sábado, 28 de fevereiro de 2015

De olho no topo da tabela


Molico/Osasco 3x0 Dentil/Praia Clube
 
O Molico/Osasco precisava de uma vitória convincente para afastar as desconfianças em torno do time. Conseguiu em parte. O time mostrou algumas fragilidades – que vamos comentar a seguir -, mas fixou a barra que separa as mulheres das meninas na SL, deixando claro que há uma diferença de qualidade a partir da terceira colocação para cima. 
 
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Não foi uma partida do ataque. Tanto Praia como Osasco tiveram que lidar com muitos erros por parte das suas atacantes. O Praia começou com uma boa variação de jogadas e um bom aproveitamento da Ramirez e Tandara. O fôlego, no entanto, principalmente da cubana, caiu, deixando a virada de bola mineira mais complicada.

O Osasco, infelizmente, não conseguiu explorar suas jogadas com as centrais – muito por causa do passe, problema que o Praia também enfrentou. Mas teve um equilíbrio na distribuição entre a Ivna e a Carcaces e a dupla respondeu bem melhor que adversária. Ainda assim, houve momentos no jogo, sobretudo no início dos dois primeiros sets, que o ataque deu de graça pontos em erros.

No fim, o que fez a diferença a favor do Osasco foi o bloqueio – além do maior número de erros do Praia. Com um bom saque, o paredão paulista meteu pressão contra as mineiras. O Praia, no entanto, não conseguiu responder na mesma moeda, apesar de ter tido um saque agressivo. 
 
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O Praia Clube bem que tentou, mas a realidade veio bater à porta. Dificuldade no ataque, muitos erros, bloqueio inexistente: os mesmos problemas de toda a SL apareceram na partida de ontem. O time mostrou que não tem estofo para almejar mais do que alcançou até agora. Nos momentos mais importantes, se quebrou. Cometeu erros e construiu o caminho para que o Osasco, calejado e rodado, se recuperasse na partida.

A partir de agora, Osasco mira pra cima, em busca da vice-liderança. 

 
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Demais resultados da 9ª rodada do returno:

Rio do Sul/Equibrasil 3x2 Uniara/Afav

Maranhão/Cemar 3x0 São Bernardo

São José dos Campos 0x3 Brasília

Rexona 3x1 São Cristóvão Saúde/São Caetano

Sesi 3x1 Pinheiros

- O Sesi quase se atrapalhou contra o Pinheiros, mas o banco ajudou o time a conquistar uma vitória importante. Destaque para Fabizona que foi uma das principais atacantes e bloqueadoras da partida. Com Pri Daroit e Bárbara em dificuldade de pontuar, Suelle assumiu a responsa e também se destacou. E, a melhor notícia, o jogo marcou a volta da Monique em quadra. Reforço importantíssimo para o Sesi nesta hora final da SL.

Já o Pinheiros, como sabemos, enfrenta uma sequência difícil ao mesmo tempo que precisa mostrar sinais de que ainda tem lenha para queimar na SL. Mais uma vez, a Rosamaria, peça importante do time, não correspondeu. Sem a Renatinha no banco, o Wagão fica engessado e o Pinheiros limitado.

- A Érika está fora da SL. Fraturou o dedo na partida desta sexta-feira. Uma grande perda para o Brasília que, com ela em quadra ao lado da Michelle, tinha encontrado um equilíbrio.

- O Rexona ainda luta neste returno para não deixar cair o seu rendimento. Acontece que não está conseguindo. As bobeadas estão custando suor e sets, como este contra o Sanca.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Brasília ainda vive

Brasília 1x3 Rexona 

Eu já tinha desistido do Brasília, mas as meninas do Sérgio Negrão me mostraram que as larguei de mão cedo demais. Nesta retomada da competição, o time fez os líderes Sesi e Rexona suarem para vencê-las.

Acontece que a combinação Érika e Michele deu estabilidade na recepção e muito mais volume de jogo ao time. E o melhor: as duas começaram a pontuar no ataque e minimizando a principal dificuldade da equipe.

O Brasília continua com limitações, não consegue manter o ritmo durante toda partida, suas jogadoras, principalmente a Elisângela, perdem o fôlego. Mas se tornou um time mais competitivo. Tarde demais para mudar sua posição na tabela, mas o suficiente para tornas as quartas-de-final mais emocionantes.


