sábado, 22 de novembro de 2014

Com a cabeça no lugar

Sesi 3x0 Camponesa/Minas

 
Tenho que admitir que estou surpresa com a postura do Sesi neste início de Superliga. Depois de ser eliminado nas semifinais do Paulista, imaginei que veria em quadra aquele velho Sesi, atrapalhado e inconstante, que se enrolava em partidas contra equipes mais fracas. E, até agora, o time tem se apresentado com uma regularidade impressionante.

Na vitória contra o Minas, o maior exemplo desta regularidade foi o saque. A equipe não só cometeu apenas um erro neste fundamento como foi muito competente. E bom desempenho no saque é sinônimo de concentração – o que não era um dos fortes do Sesi.

No mais, foi mais uma boa atuação da Carol Albuquerque, equilibrando a distribuição das bolas, e também do bloqueio do Sesi, o que dificultou ainda mais a vida das atacantes mineiras.

O ataque é, sem dúvida, o principal problema do Minas. Sim, parte do problema está na fraca recepção, a qual nem mesmo a líbero consegue dar um mínimo de padrão. Mas também existe a falta de qualidade na definição.

Acho que o tempo pode colaborar para que a Mari Paraíba melhore e a renda mais, mas não digo o mesmo em relação à Lia, Carla e Ju Nogueira. Ainda bem que o Minas terá a Jaqueline. Ela não é carregadora de piano, mas cresceu no ataque, tendo um papel mais importante neste sentido na seleção brasileira. Fora que ela pode ajudar a Mari.

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Demais resultados da 4ª rodada:

Pinheiros 3x1 Brasília Vôlei

São José dos Campos 3x0 Maranhão/Cemar

Molico/Osasco 3x0 Uniara/Afav

 
- Quem também tem problema em colocar bola no chão é o Brasília. Paula e Elisângela não têm fôlego para carregar o ataque da equipe. Para se ter uma ideia, as duas centrais é que foram as maiores pontuadoras no ataque, com 11 pontos. Enquanto do outro lado, o jovem elenco do Pinheiros, comandado pela Rosamaria, não teve dificuldades neste sentido. E, pra completar, deu uma goleada no bloqueio: 15x5.

O Pinheiros, de novo, começou  a Superliga. Tomara que, desta vez, mantenha o ritmo até à fase decisiva.

- O mesmo Maranhão que tirou dois sets do Rexona, perdeu para o São José dos Campos por 3x0. Vai entender...

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Ninguém disse que seria fácil

Resultados da 3ª rodada SL:
São Bernardo 0x3 Pinheiros

Brasília Volei 3x1 São Cristóvão Saúde/São Caetano

Uniara/Afav 2x3 Dentil/Praia Clube

Maranhão/Cemar 2x3 Rexona/Ades

Molicos/Nestlé 3x0 Camponesa/Minas

 
A terceira rodada foi de sufoco para o Dentil/Praia Clube e para o Rexona. Os dois deixaram escapar um ponto ao vencerem somente no quinto set as equipes do Uniara/Afav e Cemar/Maranhão, respectivamente.

Pelo histórico, obviamente que a situação inicial do Praia preocupa mais do que do Rexona. O time do Rio tem dessas de dar seus tropeços na fase classificatória e depois, na final... bom, sabemos bem o resultado. A temporada passada foi assim. Rexona jogou feio o campeonato inteiro, mas, nas decisões jogou mais e levou o título. Fica difícil duvidar, portanto, da evolução do Rexona mesmo que ele ainda apresente problemas na recepção e cometa tantos erros.

Agora, o Praia deixa dúvidas da sua capacidade de recuperação. Será que teremos novamente uma temporada na qual o time vai se enrolar durante o turno e returno e chegar enfraquecido para as finais? Ano passado, mesmo com potencial, o Praia não engrenou.

Ao menos, a suada vitória parece ter mostrado sinais de maior agilidade e sabedoria do Picinin. Ele soube usar melhor o seu elenco durante o jogo. 


