sexta-feira, 27 de março de 2015

Minas de volta ao top 4


Dentil/Praia Clube 0x3 Camponesa/Minas

Talvez o 3x0 e os placares desta partida não façam a perfeita justiça ao embate entre Minas e Praia Clube. Mas não há como negar que o resultado final da disputa de quarta-de-final tenha sido o mais justo. 

Finalmente, o Minas fez valer a sua superioridade técnica e tática sem ser atrapalhado por seus próprios erros. Quase deixou que isso acontece no segundo set, é verdade. Nos demais, no entanto, o time surpreendeu pela tranquilidade nos pontos finais e não deu brecha para qualquer recuperação do Praia.

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O Praia, desta vez, não teve tanta ajuda do Minas e tampouco se ajudou. Quando apostei que o time de Uberlândia levava esta série - ainda que com pouca convicção – foi porque acreditava que a força das individualidades pudesse compensar o fraco conjunto. 

Só que foi exatamente as individualidades que comprometeram o desempenho do Praia e deixaram fugir as poucas oportunidades de reação da partida. Aí incluo erros de ataque de Ramirez, Tandara e Natasha, dois toques de Ju Carrijo e bobeadas de uma ou outra na defesa. Erros que pesaram demais num time que é e esteve tão pouco consistente no jogo de hoje.

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O Minas parte agora para uma missão quase impossível: tirar o Rexona da final. A vantagem é que, nas semifinais, as mineiras podem entrar em quadra sem qualquer obrigação, afinal, já fizeram a sua parte. Quem sabe assim, sem tanta pressão e ansiedade, consigam segurar os erros e fazer uma série equilibrada contra o favorito.

O Praia, por sua vez, deixa a competição como uma das grandes decepções da temporada. Não só pelo fato de ter, novamente, caído nas quartas de finais, mas pelo o que não rendeu. Se nos anos passados faltou ao Praia um elenco mais forte, neste ano, faltou treinador. 

O Picinin pode reclamar das contusões, da dificuldade de ter duas grávidas no elenco, mas a verdade é que ele não conseguiu fazer um conjunto sólido e organizado que se apresentasse ao menos duas vezes consecutivas de forma convincente. A impressão que o Praia deu durante toda a competição é que, independentemente da escalação, as vitórias vinham mais pelo o acaso e pela fraqueza do adversário do que pelo merecimento.

O Praia sempre contou com patrocinadores dispostos a investir em nomes de peso e espero que o resultado abaixo do esperado não os tenha feito desistir do projeto. Desejo também que, na temporada que vem, o clube consiga acertar o equilíbrio entre elenco e treinador e dar um grande motivo para a já fiel torcida de Uberlândia comemorar.

quinta-feira, 26 de março de 2015

No susto, a classificação


Brasília 1x3 Sesi

Quase que o Brasília comete o crime. Vocês podem até contestar: não terá sido o Sesi que quase entrega a partida? Também. A verdade é que não se pode tirar o mérito e o desmérito de nenhuma das equipes para explicar o que foi este segundo confronto das quartas-de-final.

No post sobre o primeiro jogo, tinha dito que o Sesi teria que cuidar para ele próprio não abrir um caminho o qual o Brasília, sozinho, não seria capaz de abrir. Mas foi exatamente isto que o Sesi fez: abusou dos erros. Seu ataque demorou para funcionar, independentemente de quem estava em quadra.

Para azar do Talmo, a Monique não ficou à disposição exatamente na partida em que a Bárbara não acertou uma. O bloqueio também não conseguia compensar o mau aproveitamento do ataque, ora sendo “driblado” pela habilidosa levantadora Ananda (que foi bem melhor que a titular Priscila Heldes) ora sendo explorado pelas atacantes adversárias.


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E qual o mérito do Brasília nesta história toda? Ter feito três sets, de quatro totais, muito bons, segurando os erros (um grande avanço para uma das campeãs neste quesito na SL) e jogando no limite de suas capacidades. Não foi mais longe na partida porque realmente não tinha de onde tirar mais.