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Não é de surpreender que o foco deste post seja o Brasília mesmo ele tendo sido o derrotado na partida. Isso porque foi um dos únicos pontos positivos dela. 
O outro foram os dois sistemas defensivos. O do Rexona demorou a engrenar, mas, a partir do segundo set, ambas as equipes deram show e tornaram cada ponto bem disputado.

Não por acaso, saiu vencedor o time que melhor soube aproveitar os contra-ataques, no caso, o Rexona. As entradas de Bruna e Régis (sempre ela!) foram fundamentais para isso, já que as titulares Natália e Andreia não começaram bem e a Gabi sofreu com falta de entrosamento com a Roberta.

Ainda assim, nenhuma das substitutas evitou que o time fizesse uma de suas partidas mais irregulares na competição. Aos trancos e barrancos, e à base dos erros adversários e de um banco competente, o Rexona trouxe mais uma vitória (suada) para casa. 

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Demais resultados da 8ª rodada do returno:

Pinheiros 2x3 Molico/Osasco

São Cristóvão Saúde/São Caetano 0x3 Sesi

São Bernardo 3x0 São José dos Campos

Uniara/Afav 1x3 Maranhão/Cemar

Camponesa/Minas 3x1 Rio do Sul/Equibrasil 


- O confronto entre Pinheiros e Molico era o mais interessante da rodada e o resultado comprovou isso. Primeiro, bom saber que o jogo contra o Praia foi somente um cochilo do Pinheiros e o time acordou novamente para a SL – ainda que não tenha conseguido segurar a vantagem de 2x0 em sets que abriu...

Segundo, não sei se a vitória de virada do Osasco dá alguma moral ao time, mas, ao menos – e mais importante - evitou o efeito contrário. Se perdesse, o Osasco se enrolaria demais na classificação e intensificaria a má fase.

Pelo que li, a recuperação do Osasco na partida passou pela “entrada” das centrais no jogo. Juntamente com a Carcaces, Thaisa e Adenízia foram as principais pontuadoras. Ou seja, reforça o que temos falado há tempos: o Osasco não pode, de maneira alguma, esquecer das suas meio-de- rede, elas fazem parte da essência do modo de jogar do time. 

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Ressaca pós-Carnaval


É, acho que esta pausa para o feriado momesco não fez bem a alguns times da Superliga. Estão de ressaca pós-Carnaval. A ver: Molico venceu o Sanca somente no quinto set; Sesi suou para ganhar do Brasília; e o Pinheiros... bom, este se perdeu em algum bloco de rua e não apareceu na rodada.

 
Dentil/Praia Clube 3x0 Pinheiros

Disparado, a melhor atuação do Praia na SL 14/15. Cometeu muitos erros no primeiro set, mas, do segundo em diante, foi perfeito.

Ainda que a Karine tenha feito uma distribuição muito focada numa só jogadora – no caso, a Ramirez -, todas que foram acionadas viraram com facilidade. O time aproveitou muito bem os contra-ataques, por isso conseguiu manter as vantagens que construía com tranquilidade. 


A defesa esteve muito bem - nunca vi a Tandara defender tanto. O bloqueio também funcionou desde o início da partida. A Ramirez simplesmente acabou com a moral da Ellen, bloqueando-a inúmeras vezes consecutivas.

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Agora, é realmente difícil dizer o quanto da vitória pode ser atribuída ao Praia e o quanto pode ser ao Pinheiros. Eu não consigo identificar se o que o Praia apresentou representa, de fato, uma evolução do time.

Isso porque o Pinheiros simplesmente inexistiu. Nada deu certo no time do Wagão.

Primeiro, o time demorou para acertar a marcação das jogadoras do Praia – tanto no bloqueio como na defesa. Esteve tão mal a ponto de não conseguir marcar a Ju Costa. No segundo set, era mandar bola para ela que que o ponto estava garantido. No momento que a Ju Costa vira a principal atacante e vira com tamanha tranquilidade, é porque o seu time tem sérios problemas.

Depois, melhorou um pouco a marcação, mas manteve os problemas na recepção e no aproveitamento no ataque. O Wagão falou e falou com a Macris, mas não sei se era a levantadora o problema. No primeiro set, até diria que sim. Faltou velocidade nas jogadas. Depois, acho que ela fez o que pôde com o passe que recebia e não teve culpa das dificuldades das suas atacantes em driblar o bloqueio. 