A Tandara não fez boa partida e foi substituída logo no terceiro set. O que poderia decretar o desastre da equipe, acabou por ser um bom sinal. Ela saiu e o time não se perdeu. Pelo contrário, conquistou os sets seguintes de forma mais tranquila. Picinin também trocou a Natasha pela Letícia Hage – aliás, acho que Natália e Hage deveriam compor a dupla de centrais do Praia, pois têm características complementares.

Vamos ver como o Praia se encaminha nos próximos jogos.


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Jaque está empregada

O Camponesa/Minas contratou a Jaqueline. Ela é a jogadora que 90% dos times brasileiros precisam: habilidosa no fundo de quadra, ideal para consertar o péssimo nível de recepção da maioria das equipes nacionais.

Certamente é um upgrade ao Minas, mas não o suficiente para colocá-lo entre os favoritos da SL. A companhia da Jaque vai deixar a Mari Paraíba mais tranquila para atacar. Fora que as atuações recentes da Jaque na seleção mostraram que ela pode ser tranquilamente uma boa força de ataque para um time que, até então, tinha neste fundamento seu ponto fraco. 


Falando disso, aliás, é inacreditável que Ju Nogueira não consiga desbancar a Lia da titularidade.

sábado, 15 de novembro de 2014

Nem tudo é o que parece

Dentil/Praia Clube 3x2 Camponesa/Minas

Nem sempre um 3x0 significa uma lavada e nem sempre um 3x2 é sinônimo de equilíbrio.

O confronto entre Praia Clube e Minas foi repleto de altos e baixos e bastante desigual nos quatro primeiros sets. Somente no tie-break tivemos um equilíbrio de forças, com uma disputa ponto a ponto e mais bem jogada. Até então tinham sido dois sets de vitórias fáceis para cada equipe. 
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Por mais que o Minas tenha tido seu mérito na boa relação saque-bloqueio que apresentou, ele só chegou à disputa do quinto set porque o Praia Clube ajudou. Metade do caminho o Minas fez por suas pernas, a outra, foi o Praia que o levou.

O Minas teve enorme dificuldade no ataque, provavelmente resultado da falta de entrosamento entre a levantadora e as atacantes. O próprio trio de ataque não é dos mais fortes, com as inconstantes Lia e Carla. A dificuldade em colocar bola no chão foi compensada com o bloqueio, mas também com as bobeadas do Praia.

O Praia Clube teve diversas “panes” durante a partida, nas quais nada funcionava, da recepção ao ataque. O time simplesmente travou e deus pontos em erros ao adversário. Isso foi decisivo para que a partida acabasse no tie-break.

E acho que nestes momentos faltou maior agilidade ao Picinin. Além de demorar em pedir tempo, as instruções dele eram pouco elucidativas. Afinal, o que as jogadoras precisavam fazer para sair do aperto? Ele mais comentava os erros que elas haviam cometido em vez de dar ideias de combinações de jogadas, instruções práticas e etc.

Fora que, com o elenco e opções que tem em mãos, o treinador poderia ter feito uso das suas reservas também mais cedo nos sets em que o Praia perdeu. No segundo set, ele não mexeu; no quarto, fez as substituições tarde demais. 

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Pelo o que o próprio Picinin falou durante um tempo técnico, estas bobeadas têm sido uma constante na SL. Toda partida o time baixa a guarda e permite o crescimento do adversário. Vamos ver se isso é só um problema de início de temporada ou se vai continuar.

O Praia tem potencial, mas, além de evitar estas “panes”, vai ter que ter alguns cuidados. Um deles é de não ficar Tandara-dependente. Ramirez é de fases, fica difícil contar sempre com ela e o ataque não é o ponto forte da Sassá. O time vai precisar de mais repertório, principalmente no meio. E aí, como o participante do blog, Welmer, comentou, não sei se Natasha e Natália tem capacidade de segurar esta onda. 

