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

GP - Brasil 3x1 Japão


E voltamos à ativa com o Grand Prix 2015!

O Brasil estreou na competição com o Japão. Parecia até mais uma repetição dos amistosos vistos há duas semanas. A composição do time em quadra pode ter mudado um nome ou outro, mas a atuação brasileira foi basicamente a mesma.

Ou seja, o Brasil cometeu muitos erros, teve dificuldade em pontuar no ataque e o bloqueio acabou por salvar o time em diversas situações. Somente quando Gabi e Garay começaram a entrar na partida e a fazer companhia à Joycinha, é que o ataque ganhou um fôlego – e isso foi só lá pelo terceiro set

Sei que o Japão é mestre na defesa e que realmente é difícil colocar uma bola na quadra japonesa, mas o aproveitamento do nosso ataque ainda me preocupa. Isso porque há muitos ruídos na comunicação desde a recepção até o golpe final. Espero que seja somente porque estamos em início de temporada. Só não sei se, com este troca-troca de elenco, o nosso ataque terá a continuidade que necessita para se firmar.

O bom é que a Jucy deu vazão a nossa tradicional bola de meio, importante para a sobrevivência do estilo brasileiro de jogar. E foi acompanhada pela bela atuação da outra central, a Ana Carol, que ajudou tanto no ataque como no bloqueio.


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O Brasil agora enfrenta a Sérvia, que perdeu pra Tailândia por 3x2. Mais uma vez as forças máximas das duas seleções não vão se cruzar já que, além dos já conhecidos desfalques brasileiros, a Sérvia está sem Rasic, Mihajlovic e Brakocevic (que, aliás, está grávida).

Pelas estatísticas, a Sérvia teve um jogo bastante parecido ao brasileiro, com o bloqueio compensado o ataque. Acho que o Brasil pode ter vantagem pelo seu melhor sistema defensivo, mas deve sofrer ainda mais no ataque – principalmente se nosso passe não funcionar.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

As (nem tão) boas novas da seleção

 
Da série de quatros amistosos entre Brasil e Japão (que se encerra na próxima quinta-feira), dois jogos foram transmitidos ao público. Foi bom rever a seleção em quadra – mesmo que algumas caras ali causassem um estranhamento.

Entraram em quadra, principalmente, aquelas que chegaram antes para a temporada de treinos em Saquarema. A exceção ficou por conta das “molicats” Dani Lins, Adenízia e Camila Brait. Acho que ficou claro que a intenção destas partidas não é testar o time, e sim as jogadoras.

Se a finalidade é esta mesmo, algumas podem comemorar, pois devem ter chamado a atenção do Zé Roberto – ao menos nas partidas deste final de semana. São elas: Suelle, Mari PB e Macris.

Suelle e Mari PB foram muito bem. Foram as mais regulares e carregaram o time no ataque pelas pontas, já que suas colegas opostas, Joyce e Rosamaria, deixaram muito a desejar. Com a Joyce, o problema parecia falta de timing com as levantadoras; com a Rosamaria, falta de potência. Ambas, inexplicavelmente, tentavam demais explorar o baixo bloqueio japonês – o que resultava em bolas passando reto para fora.

Gostei da participação da Macris na segunda partida. Mostrou-se muito segura e à vontade. Criatividade não é o forte dela, mas é difícil vê-la errar na precisão. Claro que precisa ser testada em “jogos de verdade”, mas o comportamento dela nesta primeira partida é um belo ponto a seu favor.

Apesar de não ter sido nada de extraordinário, gostei também da atuação da Bárbara nestes dois jogos do final de semana – o que só reforçou a minha preferência por ela jogando como meio de rede. Fez-se presente no bloqueio e no saque. 
 
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Agora, por mais que o Marco Freitas, comentarista do Sportv, quisesse fazer crer o contrário, a maior parte do elenco ali presente não tem condições de enfrentar desafios internacionais. As jogadoras vão ser úteis nesta temporada na qual a seleção tem competições simultâneas e precisa de um elenco mais amplo. Ou seja, completam bem um grupo, nada mais.