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Eu pensei que a parada no calendário fosse ajudar o Pinheiros, que vinha numa série pesada de jogos e mostrava os primeiros sinais de desgaste. Mas a pausa parece ter tirado a equipe totalmente de prumo, exatamente agora que chegam os confrontos mais importantes.

Na verdade, este resultado me deixou bem confusa. Ainda não sei o que esperar desses dois times no restante da competição.

Só sei que o Praia venceu um confronto direto importantíssimo no momento em que, tanto ele como Pinheiros, pegam, na sequência, os três melhores da SL (Molico, Sesi e Rexona). Enquanto isso, o Minas, que já passou por isso no início do segundo turno e fez a sua parte, agora encontra uma tabela bem mais amigável para pontuar e subir na classificação.


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Demais resultados da 7ª rodada:

Maranhão/Cemar 1x3 Camponesa/Minas

São José dos Campos 2x3 Uniara/Afav

Rexona 3x0 São Bernardo

Sesi 3x2 Brasília

Molico/Osasco 3x2 São Cristóvão/São Caetano

domingo, 8 de fevereiro de 2015

O trio que deu o Bi ao Rexona

Rexona 3x1 Molico/Osasco

O Sul-americano é um campeonato de uma partida só, infelizmente. As equipes brasileiras jogam a semana inteira para cumprir tabela e se preparar para a final. Receei que essa diferença de qualidade entre os jogos classificatórios e a decisão pudesse prejudicar o desempenho de Molico e Rexona. Mas os times até que fizeram uma boa final, revivendo, em parte, a rivalidade de Rio e Osasco que estava meio fora de moda ultimamente.

Para se fazer uma análise mais justa, tem que se considerar somente o segundo e terceiro sets, pois mostraram “a real” de cada equipe. E neste miolo da partida, o Rexona foi superior em 3 aspectos, que o levaram ao bi do campeonato:

- Poder de definição no ataque. Depois de um primeiro set ruim, a Natália voltou pontuando e variando o seu ataque, dando segurança na definição das jogadas ao time. A Gabi, apesar da má atuação na recepção, explorou muito bem o bloqueio pesado do Osasco.

A Andreia iniciou o segundo set como titular e virou com facilidade as primeiras bolas, que ajudaram o ataque carioca a recuperar a confiança. Não foi a principal atacante, mas não desperdiçou bolas e manteve o bom nível de aproveitamento do trio pelas pontas.

O mesmo não se pode dizer do Osasco, que ficou meio capenga neste sentido. Mari atuou bem como oposto (e espero que permaneça como titular), mas Gabi não colaborou e Carcaces, ainda que a principal pontuadora, deu pontos importantes em erros.

- A distribuição do ataque foi mais homogênea e inteligente por parte da Fofão. Enquanto a levantadora carioca conseguiu, a partir do segundo set, colocar cada vez mais suas centrais na partida, o Osasco foi, aos poucos, esquecendo as jogadas com as centrais. Para mim, a qualidade do passe não é desculpa, pois nenhuma das equipes teve uma recepção regular. Acho que a Dani Lins foi perdendo a confiança, assim como todo o time, ao longo da partida e deixou de forçar estas bolas tão importantes para o Osasco.

Desencucado com a opção de ataque pelo meio, o bloqueio do Rexona, que estava preso à possibilidade dessas bolas, cresceu e equilibrou a disputa em um fundamento no qual, até então, o Osasco tinha vantagem.

- Defensivamente o Rexona foi melhor. Foi um time mais atento e, também, mais organizado na armação dos contra-ataques. Fabi fez uma grande partida junto com a Fofão e a Natália. O Molico parecia mais lento na reação para a defesa, além de bobear nas largadas da Natália. Acho que a presença da Mari fragiliza o time neste ponto. 



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Admito que o primeiro set avassalador quase me fez acreditar que a final do Sul-americano representaria o renascimento do Molico na temporada. Não foi. O time mostrou ainda algumas fragilidades que preocupam – principalmente na questão anímica, é um time que acusa o golpe muito fácil.