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Pê ésse:
- Ironia: o jogo teve diversas marcações de irregularidade no levantamento, os dois toques. E nenhum deles foi da Ju Carrijo! Vai ver foi por isso que deram a ela o prêmio de MVP da partida. #maldade

Com todo o respeito, ela quase pôs tudo a perder no tie-break com as escolhas de jogadas equivocadas (esquecendo a Tandara e forçando com a Natasha), fora os mal levantamentos nos contra-ataques.

- Chamou atenção o comportamento da Tandara durante a partida. Ela, que costuma ser mais na dela, encarnou o papel de líder, incentivando e dando puxão de orelha nas colegas. É importante que ela desenvolva esta responsabilidade. Quem sabe é isto que falte, um pouco de personalidade, para que ela desbanque a Sheilla ou a Garay e ganhe a titularidade na seleção? 

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Demais resultados da 2ª rodada da SL:

São Cristóvão Saúde/São Caetano 3x1 São Bernardo

Pinheiros 3x0 Uniara/Afav

Molico/Osasco 3x0 Rio do Sul/Equibrasil

Sesi 3x0 Maranhão/Cemar

Rexona/Ades 3x0 São José dos Campos

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

#partiuSL14/15


Agora sim tivemos a primeira rodada da Superliga.

Tivemos alguns confrontos interessantes, como o do Spencer Lee, agora no Rio do Sul, contra seu ex-clube, o Praia. E ele conseguiu roubar um set do Praia. Como tínhamos visto na partida contra o Unilever, o Rio do Sul tem potencial para atrapalhar a vida dos favoritos. Precisa ajeitar seu fundo de quadra e diminuir seus erros. Contra o Praia, foram 34 pontos dados de graça.

Outros jogos equilibrados foram do Brasília contra o São Bernardo e do São Caetano versus o Uniara. Aliás, esperava um pouco mais de tranquilidade do Brasília nesta estreia. Mas pelo jeito, as equipes sem estrelas e de menor investimento vão dar trabalho e enrolar o meio da tabela nesta temporada.

E esperava um pouco mais de resistência por parte do Minas. O Pinheiros foi bastante superior, liderado pela Rosamaria. Que bom que ela tenha ido para um time com qualidade e no qual ela possa ser titular. Como já comentei aqui, acho que ela foi mal aproveitada pelo Zé Roberto na temporada passada no Vôlei Amil.

Seguem os resultados:

Maranhão/Cemar 0x3 Molico/Osasco

Rio do Sul/Equibrasil 1x3 Dentil/Praia Clube

Camponesa/Minas 0x3 Pinheiros

Uniara/Afav 2x3 São Cristóvão Saúde/ São Caetano


Brasília Vôlei 3x2 São Bernardo Vôlei 
 
 
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São José dos Campos 0x3 Sesi

Sem ter podido acompanhar as partidas do Sesi pelo Paulista, esta foi a primeira vez que vi a equipe jogar nesta temporada, com as novidades Monique e Claudinha. Ops, quer dizer, a Claudinha não vi. A levantadora perdeu a titularidade para Carol Albuquerque na estreia da SL.

Ao contrário do que imaginava, o Sesi se mostrou muito sólido e concentrado. Tá certo que o adversário não o pressionou. O São José dos Campos é bastante fraco.

Mas o time do Talmo se mostrou bem consistente, com Suelen e Suelle garantindo um bom passe e Carol aproveitando suas melhores atacantes: Monique, pela ponta, e Bia, pelo meio. Monique foi sem dúvida o destaque na partida, comprovando que a sua boa fase continua. Tem tudo para ser o ponto forte do Sesi nesta temporada juntamente com a Fabiana.

Apesar da boa atuação do time, houve um ponto negativo: Pri Daroit. Pontuou pouco no ataque e é um ponto fraco na recepção da equipe. Desde que chegou ao Sesi, Daroit não consegue ter o desempenho que mostrou nas outras equipes e até na seleção B. E não sei se será no Sesi que ela vai se reencontrar. A impressão que tenho é que o time não faz bem a ela.

