sábado, 24 de janeiro de 2015

Semana especial

 
Está sendo um belo início de returno para o Minas na Superliga. Depois de colecionar uma série de derrotas e apresentar um time bastante fraco no começo do primeiro turno, o Minas chega com força ao segundo para embolar o miolo da zona de classificação.

Nesta semana, a equipe teve duas vitórias importantíssimas: na segunda, contra o Pinheiros – adversário direto na tabela; na sexta, contra o Molico/Osasco. 
 
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Camponesa/Minas 3x1 Molico/Osasco

O grande mérito do Minas na vitória contra o Osasco foi saber se aproveitar dos inúmeros erros concedidos pela equipe paulista. O time do Queiroga poderia ter ido na onda de mancadas do adversário e baixado o nível do seu próprio jogo, mas não. Conseguiu se manter bem focado e não aliviou a pressão para o outro lado.

Parece bobagem, mas é uma forma sábia de se jogar contra o Osasco neste momento. O time do Luizomar começa confiante, mas nos primeiros erros a coisa desanda total. O Minas potencializou esta confusão osasquense: primeiro, com um bom saque; segundo, com uma postura agressiva; terceiro, cometendo poucos erros.

Acho que o que vimos ontem não foi muito diferente daquilo que foi a Copa Brasil. Um time com um conjunto bem organizado, com volume de jogo e paciência nas trocas de bola, que ganha do adversário “estrelado” pelo cansaço e pela regularidade do seu jogo. 

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O Osasco teve o reforço da Thaisa, mas foi como se não tivesse. A Diana tem dificuldades na combinação com as centrais no ataque. Ainda fora do ritmo, a Thaísa não contribuiu nem no saque nem no bloqueio.

A Carcaces acabou sendo a principal saída no ataque, mas ela (como uma legítima cubana) não foi uma jogadora de resistência. O desempenho dela caiu ao longo da partida, o que complicou ainda mais as opções de ataque.

Curiosamente, o ataque, que era o principal problema minastenista no primeiro turno, tem sido um belo trunfo. O Queiroga achou a formação ideal com Jaqueline, Carla e Mari Paraíba. Há uma distribuição bastante uniforme por parte da Naiane, não sobrecarregando nenhuma das suas ponteiras. Apesar de ter sido escalada como oposto, a Mari não é exatamente uma carregadora de piano. Ou seja, a distribuição favorece todas as atacantes - até mesmo a Carla que, na partida de ontem, foi a principal pontuadora neste fundamento.


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Esta edição da Superliga é a mais interessante dos últimos anos. O inferno astral do Molico sem a Dani Lins e as equipes bem organizadas do Sesi, Pinheiros e, mais recentemente, Minas tem tornado a disputa mais equilibrada e diferente das anteriores.

Temos Rexona e Sesi com uma vantagem na ponta da tabela, Brasília e São Caetano, afastados na sétima e oitava colocações. Estas posições não devem mudar, acredito. Mas do terceiro ao sexto, está tudo em aberto. Temos Molico, Pinheiros, Praia e Minas numa diferença pequena de pontos. 
 
Ou seja, muitas indefinições. E isso é ótimo para a SL. Acho que vamos ter confrontos bem mais acirrados nas quartas e semifinais nesta temporada. 

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Demais resultados da 3ª rodada do returno:
 
 
Rexona 3x0 Cemar/Maranhão
 
Rio do Sul/Equibrasil 0x3  Sesi

São Cristóvão Saúde/São Caetano 3x0 Brasília

Dentil/Praia Clube 3x0 Uniara/Afav

Pinheiros 3x1 São Bernardo
 

 

sábado, 17 de janeiro de 2015

Vitória da persistência

 
É muito bom ver o Pinheiros campeão, enfim, de um título nacional!

E foi uma conquista baseada na principal característica do time paulista, a persistência.

Tanto Sesi como Pinheiros não fizeram o seu melhor jogo. Ambos os times tiveram problemas na recepção e na virada de bola com suas principais atacantes. A equipe do Talmo, no entanto, conseguiu contornar com maior facilidade esses problemas. A Pri Daroit entrou bem no lugar da Mari e a Suelle assumiu a responsabilidade de ser a principal pontuadora do time.

Com isso, o time se equilibrou e demonstrou ter maior controle da partida... até chegar ao quarto set. Foi neste set que o Sesi perdeu a oportunidade de bater o Pinheiros.

A equipe do Wagão foi, durante quase toda partida, mais instável. Suava mais para conquistar os pontos e para manter o domínio no placar. No final do quarto set, o Pinheiros perdeu inúmeras oportunidades de pontuar nos contra-ataques. 
 