Mas o Osasco não está longe de recuperar sua combatividade. Os retornos de Dani Lins e Thaísa ainda podem render muito mais e trazer o time mais próximo daquilo que sempre o caracterizou, de ter uma jogada forte pelo meio.

Acho também que o Luizomar encontrou a formação ideal do time, com Gabi e Mari ao lado Carcaces, e deve bancá-la. Chega de troca-troca. Para o Luizomar, ultimamente, esta é a única saída quando o time vai mal, e não é. Hoje mesmo no início do quarto set, quando o Osasco foi bloqueado uma bola atrás da outra, ele fez trocas simples (Mari pela Ivna; Adenízia pela Lara) quando o problema não estava na definição e sim na armação e opção das jogadas – o que uma simples orientação ajudaria. Se quisesse trocar jogadoras, que fizesse uma inversão. 

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No caso do Rexona, é um time com potencial para crescer muito mais. Parte deste crescimento passa por uma melhora na recepção. Até agora o time tem se valido demais da competência da Gabi e da Natália no ataque, mas desperdiça duas boas opções com a Jucy e a Ana Carol quando o passe não funciona legal. 

Além disso, há um ponto de interrogação na posição de oposto que tem pesado contra o time. Bruna não anda bem e Andreia voltou há pouco para brigar pela posição. O Rexona não precisa de uma oposto carregadora de piano, mas ao menos alguém que divida a responsabilidade com a Natália e a Gabi e segure as pontas quando uma das duas não está bem. 

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A gravidez da Tandara

Quando a gente comenta um assunto como esse, podemos sempre ser um pouco insensíveis. Por isso, já peço desculpas se meu comentário se ativer mais as consequências esportivas da gravidez da Tandara do que às humanas e afetivas.

Efetivamente, o afastamento da Tandara não vai afetar a seleção. A trajetória da jogadora no time nacional tem sofrido com tanta falta de sequência que, desde 2012, não sabemos o quanto, objetivamente, ela contribui. Até agora, por diversos motivos, a Tandara dos clubes não apareceu na seleção.

Portanto, no presente, faz pouca diferença. O que se pode lamentar é o potencial que, mais uma vez, não poderá ser desenvolvido na seleção. Era mais uma chance que ela tinha de, quem sabe, finalmente, lutar pela titularidade com a Sheilla ou a Garay ou quem fosse. Talvez, num futuro pós-Rio 2016, isso sim faça falta para o Brasil.

sábado, 31 de janeiro de 2015

As boas novas do Praia


Dentil/Praia Clube 3x1 Brasília

Não era bem esta partida que queríamos assistir, mas vamos lá...

Praia e Brasília são as equipes que mais decepcionaram nesta Superliga. O Praia era para estar, com seu elenco, brigando pelos dois primeiros lugares da competição. O Brasília, por sua vez, poderia ser daquele grupo que, organizado, desse trabalho aos favoritos. Infelizmente não é esta a realidade.


Mas devo dizer que, apesar de ainda não me convencer, o Praia, ontem, mostrou pontos positivos. Até o momento, o time de Uberlândia era muito dependente de uma jogadora, normalmente a Tandara ou a Ramirez. Dificilmente as duas dividiam a responsabilidade no ataque com mais equilíbrio. Ontem, porém, não foi assim. A cubana foi a maior pontuadora, mas Tandara não ficou muito atrás. Letícia Hage também foi outra boa opção de ataque. Ou seja, o jogo do Praia fluiu melhor.

O bloqueio, que era um problema sério do Praia, também foi um fundamento importante contra o Brasília. A presença da Letícia Hage, que, finalmente, está como titular desde a última rodada, ajudou neste sentido. 
A pergunta que fica agora é: será que estas "boas novas" vão durar?

O Brasília também surpreendeu por um lado positivo: cometeu poucos erros. Mas não foi suficiente para equilibrar a partida porque continuou pouco efetivo no ataque e no bloqueio. O Brasília vai acabar a competição sem encontrar um ponto de equilíbrio. Quando erra demais, é agressivo; quando é regular, é pouco ofensivo.


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Rexona 3x2 Camponesa/Minas 


Deve ter sido um belo jogo. Como prevíamos, o Rexona teve muito trabalho para vencer as empolgadas meninas do Minas.