Acho uma pena que a Claudinha não tenha conseguido começar bem a temporada no Sesi, depois de um bom ano no Vôlei Amil. Mesmo torcendo por sua recuperação técnica, espero que o Talmo mantenha esta escolha pela Carol nos próximos jogos e não fique com aquele sistema de trocas que não acrescenta nada ao time.


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Não comentei ainda algumas as alterações de jogo que foram feitas pela Fivb para os próximos campeonatos internacionais.

A primeira é do toque na rede. A partir de 2015, nenhum toque será permitido. Acho que é mais uma regra que tranca a partida e enfraquece a disputa. A questão é que a regra atual é tão cheia de critérios (só vale na parte inferior, deve-se avaliar se interfere no andamento da jogada e etc) que dá margem a erros e interpretações equivocadas por parte da arbitragem. A Fivb resolveu facilitar o trabalho dos juízes e aliviar a pressão que sofre sobre a qualidade das arbitragens e também da responsabilidade de investir mais no recurso do ‘desafio’ nos campeonatos internacionais.

A segunda modificação foram nos tempos técnicos. Agora alguns campeonatos, como o Mundial, terão apenas um tempo técnico. Tudo para diminuir o tempo das partidas e, quem sabe, torná-las mais atrativas para a transmissão da televisão. Engraçado que os tempos técnicos tinham sido criados exatamente para dar às emissoras a oportunidade de fazer um intervalo e lucrar com os comerciais. Mais uma vez o esporte se submete à televisão, mais um ponto perdido para o vôlei.

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Pê esse:

- O novo hot site da Superliga tá muito bonitinho. Mas é só. De resto, é confuso e pouco prático para quem quer ver os resultados, a tabela e as estatísticas de cada partida. 

sábado, 8 de novembro de 2014

Começou, mas não empolgou


Rexona/Ades 3x1 Rio do Sul/Equibrasil

Espero que a partida de estreia da Superliga 14/15 não tenha sido uma prévia do que será a competição. Eita joguinho ruim! Fica difícil até fazer grandes avaliações das duas equipes com tantos erros e pouca bola rolando.

De uma temporada para outra, o time do Bernardinho não conseguiu se livrar, ou ao menos amenizar, dos problemas na recepção. Fofão continua correndo de um lado para o outro da quadra em busca da bola. Foram as falhas do passe que levaram a equipe à derrota no terceiro set.

A vantagem do Rexona (tenho que me acostumar de novo a chamar o time assim depois de tantos anos de Unilever...) foi que o Rio do Sul foi ainda mais frágil no passe. Carol, Gabi e Natália - que se especializou nesta função na seleção brasileira - tiveram ótimas passagens no saque.

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A linha de passe do Rio do Sul esteve bastante confusa “liderada” pela líbero Ju Paes. Inicialmente, quando ouvi o nome da líbero, não liguei o nome à obra. Depois de ver uma sequência de saques caindo na frente dela, me veio de imediato a lembrança de uma atuação muito semelhante – e igualmente problemática - no Sesi. Lembro que na época comentei a sua falta de segurança, ainda bastante jovem e tendo que jogar num time importante. Mas, parece que nem no Rio do Sul ela se sente ainda à vontade.

Mais jogos podem dar confiança a Ju Paes e entrosamento entre as jogadoras no fundo de quadra. Assim, o time ganha estabilidade e, quem sabe, dê mais trabalho para as equipes favoritas. Acho que o Spencer tem um bom elenco nas mãos. Apesar da baixa estatura no meio, o grupo tem um bom trio de atacantes com a Neneca, Vanessa e Natiele. 

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Já o Rexona não deve se afastar muito do que apresentou na temporada passada. A Natália tem mais qualidade no passe do que a Mihajlovic, mas o fundamento vai continuar o calcanhar de Aquiles da equipe. 