E o Sesi não soube se aproveitar deste momento e definir de uma vez o jogo. Deu espaço para o Pinheiros reassumir o placar e, pior, provocou o lado guerreiro do adversário – a gente sabe como o Pinheiros gosta de renascer das cinzas.

Nesta hora, a Ellen foi decisiva para o Pinheiros. Começou a virar tudo quanto é bola no ataque e até a bloquear. Aliás, a Ellen está especialista na marcação da china. Contra o Rexona ela anulou a Jucy nesta jogada; na final, pegou Bia e Fabiana.

No tie-break, o Pinheiros, aceso, entrou arrasador enquanto o Sesi, em marcha lenta. A defesa do Sesi, sempre tão competente, cometeu erros bobos. E, assim, com um bloqueio muito agressivo e com a Ellen inspiradíssima no ataque, o Pinheiros levou o seu primeiro título nacional. 


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Acho que a Copa Brasil consagrou trabalhos importantes que estão sendo feitos no Sesi e no Pinheiros. Eu já impliquei demais com o Talmo, agora tenho que dar o braço a torcer e aplaudir o belo e organizado grupo que ele formou no Sesi. O mesmo vale para o Wagão.

Hoje, Sesi e Pinheiros são as únicas equipes realmente capazes de abalar a soberania de Rio e Osasco e tirá-las da zona de conforto, mesmo não tendo um elenco repleto de estrelas. Talvez não seja o suficiente para tirar o título da Superliga da tradicional dupla. Mas, quem sabe, Sesi e Pinheiros estejam escrevendo o início de um novo ciclo no vôlei feminino brasileiro, que se caracterize por um cenário mais equilibrado e competitivo. Quem sabe. 
 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Final com cara nova

Antes de mais nada, queria dizer que adorei a composição desta final da Copa Brasil: Sesi vs Pinheiros. Uma disputa inédita de um título nacional que dá uma arejada no vôlei feminino. Super saudável para que a competitividade e a graça não desapareçam dos torneiros brasileiros.

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As duas partidas da semifinal da Copa Brasil foram muito parecidas. Saíram vencedoras as equipes que mostraram maior regularidade e aplicação tática. Tanto Sesi quanto Pinheiros cometeram muito poucos erros e bateram um Rexona e Molico bastante inconstantes no passe e no ataque.

Vamos ter uma final equilibradíssima. As duas equipes são similares, se valem mais da organização coletiva do que das individualidades. Ainda assim, vejo o Sesi superior, pois tem um grupo mais forte. O Talmo tem opções de troca mais interessantes que o Wagão, além de um time mais experiente e com alguns nomes que podem fazer a diferença.

Mas vamos comentar o que trouxe estas duas equipes até a final. 


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Pinheiros 3x1 Rexona

O tão elogiado e invencível Rexona se desestruturou legal diante do Pinheiros na semifinal da Copa Brasil.

Exatamente o que vinha sendo o ponto forte da equipe carioca na Superliga - e que destacávamos constantemente aqui no blog – não funcionou nesta partida: o ataque.

Acontece que a linha de passe do Rexona, principalmente com a Natália, não conseguiu dar o mínimo de estabilidade para a Fofão. Depois, as próprias atacantes estiveram muito afobadas e cometeram muitos erros.

Os desperdícios de contra-ataques foram muitos e impediram por diversas vezes que o Rexona se recuperasse na partida e pressionasse o outro lado. Até mesmo a Fofão não me pareceu nos seus melhores dias. Vi algumas bolas mal levantadas, baixas, que comprometeram o aproveitamento nos contra-ataques. 

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Do outro lado, o Pinheiros manteve um ritmo quase que constante no saque e muita regularidade no ataque. A ausência da Rosamaria só foi sentida no terceiro set, quando o time em geral teve dificuldades na virada de bola.

Defensivamente o Pinheiros também foi muito bem, tanto no fundo de quadra quanto no bloqueio. Parte da impaciência das atacantes do Rexona foi provocada pela boa marcação paulista.

O Pinheiros exige dos seus adversários a mesma regularidade que apresenta. E regularidade definitivamente não foi uma palavra que constou no dicionário do Rexona nesta partida. O time carioca abusou dos erros. Tendo do outro lado da quadra um Pinheiros concentrado e disciplinado, que manteve praticamente durante todo tempo o mesmo nível de jogo, já seria muito difícil vencer. Sem as individualidades brilhando, então, ficou impossível.


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Sesi 3x0 Molico/Osasco

Devo dizer que, pelas últimas atuações, esperava um Molico bem mais atrapalhado. O Luizomar nos poupou das suas inúmeras trocas, o que deu uma aparência de mais organização ao time.