O Brasília jogou melhor defensivamente - no bloqueio ou aproveitando os contra-ataques. Na virada de bola, teve mais dificuldade. Por isso, a boa sequência de saques da Bia no terceiro set foi decisiva para o resultado final da partida. Ali, o Brasília, sem conseguir virar, recuou, e o Sesi, como consequência, começou a recuperar sua confiança de favorito.

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Observação curiosa: vocês repararam que a história deste jogo foi praticamente a mesma de Rexona vs São Caetano, na segunda-feira? Ai, esses líderes... 

Se a minha preocupação com o Rexona é a queda de rendimento geral, com o Sesi é estas panes que, volta e meia, assolam o time. Não é preciso ser nenhum gênio para saber que apagões deste gênero nas semifinais vão acabar em derrota. Sorte que, do outro lado da quadra, estará o Molico, um outro “dorminhoco” ocasional.

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No fim, pelo que foi a maior parte da fase classificatória, acho até que o Brasília se despediu da SL de cabeça erguida, melhor do que imaginávamos. Não sou muito fã do Sérgio Negrão, mas acho difícil que outro treinador tivesse conseguido melhor resultado final. Talvez montasse um time mais organizado, mas iria se deparar com um problema que independe de treinamento: a falta de poder ofensivo do elenco.

Infelizmente, este é um apelo que temos que fazer todo o ano: espero que o Brasília continue com patrocínios para a próxima temporada. É nítido o envolvimento da torcida com a equipe e é tão bacana quando vemos isso em clubes que não são os tradicionais Osasco e Rio. 

Claro que o ideal seria que tivéssemos uma equipe com chances reais de brigar pelo título, mas, sinceramente, este é um sonho que cansei de perseguir. Já fico contente se o Brasília conseguir montar um time mais competitivo, do tipo do Pinheiros, por exemplo.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Artilharia decisiva


Pinheiros 2x3 Molico/Osasco

Ganhou quem que teve maior poder de definição. O Molico teve, com Thaisa e Carcaces pontuando com constância, a segurança necessária para levar este play-off.

O Pinheiros foi batido pela péssima qualidade da sua linha de recepção, que impediu que a Macris jogasse com a velocidade necessária para quebrar o alto e bom bloqueio do Osasco. Assim, o ataque teve muita dificuldade de virar de primeira. O esforço do Pinheiros para colocar a bola no chão era 10 vezes maior do que o das adversárias.

Por isso não entendi o Wagão ter mantido a Rosamaria como titular durante toda a partida. Ela foi bem somente no primeiro set, depois perdeu a potência. Sempre quando a Renatinha entrou nas inversões, rendeu muito bem. O treinador deveria ter começado com ela no quarto set. 
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Acho também que faltou ao Pinheiros uma tática de saque mais agressiva. Se percebi bem, elas miraram na Gabi, que entrou bem e segura na partida no lugar da Samara. Não entendi porque não buscaram mais a Carcaces. Há que se destacar que o Molico blindou a cubana em certas passagens no fundo de quadra, com Brait e Gabi a protegendo. Mas ainda acho que o Pinheiros não soube se aproveitar da principal fragilidade do Osasco.

Mesmo quando conseguiu recuperar as desvantagens do terceiro e quinto sets, o mérito não esteve exatamente no seu saque. Para mim, nestas ocasiões, a dificuldade foi do Osasco, mais especificamente da Dani Lins, em insistir com jogadas previsíveis e marcadas e não usar todo o repertório que o time tinha a seu favor. 

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Sei que o Osasco errou demais - sobretudo no saque, facilitando a vida do Pinheiros justamente quando ele tinha que lidar com sua pouco efetiva virada de bola - e tomou sequências de pontos que quase lhe custaram a classificação. Mas, de forma geral, gostei da atuação do time.

Gostei da consistência na recepção, da postura agressiva do time no tie-break quando o caldo engrossou e do aproveitamento do ataque. A inversão 5x1 também tem funcionado bem, principalmente a entrada da Mari, que tem sido uma arma importante para mudar as configurações da partida em determinados momentos.