E, quem sabe, esta temporada não seja da confirmação da Bruna, que entrou muito bem ontem na partida no lugar da Andreia. Devo dizer que a atuação da Andreia foi decepcionante. Apareceu discretamente quando a partida estava tranquila para o Rexona. Quando o jogo apertou, sumiu. Tenho minhas dúvidas do quanto o time vai poder contar com ela no ataque nesta SL. Acho que há chances da Bruna repetir a história da sua companheira de grupo Gabi, que, na temporada 12/13, conquistou, merecidamente, a titularidade durante a competição, desbancando a Logan Tom. 

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Outros jogos da... 4ª rodada:

Dentil/Praia Clube 3x0 São Bernardo
 
Sim, tanto o jogo do Rexona como este do Praia valeram pela 4ª rodada da SL. Os jogos da primeira acontecem segunda e terça desta semana

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Osasco soberano


Em São Paulo, não tem pra mais ninguém. A taça do Paulista está, pela terceira vez seguida, nas mãos do Molico/Osasco. E a conquista veio de uma forma bem tranquila, depois de mais uma vitória contra o São Cristóvão Saúde/São Caetano por 3x0.

O título do Osasco era previsível, mas esperava que o Sanca desse mais trabalho ao time do Luizomar. A verdade é que a segunda partida da final foi decepcionante. Nada daquela rivalidade e combatividade apresentadas pelas meninas do Hairton Cabral na última segunda-feira.

Pouco coisa funcionou nesta noite na equipe de Sanca. Primeiro, o time enfrentou muita dificuldades no passe. Depois, nem Thaisinha nem Paula corresponderam no ataque. As substituições tampouco surtiram efeito para resolver o problema que a equipe tinha em colocar a bola no chão.

Do lado do Osasco, aconteceu exatamente o oposto. O time teve uma atuação exemplar. A linha de passe esteve segura, baseada principalmente na consitência da Samara. Carcaces jogou solta. E quando a cubana joga livre de qualquer pressão na recepção, é uma covardia. 


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Com a Carcaces, o Osasco volta a ter uma voz bastante agressiva no ataque depois de uma temporada de menor potência neste sentido com o trio Sheilla, Sanja e Bosseti.

Mas a cubana vai depender muito das atuações da Samara para cumprir bem seu papel de pontuadora e bola de segurança. Sem o lastro de Samara e Brait no passe, ela pode ficar sobrecarregada. E não vai ser a Ivna que vai dividir o peso do piano quando o passe complicar a atuação da Carcaces.

Por isso, acho que o Luizomar deveria tentar a formação com a Mari como oposto. Quando ela foi contrata, a informação inicial seria de que ela jogaria nesta posição. Afinal, ter Mari e Carcaces como ponteiras passadoras é uma temeridade e as semifinais do Paulista mostraram isso. Talvez a jogadora, livre desta responsabilidade, possa ser uma companhia mais eficiente e confiável para a Carcaces no ataque do que a Ivna. 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

De volta com o Paulista

Admito: a ressaca após o bronze brasileiro no Mundial durou muito tempo no Papo. Acontece que tive uns dias de férias (provavelmente, mais do que as selecionáveis) e, depois, uma viagem a trabalho que me deixaram afastada do blog.

Mas hoje consegui voltar ao vôlei assistindo à primeira partida da final do Paulista. 
A novidade da decisão deste ano é que, ao lado do Molico/Osasco, está o São Cristóvão Saúde/São Caetano.

Novidade sim, surpresa não. Ora, o adversário do Sanca nas semifinais foi o Sesi que, pelo que li, continua aquele mesmo time inconstante, comandado pelo indeciso Talmo, que muda frequentemente a escalação. Que me desculpem os torcedores e atletas do Sesi, mas mesmo o histórico recente de conquistas do time paulistano (título Sulamericano e vice da Superliga) não tornou a equipe confiável.