O comentarista, sempre exagerado, acha que, nestes amistosos, estamos mostrando ao Japão como nosso país é rico em talentos. Eu li de outra forma. Acho que ficou evidente que há uma diferença grande entre estas que entraram em quadra e as reservas da seleção atual (nem comparo com as titulares). Não é nem questão de falta de rodagem internacional, mas de potencial mesmo. Nenhuma salta aos olhos. 
 
Podem crescer com os treinamentos e com os jogos internacionais, mas nenhuma nos faz respirar aliviados de que estamos no caminho certo e de que teremos substitutos à altura de Sheilla, Jaque e Cia. Então, devagar com o andor.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Pronto para conquistar a SL 15/16?

O Molico/Osasco anunciou a contratação da oposto belga Lise Van Hecke.

Não costumo me deslumbrar com reforços estrangeiros, mas acho que a contratação da belga coloca o Osasco um nível acima dos demais em termos de elenco. Com 22 anos, Lise faz parte desta nova e talentosa geração de vôlei da Bélgica e é uma bela carregadora de piano. Ou seja, é um tipo de jogadora rara no cenário brasileiro. E, apesar de jovem, tem uma relativa experiência internacional em times e na seleção.Pode aguentar bem o tranco da responsabilidade de ter que fazer a diferença, ainda mais tendo Carcaces e Thaísa ao seu lado.

A contratação é um alívio para os torcedores do Molico que imaginavam que, para superar o Rexona, teriam que depender, mais uma vez, da Ivna. Com Lise, Carcaces e Thaisa o time fica com uma munição muito forte e sem times concorrentes à altura neste quesito. Além disso, com a Suelle, o Osasco não deve sofrer do mesmo problema da temporada passada e as bolas devem chegar mais bem preparadas para o trio principal de ataque. 


Resumindo, o Molico chega bem mais equilibrado para a disputa da Superliga 15/16. Se no seu comando não estivesse o Luizomar – que transforma qualquer elenco campeão em time medíocre - e, no comando do seu principal rival não estivesse o Bernardinho – que transformar qualquer elenco medíocre em campeão -, seria capaz de cravar agora que o título da SL 15/16 iria para o Molico. 

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A verdade é que, no papel, o elenco do Molico destoa dos demais times para a próxima temporada. Afinal, elas podem não render o esperado Com Sheilla e Garay fora do Brasil e sem nenhum outro grande reforço estrangeiro, o campeonato brasileiro tende a ficar ainda mais fraco em competitividade e equilíbrio. Com exceção do Rexona, que, como sabemos, pode equilibrar uma disputa mesmo com um elenco com menos investimento, as demais equipes devem penar para fazer frente ao Molico.

Acho que vai ser difícil, na SL 15/16, cogitarmos a possibilidade de que algum outro time abale a hegemonia Rexona-Molico. Mais do que nunca veremos um filme do qual já sabemos o final. 

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Sobre meninas e líderes

Não gosto de ficar dando audiência para coisas que são publicadas só para causarem polêmica, mas sobre esta, não resisti. O Bruno Voloch desencavou a Karin Rodrigues e resolveu pegar a opinião da ex-jogadora da seleção sobre a despedida da Fofão. Ela não falou nada além do óbvio e o blogueiro, que não é nada burro, tentou focar o assunto no que sempre causa audiência: a comparação entre Fofão e Fernanda Venturini.

O que me interessa comentar, no entanto, não são as opiniões, mas sim sobre a dona delas.

Karin não passa de uma invenção criada por ela mesma. Invenção de liderança, de referência no vôlei feminino, de musa. Ela, muito oportunista, aproveitou a debandada das jogadoras da seleção - essas sim, importantes - naquele rolo com o Marco Aurélio Mota entre 2001 e 2002 para alavancar a carreira.

Por ser a jogadora mais experiente na seleção composta por novatas, acabou virando a capitã. Com um belo trabalho de marketing, plantou pelos meios de informação que era a nova musa da seleção (eleição feita por ela mesma). Aí ela aparecia, cá e lá, dando entrevistas, falando da sua beleza (?), da sua liderança na equipe ou comentando temas polêmicos. Como vocês podem ver, Karin meio que inaugurou essa coisa de subcelebridade.

Foi só o Marco Aurélio cair para a casa dela cair junto. Ninguém mais lembrou dela.