Só que os problemas do Molico, ainda sem Dani Lins e Thaísa, continuam os mesmos. A recepção ruim, com até Camila Brait errando, e um ataque com baixo aproveitamento.

Devo admitir que neste momento de aperto, a Ivna tem segurado bem a barra do ataque de Osasco. Mas é muito piano para ela carregar. A Carcaces voltou, mas foi pouco acionada pela Diana nesta partida. Também acho que faltou uma melhor sintonia entre as duas. 

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O Osasco fez o que pôde. Esbarrou numa equipe quase perfeita. Dá gosto de ver jogar o Sesi, um time extremamente organizado e que comete muito poucos erros. Assim como o Pinheiros, para batê-lo, é preciso o mínimo de desperdício – o que o Molico não está conseguindo no momento.

No mais, o Sesi só mostrou dificuldades no início do jogo no passe. Quando se estabilizou, o time entrou nos eixos e a Carol brilhou. A levantadora está em ótima fase e, o melhor, está sabendo aproveitar com habilidade os contra-ataques que a ótima defesa do Sesi proporciona.

É engraçado que um time com Mari Casemiro e a improvisada Bárbara tenha tão bom aproveitamento no ataque. Não são nomes extraordinários, mas a organização tem sustentado o bom desempenho das duas. Eu não acreditava que a Bárbara poderia segurar a posição de oposto e ela tem feito isso muito bem. Valeu a aposta do Talmo. Para mim, ela foi a melhor jogadora nesta semifinal. 


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Muito suor, pouca bola

Rio do Sul 2x3 Molico/Osasco

Quem diria que Rio do Sul vs Osasco seria tão emocionante? Olha, tô pra dizer que foi um dos jogos mais interessantes desta SL.

Não foi exatamente um primor em qualidade, mas foi totalmente imprevisível e cheio de histórias e personagens interessantes, como a central Mimi Sosa, por exemplo. No primeiro lance da partida, ela torceu o tornozelo e saiu. Voltou no segundo set e se tornou a principal jogadora do Rio do Sul. Deu um show no bloqueio e incendiou o time.
 
Houve ainda a incrível recuperação do Rio do Sul no quarto set, quando perdia por 24x16. O time catarinense conseguiu empatar com uma sequência incrível de bons saques e bloqueios enquanto o Molico dava mais uma demonstração da sua instabilidade emocional e técnica. O Osasco assume o golpe na mínima pressão que enfrenta.



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Em termos gerais, o Rio do Sul foi um time mais coeso. Foi bem no saque e no bloqueio, e manteve uma certa regularidade na virada de bola, mesmo com ponteiras menos badaladas do que o Osasco. O problema maior – e que acabou comprometendo a vitória – foi o baixo aproveitamento nos contra-ataques e os erros não forçados (como no saque) que aliviaram a pressão pra cima do Osasco.

No tie-break, o Spencer cometeu um erro ao fazer a inversão de 5x1. Ele acabou tirando a sua principal atacante e pontuadora, a Natiele. Ela era a única que tinha começado o set conseguindo virar. Com a inversão, o Rio do Sul perdeu esta opção e ainda viu, com os erros da Duda - a substituta, o Osasco abrir vantagem. 

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Já o Molico continua atrapalhado. Poderia dizer que a causa ainda é a falta da Dani Lins, mas não é só isto. O problema também está na confusão da linha de passe. Tendo que cobrir suas colegas, Camila Brait tem o trabalho dobrado e, pior, comprometido. Samara perdeu a tranquilidade e a segurança que tinha no início da temporada.

Ontem o Luizomar teve a volta da Carcaces. Ela começou a partida, foi bloqueada duas vezes e foi substituída pela Gabi, que, depois, foi substituída pela Mari. Aí, o discurso no final do jogo, após a “grande vitória”, é exaltando a força do grupo. Bobagem. O troca-troca do Luizomar é típico de quem tá perdido e não sabe dar um mínimo de organização para seu time.

E estou com receio que o Luizomar esteja enfraquecendo o maior diferencial da sua equipe, a Carcaces, tornando-a uma peça como qualquer outra quando, obviamente, ela não é. Ela é a única grande atacante que ele tem à disposição. Tem também a Thaísa, mas, como central, ela precisa de bolas específicas. A Carcaces é pau pra toda obra. Com a Diana no levantamento, ela se faz ainda mais necessária.