Assim, não é surpreendente que um time como o Sanca, que conta com a competência do Hairton Cabral, tenha chegado à final. E fico feliz com esta conquista. O Sanca faz um ótimo trabalho no vôlei, dando espaço para jogadoras jovens e sempre se fazendo presente na Superliga com equipes competitivas dentro daquilo que seu orçamento permite. Sem falar, novamente, no Hairton, que merece, assim como o time, uma recompensa pelo trabalho que tem feito nos últimos anos. 
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Bom, vamos chegar ao ponto: a primeira partida da final do Paulista, Molico 3x0 São Caetano.

É engraçado que o Sanca tenha entrado com tanto peso nas costas para esta decisão. Tenso, não soube lidar com uma responsabilidade que nem deveria ser dele. O único que tem algo a perder nesta final é o Molico.

O Sanca se sentiu muito pressionado pela excelente marcação de bloqueio do Osasco. Só conseguiu se libertar quando ele respondeu à altura, mas de forma diferente, complicando o passe do Molico.

Este vai ser o principal problema do time do Luizomar nesta temporada, como já havíamos comentado quando o elenco foi fechado. Carcaces é, ao mesmo tempo, o ponto mais forte e o mais frágil do time.

O seu volume de ataque é essencial para uma equipe que tem uma oposto tão pouco consistente como a Ivna. Mas sua fragilidade no passe compromete o andamento do time algumas vezes na partida.

Mas ela também não tem companhias lá muito animadoras na linha de passe. Já conhecemos a dificuldades da Mari neste fundamento. Ela perdeu lugar para a Samara, que, entre as opções, é a melhor saída para Luizomar. Mas a Samara ainda precisa ser testada. Ainda não se sabe bem como ela vai reagir na recepção quando pressionada.

Uma pequena amostra ela deu hoje, e não foi positiva. Ela se perdeu em certos momentos no passe, se mostrando ainda insegura. No fim, acho que o Molico vai enfrentar o mesmo problema da temporada passada: Luizomar vai continuar achando que a Gabi faz alguma diferença na recepção e haverá constantes trocas entre as ponteiras/oposto. 
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Voltando à final... 
Gostei da qualidade da partida a partir do segundo set. O equilíbrio esteve mais baseado nos resultados das estratégias de jogo de cada equipe do que de erros. De um lado, o Molico com o jogo do adversário bem estudado e marcado; do outro, o Sanca pressionando no saque a linha de passe osasquense.

O que fez a diferença foram os recursos individuais do Molico. Carcaces e Thaisa fizeram a diferença para o Molico nas horas decisivas dos sets.

Enfim, o mais legal é que a final teve cara de decisão mesmo: clima quente, torcidas presentes e envolvidas no jogo, e ainda uma rivalidade particular entre Mara e Thaisa, que deu um tempero a mais à decisão.

A missão do Sanca, que já era complicadíssima antes de começar esta final, agora ficou ainda pior. Fica difícil o título escapar das mãos do Osasco. Mas espero que, ao menos, tenhamos um replay do que vimos nos dois últimos sets da primeira decisão.

domingo, 12 de outubro de 2014

È finito. Ciao, Mondiale

3º lugar:
Brasil 3x2 Itália

Ah, se o Brasil tivesse jogado contra os EUA o que jogou contra a Itália... Mas como o “se” não entra em quadra, ao menos a seleção se despediu do Mundial com uma medalha e apresentando um bom voleibol.

Primeiro, fiquei feliz em ver o time recuperado da derrota do dia anterior e muito focado na busca pela medalha. O grito de todo um ginásio contra não afetou em nada a equipe.

No mais, o que vimos foi uma Itália atordoada no primeiro set, insegura na recepção e impaciente com o volume de jogo brasileiro. A partir do terceiro set, a Itália começou a marcar melhor nossas jogadas e a entrada da Diouf fez a diferença para melhorar o ataque italiano.

O Brasil mais uma vez desperdiçou contra-ataques importantes, sobretudo no quarto set. Felizmente, o tie-break foi novamente de superioridade brasileira, com um bloqueio agressivo, e de falta de continuidade italiana, cometendo falhas no saque.