Karin Rodrigues é um belo exemplo do que falei no post passado. Não se é líder e referência no esporte por que se quer ou porque se tem o trabalho de uma assessoria. Ela não é mais lembrada hoje porque não foi nada disso que ela quis fazer acreditar na época. 


Lembrar a história dela é reforçar o vazio que a Fofão deixa no vôlei brasileiro com sua aposentadoria. Não chegaria ao extremo de dizer que as aspirantes a líderes de hoje são do mesmo tipo da Karin, mas também estão longe de ser o que foi a Fofão.

domingo, 24 de maio de 2015

Obrigado, Fofão!



Infelizmente, tivemos que dizer adeus à estrela mais brilhante e, ao mesmo tempo, mais discreta das quadras brasileiras. Fofão despediu-se das quadras e, junto com ela, despede-se parte importantíssima da história do vôlei feminino nacional.

Fofão era a única representante ainda em quadra daquele grupo de jogadoras que começou a transformar o Brasil em uma verdadeira potência do vôlei mundial no início dos anos 90. E ela foi a única jogadora que esteve no início e no auge desta trajetória vitoriosa brasileira, com a conquista da medalha de ouro olímpica em 2008.

Em Pequim, Fofão representava Ana Moser, Virna, Venturini, Leila, Márcia Fu e outros nomes que colocaram o Brasil no cenário internacional do vôlei. Neste domingo, a despedida da levantadora foi também a desta era.

Fofão leva consigo parte essencial da história do vôlei feminino brasileiro, portanto. Uma parte da história que a mim, particularmente, é muito especial. Foi lá pelos anos 90 que comecei a acompanhar o vôlei feminino. Por isso, não é fácil dizer adeus ao que restava de vivo desta história.

Ainda bem que foi ela, desta geração dos anos 90, que permaneceu durante todo este tempo na ativa, podendo influenciar positivamente as gerações que vieram a seguir. Fofão foi um exemplo de que é possível ser craque e ser humilde. Ser um diferencial e ser agregadora de grupo. Ser líder e ser discreta. Ser exemplo e ser aprendiz. 


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A saída da Fofão faz-nos, inevitavelmente, fechar uma porta e encarar a realidade e o futuro do vôlei brasileiro. Acho que o vôlei fica órfão. Não se perde somente uma jogadora talentosa, mas uma referência em comportamento e liderança.

Fofão é um espécime raro no esporte, assim como a Ana Moser. Pessoas que podem dar exemplo pela qualidade do seu trabalho, mas também - e principalmente - pela sua postura. São atletas, portanto. Pessoas que inspiram e ensinam através de gerações e que transcendem as quadras.

Que jogadoras temos, atualmente, que aliem currículo, talento e perfil que sirvam de exemplo para as gerações mais novas? Que jogadoras podem ser referência naturais, como são Fofão e Ana Moser, sem a forçação de barra de assessorias de imprensa e de marketing? Que jogadoras teriam o prestígio de reunir tantos colegas e ex-colegas na sua despedida e ser parte especial da carreira de todos eles? 


Acho que, por enquanto, o vôlei feminino brasileiro fica sem guia. 


Tomara que a Fofão, ao menos, continue trabalhando com o vôlei, ajudando a manter no topo o esporte que ela colaborou a alavancar.

domingo, 10 de maio de 2015

Nem o bronze

 
Rexona 0x3 Volero Zurich

Cansado. Pesado. Tenso.

Acho que estes adjetivos resumem o desempenho do Rexona na disputa do terceiro lugar contra o Volero.

Pouco ou quase nada funcionou adequadamente na partida de hoje - reflexo de que o Rexona jogou no seu limite na semifinal e não conseguiu se recuperar a tempo.O time parecia sem pernas, sem potência, sem paciência. Não conseguia sustentar com tranquilidade as trocas de bolas sem cometer erros.

O saque foi pouco agressivo e o ataque, novamente, pouco eficiente. A entrada da Roberta deu mais agilidade ao time no terceiro set, porém não foi o suficiente. As suas atacantes estiveram com a mão mal calibrada. Animicamente também o time não estava bem. Assim como contra o Dinamo, as jogadoras demonstravam estarem tensas e travadas.