Digo isso não só por ontem - quando ela foi descartada no primeiro set com uma facilidade e rapidez incríveis-, mas também pelo Top Volley. O Luizomar tem que pensar o time para potencializar a recuperação da cubana. Se até quando a Mari entra, ele adapta a Ivna como ponteira, por que não fazer isso com a Carcaces, deixando-a livre só para atacar? Que o treinador não se iluda, mas a “força do grupo” não vai ser suficiente para vencer as competições nacionais. 

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Demais resultados da 2ª rodada do returno:

Camponesa/Minas 3x0 Dentil/Praia Clube

São Bernardo 3x0 São Cristóvão Saúde/São Caetano

Uniara/Afav 0x3 Pinheiros 


São José dos Campos 0x3 Rexona 


Maranhã/Cemar 0x3 Sesi


- Estou surpresa com o placar e a facilidade da vitória do Minas contra o Praia. Nem a Ramirez voltando como titular ajudou o Praia a ter um bom aproveitamento no ataque. E o Picinin tá quebrando a cabeça para montar o time em quadra. Não sei qual foi a escalação na Copa Brasil, mas contra o Minas a equipe teve, além da Ramirez, Ju Costa e Carrijo no time titular nos lugares de Sassá e Karine. Neste primeiro (ou segundo) teste, não deu nada certo.    

sábado, 10 de janeiro de 2015

Ano novo, mesmos problemas


Alguns dias de descanso, outros tantos de trabalho. A parada na Superliga ao final do ano poderia servir para alguns times arrumarem a casa – e outros esperarem por um milagre. Mas, pelo que a primeira semana de 2015 mostrou, tanto na SL como na Copa do Brasil, as coisas continuam as mesmas.


São Bernardo 2x3 Brasília


Na Superliga, acompanhei a partida do Brasília contra o São Bernardo.

É duro assistir às partidas do Brasília e ter que ver jogadoras como Paula e Elisângela jogando tão mal. A Paula chegou a ser substituída pela Bruninha. O diminutivo no nome não é só uma forma carinhosa de chamá-la, é porque ela é baixinha (para os padrões do vôlei, claro): 1,71m.

Quando a Bruninha entrou, pensei que era uma líbero improvisada como ponteira, que estava entrando para melhorar o passe. Mas a Bruninha, no alto dos 1,71m e jogando menos sets que a Paula, fez mais pontos no ataque do que a veterana jogadora da seleção.

Enfim, não vou me alongar mais falando do Brasília, só vou dizer que é um time que se resume às centrais: o ataque da Roberta e o bloqueio da Angélica. 
 
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Copa Brasil
 
Molico/Osasco 3x2 Brasília

E foi o limitado time do Brasília que o Molico enfrentou na estreia da Copa Brasil. E, para surpresa minha, teve imensas dificuldades para vencê-lo e conseguir a classificação para as semifinais.

Depois de um final de primeiro turno atribulado e uma estreia desastrosa no Top Volley, pensei que o Molico tinha se reestruturado durante a competição na suíça. O Luizomar parecia ter encontrado um equilíbrio na composição do trio das pontas, além de recuperado a confiança da equipe. O Osasco voltou à SL vencendo bem o Maranhão, apesar de não contar com Dani Lins, Carcaces e Thaísa.

Por isso, esperava um Molico, mesmo ainda sem suas principais jogadoras, mais regular e forte, impondo seu jogo contra o Brasília. A impressão que passou é que o confuso time que terminou a SL em 2014 retornou às quadras em 2015. 

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Pinheiros 3x0 Dentil/Praia Clube

Para terminar a sessão dos times que entram o ano com os mesmos problemas, temos o Praia Clube. A partida mais interessante desta fase de quartas da Copa Brasil era sem dúvida entre o Praia e o Pinheiros, 4º e 5º colocados na SL.

Expectativa: disputa equilibrada. Realidade: vitória fácil do Pinheiros.

Sem maiores informações sobre o jogo, fica difícil comentar a não ser: por que, raios, a Copa Brasil não tem um hotsite igual ao da Superliga? 
 
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As semifinais da Copa Brasil são, na teoria, jogos bem interessantes:

Rexona x Pinheiros

Molico x Sesi

Se o Molico não tiver de volta ao menos um reforço das três afastadas, fica difícil ir para a final. Primeiro, porque o Sesi é o seu grande carrasco. Segundo, sem individualidades que compensem, o time do Talmo ganha na organização do grupo.

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Resultados da Copa Brasil:
Rexona-Ades 3x0 São Cristóvão Saúde/São Caetano

Sesi 3x0 Camponesa/Minas

 
Demais resultados da 1ª rodada do returno da SL:

Molico/Osasco 3x0 Maranhão/Cemar

Dentil/Praia Clube 3x0 Equibrasil/Rio do Sul

São Cristóvão Saúde/São Caetano 3x1 Uniara/Afav

Sesi 3x0 São José dos Campos


 

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

A liderança para o melhor ataque



Sesi 1x3 Rexona

Primeiro, quero pedir desculpas pela demora em atualizar o Papo. 