O ataque, por sua vez, resolveu se despedir de forma positiva depois de um campeonato irregular. Nosso trio das pontas teve bom aproveitamento, principalmente a Sheilla, que fez grande partida – talvez a sua última num Mundial. 
 
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Final
EUA 3x1 China

E os EUA deixaram de ser vice. Finalmente a equipe norte-americana conseguiu um título importante. O curioso é que não é o grupo mais talentoso dos últimos anos. Mas, nesta final,  mais um vez
apresentaram um jogo de disciplina tática e boa marcação.

Quase que os erros em momentos decisivos comprometeram a conquista. O primeiro set foi perdido assim e, por pouco, o quarto também não saiu das mãos. Sorte é que, do outro lado, também estava um time inexperiente, que, depois de conseguir um extraordinária virada, deixou escapar o set em erros de recepção.

Este foi o maior problema chinês, além de não conseguir parar no bloqueio o ataque dos EUA, principalmente a Hill, que teve uma noite maravilhosa.

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Temos aí duas seleções relativamente jovens já com uma final de Mundial na bagagem e com atacantes poderosas. O Brasil vai no sentido contrário. Os novos nomes não se mostram à altura das veteranas e nosso poder de fogo está mais fraco. É para se ficar de olho nestas duas seleções para que não percamos o passo e fiquemos sem condições de disputar em igualdade com elas mais adiante.

Uma observação: a renovação dos EUA é incrível. Sem Hooker e Hodges, duas grandes jogadoras, a seleção ainda tem talentos para as substituírem. Hill e Murphy mas mantiveram o time competitivo e forte. 

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Seleção do mundial

MVP: Hill (Estados Unidos)
Melhor levantadora: Alisha Glass (Estados Unidos)
Melhores ponteiras: Hill (Estados Unidos) e Zhu (China)
Melhores centrais: Thaísa (Brasil) e Yang (China)
Melhor oposta: Sheilla (Brasil)
Melhor líbero: De Gennaro (Itália)

Não entendi esta escolha das melhores. Pensei que fosse baseada nas estatísticas, nas quais muitas delas não estiveram na liderança. De qualquer forma, acho que, em geral, se fez justiça com o que foi apresentado nesta fase final.

De Gennaro e Alisha Glass foram, para mim, as melhores líbero e levantadora, sem dúvida. Colocaria a Kosheleva nesta premiação se levassem em conta também Rússia e Rep. Dominicana. Sem ela, Hill e Zhu são as melhores escolhas.

As centrais, para mim, seriam as duas brasileiras – mais completas, não houve em outra seleção. E oposto... acho que a Sheilla teve boa participação nestas duas últimas partidas. Acho que ontem, aliás, ela foi pouco aproveitada. Com tanta dificuldade em pontuar, a Dani deveria tê-la acionado mais porque estava bem. Mas, escolheria como melhor oposto a Murphy, entre as quatro seleções semifinalistas.

Nota: muito engraçado – e constrangedor – o Zé Roberto recebendo o prêmio Fair Play da competição. Os italianos deram ao treinador uma sonora vaia e um coro de xingamentos. Ficou chato, muito chato... As reclamações do Zé com a arbitragem não pegaram nada bem com os italianos que, além da seleção da casa, torciam também pelos EUA. 

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Balanço mundial

Já havia comentado aqui rapidamente, mas repito. Esperava muito mais deste Mundial. Tivemos seleções muito irregulares e partidas pouco equilibradas. Assim como na Superliga, os problemas na recepção foram a tônica da competição e comprometeram a qualidade dos jogos.

O ponto positivo deste Mundial foi ter trazido a Itália de volta a um nível mais competitivo e ter confirmado o potencial do jovem time chinês. Talvez tenhamos a partir de agora mais seleções a se juntar à Rússia, Brasil e EUA em uma disputa mais nivelada. Vamos ver como serão as cenas dos próximos capítulos.