Com o passe na mão, Thompson deixou o bloqueio carioca sempre atrasado. A Rykhliuk foi a maior pontuadora da partida, mas quem deu trabalho e não conseguiu ser parada pela marcação do Rexona desta vez foi Rabadzhieva.

Uma pena que o Rexona e, principalmente, a Fofão tenham que se despedir do Mundial sem uma medalha e se apresentando mal. O time tinha condições de bater o Volero, mas sentiu o peso do esforço do dia anterior. Tentou ir além dos seus limites, mas não teve qualidade nem elenco que sustentassem este tipo de jogo num nível competitivo o suficiente para bater os europeus.

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Eczacibasi 3x1 Dinamo Krasnodar

Justíssimo título mundial da equipe turca. Mostrou por duas vezes na competição ser mais time que o Dinamo.

O Eczacibasi tem muito mais recursos do que o Dinamo. Com um bom passe, a levantadora Asuman fez uma ótima distribuição entre as sua ponteiras. O bloqueio russo, de novo, dançou na marcação.

Para surpresa de todos, nem o ataque do Dinamo funcionou bem. Kosheleva poderia ter tido esta atuação apagada contra o Rexona. O aproveitamento dela foi ridículo, assim como o da Garay. A brasileira, ao menos, virou bolas importantes juntamente com a Calderón, no set da vitória russa.

Mérito também do sistema defensivo turco, muito bem postado e atento ao ataque do Dinamo. No bloqueio, Maja Poljak anulou a Kosheleva. Acho que aqui temos aquele tipo de confronto que o estilo de um encaixa com o de outro. No caso, o Eczacibasi leva a melhor. O Dinamo se perde ao enfrentá-lo: seu ataque não consegue transpor a boa marcação turca e tampouco sabe se defender do arsenal adversário. 
 
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E, assim, o Mundial se despede, pela primeira vez desde 2010, sem um clube brasileiro no pódio. 
 

sábado, 9 de maio de 2015

A situação ficou "russa"


Rexona 1x3 Dinamo Kosheleva

É, não deu para o Rexona.

O time brasileiro lutou, fez uma partida equilibrada contra o Dinamo Krasnodar, mas o sonhado título Mundial parou em dois obstáculos.

O primeiro, a atacante Kosheleva. O elenco do time russo até pode encher os olhos, mas, na quadra, quem até agora fez diferença neste Mundial foi ela.

O segundo obstáculo, foi a própria limitação do Rexona no ataque. As cariocas não ficaram atrás das russas no número de pontos neste fundamento, mas perderam no aproveitamento, principalmente dos contra-ataques. 
 
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O Rexona fez sua parte no sistema defensivo, mas não teve competência suficiente para aproveitar as oportunidades que construiu. Percebeu-se claramente isso na dificuldade brasileira em pontuar. O esforço envolvido para conquistar um ponto era muito maior por parte do Rexona do que do Dinamo.

Isso porque, quando a situação apertava, o Dinamo tinha a Kosheleva para resolver. Fabíola, como sempre muito prática e objetiva, não hesitava em dar a bola para quem virava. 
 
O Rexona, por sua vez, na mesma situação, não contou com uma bola de segurança. Natália foi, durante boa parte da partida, o principal nome no ataque, mas caiu de rendimento na parte final. Gabi teve muitas dificuldades em pontuar e desperdiçou bolas importantes para o Rexona. Senti falta também, por parte dela, do uso da habilidade para explorar o bloqueio. Já a Régis... foi a Régis. Como previa, a falta de uma oposto de verdade pesou.

Além disso, o Rexona deu quase o dobro em número de erros ao time russo – muitos em ataque. Não é preciso ser nenhum gênio para saber que falhas assim decidem disputas equilibradas. 

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O Rexona se despede do sonho do título inédito do Mundial de cabeça em pé. A diferença de qualidade dos jogos entre a Superliga e o Mundial é, claro, enorme, mesmo se considerando as partidas que envolveram os segundo e terceiro lugares da competição nacional. Mas o Rexona provou que tinha ainda mais a oferecer depois da SL e cresceu de rendimento à medida que o nível do desafio foi maior. Só que há diferenças individuais difíceis de serem superadas e que acabaram pesando na desclassificação.