A missão ficou ainda mais complicada porque Gabi ficou sozinha no ataque. Bruna, mais um vez, “durou” pouco, caiu de rendimento durante a partida. A Natália não foi bem, sendo substituída logo no terceiro set. Ainda bem que a volta da Fofão trouxe as centrais novamente para o repertório do ataque carioca.

A sorte do Rexona foi que o Minas teve a mesma dificuldade. A Jaqueline também teve que carregar quase que sozinha o ataque mineiro - e ainda foi menos eficiente que a rival Gabi.

Aí a diferença acabou sendo no número de pontos em erros e de saque. E neste quesito, pesou a força do elenco carioca: a Régis entrou e fez a diferença no saque, além de ter mantido uma boa base no passe. Ao contrário do que se poderia imaginar, a recepção do Rexona foi mais regular do que a mineira.

O Rexona tem se mostrado mais frágil do que no primeiro turno. O time amadureceu, nesta temporada, muito mais rápido do que os adversários. Talvez exatamente por isso, o início de ano esteja sendo mais difícil. Os adversários estão chegando somente agora, depois de um primeiro turno de experimentos, a um ponto de maior desenvolvimento. O Rexona está sendo mais desafiado e vai precisar dar um passo adiante se não quiser ser ultrapassado. 


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Demais resultados da 5ª rodada do returno: 


São José dos Campos 1x3 Rio do Sul/Equibrasil

Sesi 3x0 Uniara/Afav

Molico/Osasco 3x0 São Bernardo

Pinheiros 3x2 São Cristóvão/São Caetano

- Ainda bem que o Pinheiros só volta a jogar dia 20 de fevereiro. A pausa veio em boa hora já que o time está perdendo o fôlego na competição. 


quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Enquanto Rexona tropeça, Minas atropela


Rodada da Superliga repleta de coisas para se comentar. Vamos começar pelo jogo que teve transmissão:

Rio do Sul 1x3 Rexona

Um show de erros em apenas quatro sets por parte das duas equipes. E isso beneficiou o Rio do Sul. O Rexona, com seus inúmeros erros de saque, deixou a vida mais fácil para o time catarinense, que não precisou se preocupar tanto com sua virada de bola.

O Rio do Sul sabe jogar defensivamente e o Rexona permitiu que ele fizesse isso. A defesa com a Ju Paes e o bloqueio com a Mimi Sosa fizeram as cariocas suarem para conquistar uma vitória que poderia ter sido muito mais tranquila.

Aliás, tranquilidade não foi uma palavra que se pôde aplicar ao Rexona. Primeiro, pelos tantos erros que cometeu. Por vezes, parecia desnorteado em quadra, como se estivesse jogando com um adversário muito superior. Segundo, pelo destempero no segundo set numa reclamação com o árbitro.

Ainda bem, para o Rexona, que Gabi e Natália valem por todas as atacantes do Rio do Sul e do próprio time. O jogo poderia ter desandado se não fosse a qualidade no ataque destas meninas. Elas ficaram praticamente sozinhas no ataque quando o jogo engrossou. A Bruna foi a que mais sentiu a reação do Rio do Sul e sumiu da partida. Bernardinho demorou em lançar mão da Andreia – talvez porque ela volta de lesão. E a Roberta acionou pouco as centrais – e quando acionava, a sintonia não era a melhor. 
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Enfim, se o Rexona se complicou contra o Rio do Sul, imagina contra o Minas na sexta-feira. Este confronto ganhou ainda mais graça depois de mais uma vitória das mineiras, desta vez contra o Sesi. Vejamos:

Camponesa/Minas 3x1 Sesi

Acho que o mais bacana desta vitória mineira é que ela foi construída totalmente por méritos próprios e não baseada nos erros do adversário. O Sesi é um time que erra pouco e não deu esta brecha para que as mineiras crescessem, mas elas foram mais eficientes em todos os fundamentos.

O Minas usou muito bem a relação saque-bloqueio e aproveitou a fragilidade na recepção da Pri Daroit. Onze pontos de saque não é pouca coisa, é muito significativo. A opção pela Daroit como titular deu uma reforçada no ataque, já que a Mari Cassemiro começou a apresentar dificuldades em pontuar e o time ainda conta com o desfalque da Monique. Só que a entrada dela custou o equilíbrio na recepção. O Talmo tem que avaliar até que ponto compensa esta troca.