Acho que conseguir a classificação num jogo difícil e tenso como foi contra o Pinheiros, torna o Osasco mais cascudo e confiante para o confronto das semifinais. Veremos.

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Lamento final

É uma pena que o confronto não tenha ido para o terceiro jogo. Antes que os torcedores do Osasco me acusem de secadora, confesso: sou uma simpatizante do Pinheiros, da sua capacidade de recuperação e de complicar a vida dos favoritos. Fora que queria um pouco mais de emoção nestas quartas-de-final. 


De qualquer forma, o Pinheiros tem o que comemorar. Ele nunca é feito para ser um dos protagonistas de uma competição, mas vai sair desta temporada com o título da Copa Brasil e, portanto, à frente de, ao menos, duas equipes importantes e que receberam investimentos maiores do que ele.

Vitória à base de garra, vontade... e dos erros do Minas

 
Camponesa/Minas 2x3 Dentil/Praia Clube

Eu já desisti de tentar entender estas duas equipes. São muito pouco confiáveis, para se dizer a verdade. Não se sabe o que esperar - de bom ou de mau.

O Minas é melhor time: comprova isso na bola, nos números por fundamento e por fazer mais com menos opções de elenco. Afinal, o time não tem sequer uma inversão 5x1 decente - a ponto de até o Picinin observar isso na partida de ontem.

Mas entrega tantos, tantos pontos em erros que dilui esta vantagem em segundos. E, além, disso, carrega os erros para os pontos seguintes. O Minas, como falei no post anterior, é um time ansioso, intranquilo, que perde a lucidez com as pressões do jogo. Ontem, as expressões das jogadoras após os erros no tie-break deixaram bem claro isso.
 
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Falando especificamente do tie-break, acho, também, que houve uma falta de sensibilidade da Naiane (e do Queiroga) de não aproveitar outras opções de ataque. A Mari Paraíba vinha fazendo um bom jogo e foi esquecida. O jogo se concentrou demais na Jaqueline, a bola de segurança, mas ela não correspondeu. Estava bem marcada, pois o Praia sabia que a levantadora iria optar por ela.

Se a Ramirez, no Praia, é o termômetro do time, a Jaqueline assume esta posição no time da capital mineira. Quando ela tropeça, o resto do elenco cai de rendimento junto. E assim foi no tie-break. O início ruim da Jaqueline tirou a confiança das demais jogadoras e o set saiu da mão do Minas.

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O Praia, por sua vez, aos trancos e barrancos, mais na garra do que na técnica, soube se impor na casa do adversário e respondeu muito melhor à pressão. Picinin foi corajoso ao tirar a Tandara da escalação titular e colocar a Sassá. Corajoso por tirar um nome de peso, porque ela realmente não estava rendendo.

Só que ainda tenho dúvidas se é bem esta substituição que o Praia precisa. Ainda vejo o time carente de maior força de ataque e não é a entrada da Natália, sozinha, que vai resolver isso. (aliás, sei que vai parecer que sou do fã-clube da jogadora, mas ainda acho uma bobagem tirar a Letícia Hage). Ramirez está com dificuldades, carregando o time sozinha e alternando bons e maus momentos. E, para potencializar o ataque, no banco só há um nome: Webster.

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Por fim, não posso deixar de comentar o clima quente que este confronto ganhou. Ramirez vs Jaqueline, a boa e velha disputa Cuba e Brasil. Desde que não desande para brigas a la semifinal de Atlanta, traz tempero às quartas-de-final.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Classificado, mas da pior maneira possível


Rexona 3x1 São Cristóvão Saúde/São Caetano 


Sim, o Rexona venceu e se classificou para as semifinais da Superliga, como o esperado. Mas conseguiu isso da maneira mais feia possível. Provavelmente, foi a pior partida que a equipe fez na competição nesta temporada. 