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O Rexona volta a enfrentar o Volero Zurich no Mundial, agora na disputa pelo terceiro lugar. Guardada às devidas proporções, o Volero tem um estilo de jogo parecido com o Dinamo. Ou seja, tem uma jogadora, a Rykhliuk, que é a principal via de saída no ataque.

O Rexona tem mais repertório de ataque e de fundamentos para fazer a diferença a seu favor. Tomara que ponha esta superioridade em prática para que a despedida oficial das quadras da Fofão seja premiada. 

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Já o Dinamo pega na final o turco Eczacibasi, que venceu o Volero Zurich na semifinal por 3x1. O Eczacibasi é mais técnico, o Dinamo mais força e altura. Certamente vamos ter um confronto bem mais equilibrado que o da primeira fase no qual o time russo não rendeu.

Para termos este equilíbrio, o Dinamo precisa ser mais eficiente na marcação. Isso será fundamental porque o time turco tem a vantagem de ter uma distribuição de jogo mais equilibrada, contando, normalmente, com o bom desempenho de pelo menos duas das suas atacantes pelas pontas, além de utilizar mais as centrais. O Dinamo é mais dependente do desempenho da Kosheleva. Só que se ela estiver inspirada, como vimos contra o Rexona, é meio caminho andado para a vitória.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

As russas no caminho para a final



Rexona 3x0 Mirador

O Rexona se classificou para as semifinais do Mundial sem qualquer dificuldade. O maior desafio do time foi manter a concentração e o bom nível de jogo mesmo com as reservas que entraram no decorrer da partida. E ele conseguiu sem grandes obstáculos.

O Mirador até que tentou tornar o jogo mais competitivo apresentando um bom volume de jogo, mas o surpreendente baixo aproveitamento do ataque comprometeu. O desempenho ofensivo só melhorou no terceiro set, com algumas substituições, mas não foi suficiente para bater as reservas cariocas. 
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Dinamo Krasnodar 3x1Hisamitsu
 
Agora o Rexona pega o Dinamo Krasnodar, que venceu o Hisamitsu com o placar limite que precisava para se classificar para as semi. Na verdade, a parada poderia ter sido decidida em três sets se o time russo não tivesse – como fez na estreia – entregue o primeiro set cometendo erros bem no momento de fechar a parcial.

O Dinamo se apresentou melhor do que na estreia – ainda bem. Ao menos, fez prevalecer seu bloqueio e ataque contra o baixo time japonês.

O Hisamitsu perdeu, ao longo da partida, o seu ritmo mais veloz de jogo mesmo quando não apresentava problemas no passe. Ele meio que emulou a cadência pesada e lenta do adversário, só que sem a mesma competência no ataque – o que só ajudou o bloqueio e a defesa do Dinamo.

Definitivamente, este é o principal cuidado que o Rexona tem que ter no confronto de semifinal. Perder a velocidade e a agilidade - o seus diferenciais - é tornar seu ataque presa fácil para as russas.

Em compensação, o Dinamo é bastante previsível. Quando o passe chega mais adequado, até que a Fabíola consegue acelerar um pouco e sair da Kosheleva-dependência. A Garay só vira quando é bola mais veloz. Ela está sem explosão, lembrando muito a sua atuação no Mundial de seleções de 2014.

Acho que o Rexona consegue parar o ataque russo – seja no bloqueio ou no ataque. Resta saber se conseguirá manter uma regularidade nas viradas de bola e um bom aproveitamento nos contra-ataques para conquistar a vaga na final.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

No suor e na defesa

Rexona 3x1 Volero Zurich

Depois de muito suor e disputas que ultrapassaram os 25 pontos, o Rexona conquistou a vitória na estreia do Mundial.

O time carioca teve que bater uma equipe com um ótimo ataque. Rykhliuk demorou para entrar na partida, mas quando entrou, foi difícil de pará-la. Não foi fácil para o Rexona se manter no mesmo nível de aproveitamento nas viradas de bola e contra-ataques do Volero. Ainda mais com Natália apagada e Gabi bem marcada. Surpreendentemente, a Régis foi a melhor atacante carioca e a melhor opção nas bolas de segurança. Drussyla também entrou bem substituindo a Natália.