A liderança do primeiro turno da SL ficou nas mãos do time mais merecedor. O Rexona demorou a engrenar, se complicou em partidas consideradas fáceis, mas chegou ao final desta primeira fase como o time que apresentou o melhor equilíbrio entre conjunto e forças individuais.

Talvez o Molico/Osasco pudesse brigar por este “título”, mas os desfalques das últimas rodadas derrubaram tanto o conjunto quanto as individualidades. E pior: mostrou uma equipe pouco estável emocionamente.


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O Rexona erra demais (contra o Sesi foram 32!), mas tem a seu favor uma qualidade em falta nesta SL: a eficiência do ataque. Enquanto a maioria das equipes sofre com o baixo aproveitamento de suas atacantes ou a dependência de uma jogadora, o Rexona tem repertório e conta com a ótima fase das suas atletas.

Antes de começar a temporada, o ataque carioca era uma incógnita. Gabi não tinha feito uma SL muito inspirada; Natália era considerada um caso perdido; e não se sabia se a Andreia conseguiria repetir o mesmo rendimento que apresentou no Pinheiros numa equipe de maior peso.

No fim do primeiro turno temos uma Gabi super regular, voando fisicamente e sendo, invariavelmente, a maior pontuadora da equipe a cada partida. A Natália recuperou aquela força de ataque que tanto a caracterizava e é a bola de segurança nas horas decisivas. 

A única que não deu resultado foi a Andreia. Mas a sua substituta, a Bruna, tem sido uma boa surpresa. Amparada por Gabi e Natália, ela vai, aos poucos, adquirindo confiança. 

E tem ainda a ótima opção com as centrais, principalmente com a Jucy. Opção que a Fofão tem conseguido utilizar mais nesta temporada já que a dupla de ponteiras, depois de um início ruim, tem conseguido manter uma certa regularidade no passe.

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Apesar de ser a melhor equipe do primeiro turno, o Rexona não tira um troféu do Sesi. A equipe paulista ainda é a mais regular - até porque as cariocas cometem muitos erros. O time do Talmo, incrivelmente, é o mais concentrado e disciplinado.

Faltou nesta partida contra o Rexona, um melhor aproveitamento dos contra-ataques e mais agressividade no saque. E aí, a falta da Monique pesou. E mais ainda: a escolha pela Bárbara para substituir a oposto pesou. 

Adaptada no papel de oposta, a Bárbara praticamente só é opção para a levantadora na virada de bola. Nos contra-ataques, ela não é a mais indicada para virar as bolas altas e empinadas que normalmente são armadas nesta situação. Ou seja, a escolha da levantadora fica bem restrita. 

Também acho que a Fabiana não teve uma boa atuação no ataque.Talvez seja falta de prática, já que não tem sido tão acionada nesta SL. A jogadora está sendo subaproveitada. O entrosamento com a Dani Lins tornou a Fabiana uma das senão a principal atacante do Sesi na temporada passada. A Dani puxava bolas com ela impressionantes. Agora, a central está esquecida. Vai ser fundamental que a sintonia entre ela e a Carol seja afinada para que o já difícil desfalque da Monique não se torne um obstáculo maior ainda.



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Demais resultados da 13ª rodada:

Brasília 3x0 Uniara/Afav

São Cristóvão Saúde/são Caetano 1x3 Camponesa/Minas

Pinheiros 3x0 Rio do Sul/Equibrasil

Dentil/Praia Clube 3x0 Maranhão/Cemar

Molico/Osasco 3x0 São José dos Campos


- Depois de dar uma folga às titulares contra o São José dos Campos, o treinador do Praia, Picinin, resolveu mudar a composição do time na partida contra o Maranhão. Colocou a Webster no lugar da Ju Costa, deslocando novamente a Tandara para ser ponteira passadora. A atitude foi boa, mas o time continuou todo voltado à Tandara. Agora o Picinin tem que incentivar a Karine a colocar a Webster pra jogar, até para ver se ela rende e se tem condições de ser uma verdadeira opção de ataque.


- Quero parabenizar a Nestlé pela homenagem ao grupo campeão mundial de clubes em 1994, o Leite Moça/Nestlé, no domingo, na partida do Molico.

É tão raro vermos uma ação de marketing no vôlei que resgate a história de um clube - da mesma forma que são raros os patrocinadores ou times que tenham, no Brasil, uma história a contar ou a preservar.