O Minas ganhou muita confiança e está sendo bastante agressivo, independentemente do adversário que enfrenta. Ou seja: cuidado, Rexona. 

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Demais resultados da 4ª rodada do returno: 
 
Brasília Vôlei 2x3 Pinheiros

São Bernardo 0x3 Dentil/Praia Clube

Uniara/Afav 0x3 Molico/Osasco

Maranhão/Cemar 3x0 São José dos Campos


- Osasco respira aliviado depois do retorno de Dani Lins e, com ela, das jogadas com a Thaisa.

- O Pinheiros conseguiu a façanha de levar um jogo ao tie-break mesmo tendo recebido de graça 18 pontos em erros do adversário só nos DOIS primeiros sets. O Brasília entregou, no total, 42 pontos! Basicamente o Pinheiros só teve que ficar em quadra e tentar errar menos que o Brasília.

O mais irônico desta partida é que o Brasília, o time mais sem ataque da competição, superou em muito o Pinheiros, de Rosamaria, em pontos no ataque. Se não fosse o bloqueio paulista compensar esta jornada péssima do ataque, além dos pontos de graça dados ao adversário, o Pinheiros teria a sua segunda derrota no returno.

Será que o Pinheiros vai repetir as duas SL anteriores, quando fez bons primeiros turnos e depois caiu de rendimento? Espero que o título da Copa Brasil não tenha sido o epílogo do Pinheiros nesta temporada. 


sábado, 24 de janeiro de 2015

Semana especial

 
Está sendo um belo início de returno para o Minas na Superliga. Depois de colecionar uma série de derrotas e apresentar um time bastante fraco no começo do primeiro turno, o Minas chega com força ao segundo para embolar o miolo da zona de classificação.

Nesta semana, a equipe teve duas vitórias importantíssimas: na segunda, contra o Pinheiros – adversário direto na tabela; na sexta, contra o Molico/Osasco. 
 
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Camponesa/Minas 3x1 Molico/Osasco

O grande mérito do Minas na vitória contra o Osasco foi saber se aproveitar dos inúmeros erros concedidos pela equipe paulista. O time do Queiroga poderia ter ido na onda de mancadas do adversário e baixado o nível do seu próprio jogo, mas não. Conseguiu se manter bem focado e não aliviou a pressão para o outro lado.

Parece bobagem, mas é uma forma sábia de se jogar contra o Osasco neste momento. O time do Luizomar começa confiante, mas nos primeiros erros a coisa desanda total. O Minas potencializou esta confusão osasquense: primeiro, com um bom saque; segundo, com uma postura agressiva; terceiro, cometendo poucos erros.

Acho que o que vimos ontem não foi muito diferente daquilo que foi a Copa Brasil. Um time com um conjunto bem organizado, com volume de jogo e paciência nas trocas de bola, que ganha do adversário “estrelado” pelo cansaço e pela regularidade do seu jogo. 

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O Osasco teve o reforço da Thaisa, mas foi como se não tivesse. A Diana tem dificuldades na combinação com as centrais no ataque. Ainda fora do ritmo, a Thaísa não contribuiu nem no saque nem no bloqueio.

A Carcaces acabou sendo a principal saída no ataque, mas ela (como uma legítima cubana) não foi uma jogadora de resistência. O desempenho dela caiu ao longo da partida, o que complicou ainda mais as opções de ataque.

Curiosamente, o ataque, que era o principal problema minastenista no primeiro turno, tem sido um belo trunfo. O Queiroga achou a formação ideal com Jaqueline, Carla e Mari Paraíba. Há uma distribuição bastante uniforme por parte da Naiane, não sobrecarregando nenhuma das suas ponteiras. Apesar de ter sido escalada como oposto, a Mari não é exatamente uma carregadora de piano. Ou seja, a distribuição favorece todas as atacantes - até mesmo a Carla que, na partida de ontem, foi a principal pontuadora neste fundamento.


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Esta edição da Superliga é a mais interessante dos últimos anos. O inferno astral do Molico sem a Dani Lins e as equipes bem organizadas do Sesi, Pinheiros e, mais recentemente, Minas tem tornado a disputa mais equilibrada e diferente das anteriores.