Mas não seria pelo ataque que o Rexona iria bater o Volero, mas sim pelo desempenho da sua defesa. E, nisto, o time não decepcionou. Fabizinha deu show mais uma vez. O bloqueio não teve dificuldades em ler as jogadas da Thompson, mas, sim, em acertar o tempo de entrada. Assim, mesmo chegando inteiro, não aproveitou toda as oportunidades que teve em parar as atacantes adversárias. Mas, definitivamente, o Rexona foi superior na parte defensiva. 
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Agora, apesar das dificuldades impostas pela qualidade do ataque suíço, não se pode esquecer que muito dos momentos complicados vividos no primeiro, terceiro e quarto sets foram provocados pelo próprio Rexona. Isso porque a equipe proporcionou a recuperação do Volero nos sets cometendo sequências de erros. Os de saque, então, foram os preferidos do time.

O Rexona também caiu de rendimento com a perda de fôlego da Fofão. Nos dois primeiros sets, a levantadora conseguiu movimentar mais o ataque carioca, explorando as bolas com as centrais e acelerando os contra-ataques. Depois, ela diminuiu o ritmo e o ataque ficou mais marcado e óbvio. 

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O Rexona que vimos na estreia não foi diferente daquele da Superliga, suas virtudes e defeitos foram os mesmos. Mas reforço novamente o mérito carioca em conseguir equilibrar a disputa nos pontos de ataque contra uma equipe que, assim como as demais europeias, baseia muito o seu jogo no aproveitamento deste fundamento.

Não que o Rexona não tenha arsenal para tanto, mas é um tipo de jogo que ele não enfrentava na SL. Em quatro sets, cada equipe fez 70 pontos de ataque. Acho que nem indo para o tie-break algum time brasileiro fez tantos pontos assim numa partida.

Assim, com mais repertório e qualidade em outros fundamentos, o Rexona desequilibrou o jogo a seu favor. 

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Só um pê ésse sobre esta partida: foi o encontro dos treinadores de comportamentos mais opostos do cenário internacional. Deus deve ter tirado toda a expressividade do holandês Selinger e dado ao Bernardinho.

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Eczacibasi 3x0 Dinamo Krasnodar
 
É, vocês têm razão. Nenhum dos times do grupo B é um bicho de sete cabeças. Ao menos, foi o que se viu na partida de hoje.

Certamente não era este placar que se imaginava entre os “fodões” da outra chave. A verdade é que, mesmo necessitando de uma vitória depois de ter perdido na estreia para o japonês Hisamitsu, o turco Eczacibasi não precisou de suar sangue para vencer o Dinamo Krasnodar.

Não sei se foi somente um dia ruim, mas o time russo foi uma vergonha. É compreensível a falta de agilidade russa na defesa e nas coberturas de ataque e bloqueio. Mas não dá para entender como um time com a estatura e a origem que tem ser tão fraco no bloqueio.

Pior ainda, não dá pra entender como um elenco de atacantes de ponta forme uma equipe com tão pouco poder de definição. O Dinamo Krasnodar amarelou nos finais do set.

Enquanto isso, o Eczacibasi mostrou ser muito mais ágil e forte defensivamente. E nem precisou recorrer às estrangeiras. As jogadoras de casa Neslihan e Gözde deram conta do ataque e ofuscaram a já apagada Larson.

O Dinamo Krasnodar agora vai decidir a vaga com o Hisamitsu. Ou seja: ataque vs defesa. Só que o time japonês tem boas saídas para equilibrar o ataque com a Mihajlovic e a Ishii, maiores pontuadoras na partida contra o time turco. Vamos ver quem leva a melhor. 

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Mercado 15/16

- Durante a transmissão, anunciaram que a levantadora Thompson irá defender o Rexona na próxima temporada. Nada de apostar na Roberta, então. Thompson vai manter a deficiência do time na altura (tem só 1,70m), mas pode compensar com habilidade. Entre as estrangeiras, certamente é uma das que melhor pode entender e se adaptar ao estilo de jogo brasileiro.