A sorte do Rexona foi que o São Caetano não teve experiência e competência suficientes para aproveitar melhor os inúmeros contra-ataques proporcionados pelos ataques à meia-força da equipe carioca. Nunca vi o trio de atacantes do Rio segurar tanto o braço. Com um pouco menos de erros e desperdícios, o Sanca tinha levado facilmente a partida para o tie-break.

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A atuação do Rexona no segundo e terceiro sets pode ter tido uma pitada de azar, aquele dia que não dá nada certo. Mas não foi somente isso. Faz tempo que o time tem oscilado demais durante as partidas e hoje foi mais uma delas.

E já venho comentando há algum tempo e vou repetir: o rendimento do ataque carioca está caindo. O que era o principal diferencial da equipe está se perdendo. Antes, Gabi e Natália formavam a dupla de ataque mais forte da SL (nesta segunda, levaram um banho de outra dupla, Thaisinha e Paula). Agora, é raro ver as duas atuando bem na mesma partida.

Nem é preciso dizer que este é o momento mais inadequado para o desempenho do Rexona vacilar. Quanto mais se aproxima da final, mais problemas apresenta em quadra. Não que o time tenha perdido as condições de título – ainda é o favorito para isso. Só que o caminho está cada vez mais difícil porque a diferença entre ele e os demais diminui a cada rodada. 

domingo, 22 de março de 2015

Sesi sem barreiras


Sesi 3x0 Brasília (1ª partida das quartas de final)


Com a exceção de algumas sequências de saques que complicaram a sua recepção, o Sesi não encontrou obstáculos para vencer o Brasília. Das vezes que a se deparou com o problema no passe e a rede trancou, a inversão 5x1 deu, como sempre, conta do recado. 

O Brasília teve um desempenho pífio no ataque e não conseguiu compensar o problema com um sistema defensivo bom. O volume de jogo que o time da capital federal tinha ganhado com a formação com a Érika e a Michelle nas pontas se perdeu depois da contusão da primeira. O bloqueio, mesmo muitas vezes chegando montado, também foi facilmente ultrapassado. 

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O Sesi teve uma estratégia interessante no saque de mirar a Michelle. Poderia ter dado errado, já que a gêmea Pavão é a melhor passadora do time e o Brasília tem fortes atacantes, principalmente a Roberta, no meio. Mas a estratégia deu certo. A Michelle é uma importante atacante do Brasília e, pressionada, tanto no ataque quanto na recepção, caiu de rendimento.

O Brasília não conseguiu manter por tempo suficiente um ritmo de jogo capaz de incomodar o Sesi no placar. Sempre que mostrava sinais de recuperação, logo cometia uma série de erros que devolvia o comando da partida às donas de casa. E acredito que o mesmo deva se repetir no segundo confronto. Ao Sesi, cabe fazer o que fez hoje: controlar os seus erros e não desperdiçar ataques. Ou seja, não abrir caminhos que o Brasília não consiga abrir por conta própria.

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Pê ésse:

- Ao ver, durante a transmissão do jogo, a Paula Pequeno na arquibancada "curtindo" mais uma lesão, me dei conta da temporada infeliz da jogadora. Não só pelas lesões, mas pelo nível técnico que apresentou nas poucas oportunidades que esteve em quadra. Desde a Olimpíada de Londres, ela está numa trajetória descendente, o que, pela idade e histórico de contusões, é até natural. Mas é uma pena que ela não consiga dar nenhuma contribuição ao time, como fazem Elisângela e Mari, por exemplo. Especialmente para o Brasília, que tem um elenco pobre. 

sábado, 21 de março de 2015

Dois Osasco em um jogo


Molico/Osasco 3x0 Pinheiros (1ª partida das quartas)

O Pinheiros demorou tanto a engrenar na partida que tornou a disputa bem menos interessante do que poderia ser. 

O time da capital paulista mal deu as caras no primeiro e segundo sets, muito por causa da dificuldade absurda em pontuar no ataque. Para enfrentar o forte bloqueio do Molico, a Ellen precisava de velocidade nas bolas, o que a Macris não conseguiu dar. E a responsável por atacar as bolas de segurança, a Rosamaria, estava totalmente sem potência no ataque.