Temos Rexona e Sesi com uma vantagem na ponta da tabela, Brasília e São Caetano, afastados na sétima e oitava colocações. Estas posições não devem mudar, acredito. Mas do terceiro ao sexto, está tudo em aberto. Temos Molico, Pinheiros, Praia e Minas numa diferença pequena de pontos. 
 
Ou seja, muitas indefinições. E isso é ótimo para a SL. Acho que vamos ter confrontos bem mais acirrados nas quartas e semifinais nesta temporada. 

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Demais resultados da 3ª rodada do returno:
 
 
Rexona 3x0 Cemar/Maranhão
 
Rio do Sul/Equibrasil 0x3  Sesi

São Cristóvão Saúde/São Caetano 3x0 Brasília

Dentil/Praia Clube 3x0 Uniara/Afav

Pinheiros 3x1 São Bernardo
 

 

sábado, 17 de janeiro de 2015

Vitória da persistência

 
É muito bom ver o Pinheiros campeão, enfim, de um título nacional!

E foi uma conquista baseada na principal característica do time paulista, a persistência.

Tanto Sesi como Pinheiros não fizeram o seu melhor jogo. Ambos os times tiveram problemas na recepção e na virada de bola com suas principais atacantes. A equipe do Talmo, no entanto, conseguiu contornar com maior facilidade esses problemas. A Pri Daroit entrou bem no lugar da Mari e a Suelle assumiu a responsabilidade de ser a principal pontuadora do time.

Com isso, o time se equilibrou e demonstrou ter maior controle da partida... até chegar ao quarto set. Foi neste set que o Sesi perdeu a oportunidade de bater o Pinheiros.

A equipe do Wagão foi, durante quase toda partida, mais instável. Suava mais para conquistar os pontos e para manter o domínio no placar. No final do quarto set, o Pinheiros perdeu inúmeras oportunidades de pontuar nos contra-ataques. 
 
E o Sesi não soube se aproveitar deste momento e definir de uma vez o jogo. Deu espaço para o Pinheiros reassumir o placar e, pior, provocou o lado guerreiro do adversário – a gente sabe como o Pinheiros gosta de renascer das cinzas.

Nesta hora, a Ellen foi decisiva para o Pinheiros. Começou a virar tudo quanto é bola no ataque e até a bloquear. Aliás, a Ellen está especialista na marcação da china. Contra o Rexona ela anulou a Jucy nesta jogada; na final, pegou Bia e Fabiana.

No tie-break, o Pinheiros, aceso, entrou arrasador enquanto o Sesi, em marcha lenta. A defesa do Sesi, sempre tão competente, cometeu erros bobos. E, assim, com um bloqueio muito agressivo e com a Ellen inspiradíssima no ataque, o Pinheiros levou o seu primeiro título nacional. 


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Acho que a Copa Brasil consagrou trabalhos importantes que estão sendo feitos no Sesi e no Pinheiros. Eu já impliquei demais com o Talmo, agora tenho que dar o braço a torcer e aplaudir o belo e organizado grupo que ele formou no Sesi. O mesmo vale para o Wagão.

Hoje, Sesi e Pinheiros são as únicas equipes realmente capazes de abalar a soberania de Rio e Osasco e tirá-las da zona de conforto, mesmo não tendo um elenco repleto de estrelas. Talvez não seja o suficiente para tirar o título da Superliga da tradicional dupla. Mas, quem sabe, Sesi e Pinheiros estejam escrevendo o início de um novo ciclo no vôlei feminino brasileiro, que se caracterize por um cenário mais equilibrado e competitivo. Quem sabe. 
 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Final com cara nova

Antes de mais nada, queria dizer que adorei a composição desta final da Copa Brasil: Sesi vs Pinheiros. Uma disputa inédita de um título nacional que dá uma arejada no vôlei feminino. Super saudável para que a competitividade e a graça não desapareçam dos torneiros brasileiros.

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As duas partidas da semifinal da Copa Brasil foram muito parecidas. Saíram vencedoras as equipes que mostraram maior regularidade e aplicação tática. Tanto Sesi quanto Pinheiros cometeram muito poucos erros e bateram um Rexona e Molico bastante inconstantes no passe e no ataque.