A homenagem ao supertime de 94 provocou uma série de lembranças em mim, como imagino que em inúmeros torcedores daquela época. Foi o time do Leite Moça e a seleção brasileira daquele ano que me fizeram acompanhar o vôlei.

A história dos times e dos atletas brasileiros é mal cuidada, muito pouco valorizada. Por isso, muito legal a sacada da Nestlé. Tratou com carinho um esporte que faz parte da vida de milhões de pessoas.


sábado, 20 de dezembro de 2014

Que fase...

Rexona/Ades 3x0 Molico/Osasco
 
Que fase a do Molico/Osasco... Na hora que chegaram os principais confrontos do primeiro turno da SL, o time perdeu duas jogadoras essenciais: Dani Lins, contra o Sesi, e Carcaces, contra o Rexona.

Uma pena. Os desfalques acabaram por comprometer o equilíbrio dos jogos. 
 
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A história da partida contra o Sesi meio que se repetiu ontem contra o Rexona. O aquecimento não foi responsável somente por tirar Dani Lins e Carcaces do jogo, foi responsável por tirar TODO o time da partida.

A ausência da cubana, assim como da levantadora, desmontou a equipe. Primeiro, pelo motivo mais óbvio: sem o entrosamento entre Diana e as centrais, o Molico ficou sem ataque. As bolas lentas e empinadas da Diana não são as ideais para a Samara. Assim, sobrou para Mari e Ivna a responsabilidade de virar as bolas – e elas decepcionaram.

Quer dizer, não sei se “decepcionar” é a palavra certa no caso da Ivna. Sinceramente, não espero grande coisa dela e o fato de ter pipocado quando o time mais precisou dela não me surpreende. Até a Adenízia conseguiu ter uma aproveitamento melhor atacando pela saída.

Eu sei que o “pipocado” é uma palavra forte, mas a Ivna não é jogadora de decisão e de assumir a responsabilidade de carregar um ataque – coisa que uma oposto tem que fazer. Portanto, não entendi a demora do Luizomar em colocar a Gabi na partida.

Somente quando ela entrou, o Molico conseguiu ter uma saída de ataque seja na virada de bola ou nos contra-ataques. Mesmo defendendo bem, o Osasco não aproveitava as bolas de contra-ataque, o que o Rexona fez muito bem.

E aqui há de se fazer um aparte: a entrada da Gabi ajudou o Osasco a equilibrar o terceiro set. Mas a recuperação foi atrapalhada por duas marcações equivocadas do árbitro. Aí o time se perdeu novamente. Sabe-se lá como teria sido o restante da parcial se o árbitro não quisesse puxar para si tantas decisões, contrariando as dos auxiliares. 

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O Molico também deixou, de novo, que a ausência de uma jogadora afetasse o desempenho dos outros fundamentos. O bloqueio inexistiu, o passe com Mari e Samara não foi legal, e o saque foi muito inconstante. A Fofão jogou a maior parte do tempo com o passe na mão.

E explorar a fragilidade da recepção carioca poderia ter sido uma boa saída para o Molico – até mesmo para aliviar a pressão que o Rexona impôs durante quase toda a partida. Os melhores momentos de Osasco foi quando ele conseguiu quebra o passe adversário.

O Rexona, ao contrário do Sesi, não é um time muito regular. Ele dá suas escorregadas no passe, comete bastante erros. Ou seja, havia um espaço a ser explorado pelo Molico. 

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Apesar de não ser um exemplo de regularidade, o Rexona tem mostrado um repertório de ataque muito bom. Parte deste mérito está nas mãos da Fofão, que, ao contrário da temporada passada, tem conseguido jogar com um passe de melhor qualidade. A outra, é na boa fase das suas atacantes. Gabi, Natália e Jucy, com boas atuações, têm conseguido dar esta segurança pra Fofão. E, ontem, a Bruna voltou a virar bem, o que só enriqueceu as opções da levantadora. 
 
O Rexona, assim, acaba sempre por ter uma saída pro ataque. Um valor importantíssimo para a disputa de uma SL na qual este fundamento tem sido a principal dificuldade de muitos times. 

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Demais resultados da 12ª rodada da SL:

São José dos Campos 0x3 Dentil/Praia Clube

Maranhão/Cemar 0x3 Pinheiros

Rio do Sul/Equibrasil 1x3 São Cristóvão Saúde/São Caetano

Camponesa/Minas 1x3 Brasília

Uniara/Afav 1x3 São Bernardo Vôlei 


- Nos comentários do último post, falávamos na possibilidade do Minas, com as alterações feitas pelo Quiroga, brigar pela quinta posição com Pinheiros e Praia Clube. Se tivéssemos esperado mais uma rodada, talvez não teríamos perspectivas tão positivas em relação ao clube mineiro.