O saque do Pinheiros, então, era um presente para a recepção do Osasco, que jogou tranquilo, tranquilo nos dois primeiros sets. A Dani Lins jogou muito à vontade e as atacantes pontuaram fácil. Sem ser muito exigido, o Osasco fez bem sua parte, mantendo-se concentrado na marcação e não desperdiçando ataques. 

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Mas o verdadeiro teste ainda estava por vir no terceiro set e, nele, o Molico quase foi reprovado. Quando o Pinheiros finalmente acordou para a partida, o pior lado do Osasco também veio à tona. Aí se viu um maior número de erros, maior dificuldade no passe e no ataque e uma e outra atrapalhada na defesa. 

Para sorte do Osasco, desta vez, o banco fez a diferença a seu favor. A inversão 5x1 ao final do terceiro set foi decisiva enquanto a do Pinheiros, feita na mesma altura, um desastre. A Mari virou o set para o Osasco, que fechou a partida graças também ao forte bloqueio da Adenízia.

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No geral, acho que o Osasco pode comemorar o fato de ter conseguido utilizar bem todo o seu repertório de ataque e das próprias atacantes estarem mais confiantes. Houve, sem dúvida, uma evolução neste sentido. Ao mesmo tempo, alguns fatores ainda nos deixam com o pé atrás em relação ao futuro do time. O Osasco continua cometendo muitos erros e mostrando certo descontrole quando é pressionado. 

A gente sabe que o Pinheiros, mesmo não estando 100%, pode complicar muito mais a vida do Osasco. O terceiro set está mais próximo da realidade do que os dois primeiros e, nele, o Osasco não respondeu tão bem. Isso é o que preocupa. Porque acho difícil o Osasco não conseguir a classificação, mas se não sair deste confronto mostrando mais consistência, vai rodar fácil nas semifinais.

Quase que o Minas entrega...


Dentil/Praia Clube 2x3 Camponesa/Minas (1ª partida das quartas de final)


Não foi um confronto dos mais técnicos tampouco envolveu as equipes mais equilibradas da competição. Por isso, vimos tantos altos e baixos e vai e vens durante a partida. Mas se pode dizer que o Minas, de forma geral, teve melhor desempenho e foi mais consistente nos fundamentos.

Ainda assim, isso não o livrou de quase entregar o jogo ao Praia por tantos erros bobos que cometeu (o que foram aqueles inúmeros dois toques?) e pela pane (que não foi a primeira na competição) no quarto set, perdendo a vantagem de dez pontos que havia conquistado. 

Percebe-se que falta ao Minas maturidade e tranquilidade em certos momentos da partida. O time é envolvido no embalo da outra equipe e perde a lucidez nas jogadas. Não é falta de qualidade, é uma ansiedade que desfoca as jogadoras.

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O Praia jogou muito abaixo do que pode no ataque. Isso porque seu termômetro, a Ramirez, esteve numa jornada pouco inspirada e a Tandara não cobriu este papel. O Minas, ainda que bastante dependente da Jaqueline nos momentos de aperto, teve um repertório mais variado do que o Praia, que só ganhou reforço neste aspecto com, primeiro, a entrada da Natália no meio, e depois, com a Webster no quarto set. 

É engraçado que o melhor momento da equipe de Uberlândia tenha sido quando mais da metade do seu time titular estava no banco (Tandara, Karine, Ramirez e Letícia Hage). As substitutas renderam bem e quase mudaram a história do jogo. Só não conseguiram porque o Minas colocou a cabeça no lugar no tie-break e o ataque delas, mais uma vez, apresentou dificuldades. Aí não entendo porque o Picinin não trouxe de volta à quadra a Ramirez no lugar da Sassá, que começou a ser marcada. 


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Enfim, o trabalho do Praia para a próxima partida é dobrado. Primeiro, vai precisar fazer bem a sua parte no ataque. Segundo, vai precisar ter uma marcação mais atenta ao Minas. E não digo nem em pontuação do bloqueio, mas em rebotes e defesa. A Carla, por exemplo, não pode ter a facilidade que teve nos primeiros sets em pontuar. O Praia não soube anular o ataque adversário. 

Ao Minas, cabe saber aproveitar a vantagem que construiu. Mesmo vindo de uma forma mais complicada do que deveria, a vitória fora de casa foi um grande feito e coloca uma pressão enorme sobre o Praia. Minha dúvida é se o time do Queiroga será matreiro o suficiente para saber explorar isto no adversário e não, como já aconteceu, virar a vantagem contra si.

O enredo de sempre


São Cristóvão Saúde/São Caetano 0x3 Rexona (1ª partida quartas de final)


A vitória do Rexona contra o São Caetano seguiu o enredo das outras 23 do time na Superliga. Sempre há um momento que o time carioca se enrola nos próprios erros, principalmente na recepção e no ataque, e perde a liderança no placar. Depois de umas broncas do Bernardinho, se estabiliza, o bloqueio entra forte e a equipe traz o comando do jogo de volta para si.

Imaginei que o Sanca, por conta própria, pudesse dar mais trabalho ao Rexona. Não foi isso que aconteceu. Apesar de, no primeiro set, ter tido um ótimo volume de jogo – o que levou a Jucy, com 6 pontos de bloqueio praticamente ganhar o set sozinha para o Rexona - , o Sanca teve dificuldades na sua virada de bola. Thaisinha ficou muito sobrecarregada e a recepção não ajudou as levantadoras a fazerem uma distribuição mais homogênea.

O saque também não chegou a incomodar o Rexona. Por isso, tivemos uma Régis bastante segura tanto no passe como no ataque. Eu, que achava que o Bernardinho não iria mantê-la no time titular, deslocando a Natália para oposto, quebrei a cara.

Mas ainda não me convenci com esta formação. A Régis fez um bom jogo, sem dúvida, mas como falei, foi pouco exigida. E não acho que esta formação esteja contribuindo ao ataque do Rexona, pelo menos até o momento. Pelo contrário, a equipe parece com mais dificuldade em pontuar neste fundamento. 

Isso pode estar sendo provocado pela fase das jogadoras e a forte marcação que, por exemplo, a Gabi vem sofrendo, e não a formação. Mas a realidade que o maior trunfo do Rexona nesta SL em comparação aos outros times, que era a efetividade de seu ataque, está perdendo força. Ao menos, o time carioca está conseguindo compensar com o bloqueio. Só que o bloqueio é uma arma de muitas outras equipes. A perda de poderio de ataque diminuiu a diferença entre o Rexona e os demais times exatamente na hora mais decisiva da competição.

sábado, 14 de março de 2015

Rodada estranha com partidas esquisitas


Rexona 2x3 Sesi

E lá se foi a primeira fase da Superliga e, com ela, a invencibilidade do Rexona. A primeira derrota do Rio venho numa partida pra dizer, no mínimo, esquisita. Aliás, toda a última rodada da SL foi estranho, é só ver os resultados.

A “esquisitice" da partida entre Rexona e Sesi não esteve, no entanto, no resultado, mas no desempenho das duas equipes. Elas foram capazes de fazer jogadas difíceis e bonitas ao mesmo tempo que nos presenteavam com lances absolutamente ridículos.

O que era mais difícil, elas faziam bem. O mais fácil, se atrapalhavam. Abriam uma vantagem considerável, deixavam o adversário se recuperar. Quando a gente pensava que o set estava definido para uma equipe, vinha a outra e dava sinais de vida. E foi assim, entre mágicas e erros bobos, entre apagões e renascimentos, que a partida se configurou. 


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Outro ponto estranho deste confronto foram as bobeadas nos finais dos primeiros sets do Rexona. Ele, que costuma ser o time que corre atrás e cresce na hora decisiva, foi o que se desestruturou nos momentos de definição.