Acontece que a Mari Paraíba, depois de uma boa partida como oposta contra o São Bernardo, não rendeu e deixou o time na mão no ataque. Mas não foi só isso. O Brasília foi mais qualificado, e pontuou mais no bloqueio e no saque. Não entendo como o Minas não conseguiu responder na mesma moeda.

O Brasília é um time fácil de ser marcado. Sei que o ataque mineiro não é dos mais inspirados, mas o do Brasília também não. Ele é comandado por um central, a Roberta. Quando se anula as jogadas com ela (seja por um bom saque que impeça ela ser acionada ou mesmo ajude a marcação dela, seja pelo bloqueio), o Brasília praticamente acaba. 


- Na próxima e última rodada da primeira fase da SL vai cair um invicto: Sesi e Rexona se enfrentam na segunda-feira. Acho que, desta vez, o desfalque da Monique vai pesar de verdade para o Sesi.

E o Molico pode respirar aliviado: joga contra o lanterna São José dos Campos. 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Molico não existe sem você, Dani Lins

 
 Molico/Osasco 0x3 Sesi
 
Carro sem estrada, queijo sem goiabada e Molico sem Dani Lins. Não rima, mas resume bem: o Osasco não existe sem sua levantadora titular.

O Molico se perdeu completamente sem a Dani Lins em quadra. Se, historicamente, o time tem dificuldades de enfrentar o Sesi, o desfalque da levantadora agravou ainda mais.

A bolas da Diana era muito lentas, o que comprometeu todas as atacantes. Sem entrosamento com Adenízia e Thaísa, a levantadora ficou com o repertório muito limitado e deu um prato cheio para o bloqueio do Sesi - 19 pontos! 
 
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A Diana não é má levantadora, mas não estava preparada para a responsabilidade. Começou bem, tentando mostrar confiança com uma bola de segunda. Mas as dificuldades do jogo e a falta de apoio das suas colegas minaram a sua tranquilidade.

A atuação dela me lembrou muito a da Ju Carrijo contra o Sesi, na decisão das quartas na temporada passada. Aos poucos tudo começou a sair do controle e desandou. Nada do que o Luizomar dissesse para ela adiantava. Talvez até, o melhor teria sido esquecê-la durante os tempos técnicos, para não pressioná-la muito. Sei lá, sabe como é... quanto mais se diz e se aconselham uma coisa, mais a pessoa trava e não consegue fazer.

Só acho que a atuação da Diana não é desculpa para a má atuação das outras jogadoras em outros fundamentos. Todas elas sentiram demais a notícia de última hora que a Dani não iria jogar. Entraram preocupadas, tensas e não mostraram companheirismo com sua colega. Ficaram tão presas à falta de sintonia entre elas e a Diana que esqueceram de fazer, cada uma, a sua parte. Saque e bloqueio, fundamentos que o Molico é muito bom, não apareceram. E a recepção comprometeu também, mostrando o nervosismo de todo o time. 

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Do outro lado da quadra, o desfalque da Monique não pesou tanto. Certamente se o Molico estivesse com a escalação completa, o Sesi iria sentir mais falta da sua oposto. De qualquer forma, Mari, Suelle e Fabiana fizeram que nos esquecêssemos que a Monique não estava em quadra.

Confesso que não concordo com a opção do Talmo em colocar a Bárbara como oposto. Eu iria pelo caminho mais simples, escalaria a Pri Daroit. Ainda acho que esta é a melhor opção, principalmente quando o Sesi precisar de mais força de ataque. Ontem, não foi o caso e a Bárbara deu conta do recado.

Agora, mesmo com todos os contratempos nas duas equipes e, principalmente, o efeito que o desfalque da Dani Lins causou no Molico, não dá para deixar de aplaudir, novamente, a aplicação tática do Sesi. Como sempre, anulou o Molico e se manteve muito regular. É, até o momento, a equipe mais organizada da competição. 

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Demais resultados da 11ª rodada:
 
São Bernardo Vôlei 0x3 Camponesa/Minas
 
Brasília 3x0 Rio do Sul/Equibrasil
 
São Cristóvão Saúde/ São Caetano 3x2 Maranhão/Cemar  
 
Pinheiros 3x0 São José dos Campos
 
 

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

É hora de pensar em mudanças


Dentil/Praia Clube 0x3 Rexona

O torcedor do Praia deve estar morrendo de saudades da Ramirez. Depois da saída da cubana o ataque do time ficou tão previsível que fica fácil para qualquer adversário marcar – a não ser quando a Tandara se encontra numa noite super inspirada.