Acho até que o Rexona é que perdeu a partida, não o Sesi que venceu. O Rio teve os quatro primeiros sets nas mãos e, nos dois primeiros, deu espaço demais para uma equipe que é, reconhecidamente, muito persistente e que tem, assim como ele, cartas no banco que podem mudar o rumo do jogo. 
A incompetência dos primeiros sets cobrou seu preço no tie-break. Carol Albuquerque conseguiu uma sequência muito boa de saques e o Rexona se enrolou no passe, no ataque e ficou preso, novamente, na forte marcação do Sesi.

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No fim, os sets foram vencidos pelo time que soube melhor se defender, incluindo aí, principalmente, a ação do bloqueio. O Sesi, como sempre, marcou muito bem as jogadas do Rexona, que só conseguiu escapar do forte bloqueio – ainda assim com dificuldades - quando a Roberta entrou no lugar da Fofão. Ela deu uma acelerada nas bolas e utilizou mais a Jucy pelo meio. Mas não foi suficiente para, por exemplo, livrar a Gabi do paredão formado pela Fabiana e Bárbara. A atacante só ganhava uma folga quando o Talmo fazia a inversão de 5x1.

Claro que o processo todo de forte marcação começava sempre com um bom saque e contava com uma recepção ruim do adversário. As duas equipes tiveram dificuldades no passe. O Rexona amenizou o problema com a entrada da Drussyla no lugar da Régis. A jovem jogadora, ao contrário da partida contra o Osasco, jogou muito à vontade, mesmo tendo a responsabilidade da recepção.

A Régis, por sua vez, não repetiu o desempenho da última partida. Ela é, como se diz no futebol, uma jogadora de segundo tempo. Ela vinha bem substituindo a Natália, mas foi só Bernardinho cogitar a possibilidade dela entrar de vez no time titular para ela perder o encanto e desandar a fazer bobagens no passe e afins.

Até gostei da ideia de colocar a Natália como oposto, talvez fosse uma boa opção para turbinar o ataque. Mas não acredito que o Bernardinho vá continuar apostando nessa formação a partir de agora, ainda mais depois da resposta da Régis. Ele deve voltar ao que estava dando resultado: Gabi e Natália nas pontas, Bruna de oposto.



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Demais resultados da 13ª rodada do returno:

Camponesa/Minas 1x3 São Cristóvão Saúde/São Caetano

Rio do Sul/Equibrasil 3x1 Pinheiros

Maranhão/Cemar 3x2 Dentil/Praia Clube


São José dos Campos 0x3 Molico/Osasco

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Bora falar dos confrontos de quartas?

Rexona x São Caetano

Sesi x Brasília

Molico x Pinheiros

Dentil/Praia Clube x Camponesa/Minas


 
- Rexona e Sesi provavelmente vão ter trabalho, mas as paradas se resolvem em dois jogos.

- O Molico, para mim, também faz 2x0. O Pinheiros costuma crescer em partidas decisivas, mas acho que o time perdeu um pouco do rumo e do fôlego após a conquista da Copa Brasil. Na última rodada, perdeu para o Rio do Sul, que simplesmente deu a ele 32 pontos em erros, o dobro do que cometeu. 


Para fazer frente ao Osasco, o Pinheiros precisa ter todos os fundamentos funcionando bem, o que não é o caso. O ataque está com dificuldade em ter um melhor aproveitamento. Enquanto o Osasco, mesmo longe do ideal, consegue definir o jogo na atuação de uma jogadora ou mesmo de um fundamento.

- Praia e Minas. O clássico mineiro é o mais difícil de prever – e os resultados da última rodada não ajudaram em nada em simplificar o processo de adivinhação. De um lado, o inconstante Praia, que comete muitos erros, mas que tem recursos individuais fortes. Do outro, o organizado e técnico Minas, que vence os favoritos, mas se complica ou perde para os mais fraco e é menos potente no ataque e dependente demais da Jaqueline neste fundamento. 


Se eu tivesse que apostar, colocaria minhas fichas no Praia (2x1). Não é por este motivo que faço a aposta, mas o ginásio do Praia pode jogar a favor das donas da casa. O Minas bobeou demais em perder a quarta colocação ontem.