Ontem, contra o Rexona, a Tandara foi “normal”: carregou o piano mas uma vez, mas não conseguiu fazer milagres. Assim, o esforço que o Praia tinha que fazer para pontuar era três vezes maior do que o Rexona, que abria ou recuperava vantagens no placar com certa facilidade.

Concordo com o comentário do Eduardo, participante do blog, que enquanto a Ramirez não volta, o Picinin deveria utilizar mais a Webster. Ela tem entrado bem, mas acaba por ser muito pouco aproveitada. Ele deveria pensar numa composição com Tandara e Webster. Quem sabe dá certo? 

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Agora, a dificuldade do ataque não é o único problema do Praia. Mesmo quando a Ramirez voltar, ela não vai mudar uma realidade: o time não é um bom conjunto. Falta bloqueio, defesa e organização no contra-ataque.

E aí a responsa cai no colo do Picinin. Algumas mudanças e reflexões são necessárias. Primeiro, Letícia Hage. Vou ser repetitiva, mas ela tem sido a melhor central e não há motivo para ela não ser titular. O Praia precisa aumentar o seu bloqueio!

Segundo, Karine. Ela não tem tido boas atuações. A impressão que tenho é que ela escolhe as jogadas por impulso – o mesmo que a Ju Carrijo, a sua reserva. Mas o principal problema está na falta de precisão dos levantamentos que, nos contra-ataques, está comprometendo.

Picinin poderia lançar mão mais vezes durante as partidas da Ju Carrijo ou mesmo dar a ela uma nova oportunidade como titular. Apesar de repetir as escalações, o time não evolui, não ganha corpo. Picinin tem que tentar outras opções. 




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Para não esquecer do Rexona:

O desempenho foi inferior ao apresentado contra o Pinheiros, principalmente na recepção. As bobeadas no passe deram brecha para o Praia crescer na partida.

Mas o time é rico em opções de ataque e a Fofão se esforça para aproveitá-las sempre e as atacantes correspondem bem. A única que tem deixado a desejar, depois de um começo bom quando desbancou a Andreia, é a Bruna.

Na partida, Natália foi bem novamente nas horas decisivas, mas a Gabi foi a melhor saída de ataque. Para mim, é a dupla de ponteiras mais forte e equilibrada da SL até o momento.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Enfim, um jogão


Rexonada/Ades 3x0 Pinheiros


Depois de tantos encontros de favoritos nestas duas últimas rodadas - e muitas expectativas frustradas -, tivemos, enfim, uma partida que mereceu ser chamada de “jogão”. Rexona e Pinheiros pode ter sido um 3 a 0, mas foi de alto nível, muito bem jogado por ambas equipes.

Os pontos que cada uma conquistou foram muito mais por mérito próprio do que por erros dos adversários. E foi isso que fez a partida tão bonita, além da série de belas defesas das líberos e de ataques de Natália, Jucy, Rosamaria e etc. 


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Os sets foram equilibrados até a sua parte final quando a maior efetividade do ataque do Rexona fez a diferença. Fora a Rosamaria, as demais atacantes de ponta do Pinheiros tiveram um baixíssimo aproveitamento. A oposto, aliás, fez dois sets impecáveis neste sentido, mas cansou no terceiro.

O Rexona também demorou para concentrar a força do bloqueio e achar o tempo da Rosamaria. Quando o fez, obviamente dobrou a dificuldade do ataque paulista que não conseguiu jogar com a velocidade que precisa, muito por conta dos problemas de passe que o Rexona impôs com um saque consistente durante toda a partida.

O Pinheiros não soube usar do mesmo recurso. O saque só teve maior efeito no passe carioca no terceiro set. No mais, o Rexona teve uma recepção estável, o que permitiu a Fofão equilibrar a distribuição das jogadas. Com mais recursos e opções, virar a bola não foi dificuldade para o Rexona. E nos momentos mais de aperto, a Natália respondeu muito bem. 


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Depois de ter perdido um set na disputa contra o São Caetano na última rodada, pensei que o Rexona pudesse se complicar contra o Pinheiros. Mas não. Mesmo jogando contra uma equipe de maior qualidade, não bobeou e apresentou um belo voleibol. Acho que nesta temporada, o time carioca entrou nos eixos mais cedo e já está mostrando a sua cara - e está mais forte do que se imaginava. 


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Demais jogos da 10ª rodada da SL:

São José dos Campos 1x3 São Cristóvão Saúde/São Caetano

Maranhão/Cemar 1x3 Brasília

Rio do Sul 3x0 São Bernardo

Camponesa/Minas 3x0 Uniara/Afav