Vamos ter uma final equilibradíssima. As duas equipes são similares, se valem mais da organização coletiva do que das individualidades. Ainda assim, vejo o Sesi superior, pois tem um grupo mais forte. O Talmo tem opções de troca mais interessantes que o Wagão, além de um time mais experiente e com alguns nomes que podem fazer a diferença.

Mas vamos comentar o que trouxe estas duas equipes até a final. 


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Pinheiros 3x1 Rexona

O tão elogiado e invencível Rexona se desestruturou legal diante do Pinheiros na semifinal da Copa Brasil.

Exatamente o que vinha sendo o ponto forte da equipe carioca na Superliga - e que destacávamos constantemente aqui no blog – não funcionou nesta partida: o ataque.

Acontece que a linha de passe do Rexona, principalmente com a Natália, não conseguiu dar o mínimo de estabilidade para a Fofão. Depois, as próprias atacantes estiveram muito afobadas e cometeram muitos erros.

Os desperdícios de contra-ataques foram muitos e impediram por diversas vezes que o Rexona se recuperasse na partida e pressionasse o outro lado. Até mesmo a Fofão não me pareceu nos seus melhores dias. Vi algumas bolas mal levantadas, baixas, que comprometeram o aproveitamento nos contra-ataques. 

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Do outro lado, o Pinheiros manteve um ritmo quase que constante no saque e muita regularidade no ataque. A ausência da Rosamaria só foi sentida no terceiro set, quando o time em geral teve dificuldades na virada de bola.

Defensivamente o Pinheiros também foi muito bem, tanto no fundo de quadra quanto no bloqueio. Parte da impaciência das atacantes do Rexona foi provocada pela boa marcação paulista.

O Pinheiros exige dos seus adversários a mesma regularidade que apresenta. E regularidade definitivamente não foi uma palavra que constou no dicionário do Rexona nesta partida. O time carioca abusou dos erros. Tendo do outro lado da quadra um Pinheiros concentrado e disciplinado, que manteve praticamente durante todo tempo o mesmo nível de jogo, já seria muito difícil vencer. Sem as individualidades brilhando, então, ficou impossível.


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Sesi 3x0 Molico/Osasco

Devo dizer que, pelas últimas atuações, esperava um Molico bem mais atrapalhado. O Luizomar nos poupou das suas inúmeras trocas, o que deu uma aparência de mais organização ao time.

Só que os problemas do Molico, ainda sem Dani Lins e Thaísa, continuam os mesmos. A recepção ruim, com até Camila Brait errando, e um ataque com baixo aproveitamento.

Devo admitir que neste momento de aperto, a Ivna tem segurado bem a barra do ataque de Osasco. Mas é muito piano para ela carregar. A Carcaces voltou, mas foi pouco acionada pela Diana nesta partida. Também acho que faltou uma melhor sintonia entre as duas. 

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O Osasco fez o que pôde. Esbarrou numa equipe quase perfeita. Dá gosto de ver jogar o Sesi, um time extremamente organizado e que comete muito poucos erros. Assim como o Pinheiros, para batê-lo, é preciso o mínimo de desperdício – o que o Molico não está conseguindo no momento.

No mais, o Sesi só mostrou dificuldades no início do jogo no passe. Quando se estabilizou, o time entrou nos eixos e a Carol brilhou. A levantadora está em ótima fase e, o melhor, está sabendo aproveitar com habilidade os contra-ataques que a ótima defesa do Sesi proporciona.

É engraçado que um time com Mari Casemiro e a improvisada Bárbara tenha tão bom aproveitamento no ataque. Não são nomes extraordinários, mas a organização tem sustentado o bom desempenho das duas. Eu não acreditava que a Bárbara poderia segurar a posição de oposto e ela tem feito isso muito bem. Valeu a aposta do Talmo. Para mim, ela foi a melhor jogadora nesta semifinal. 


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Muito suor, pouca bola

Rio do Sul 2x3 Molico/Osasco

Quem diria que Rio do Sul vs Osasco seria tão emocionante? Olha, tô pra dizer que foi um dos jogos mais interessantes desta SL.

Não foi exatamente um primor em qualidade, mas foi totalmente imprevisível e cheio de histórias e personagens interessantes, como a central Mimi Sosa, por exemplo. No primeiro lance da partida, ela torceu o tornozelo e saiu. Voltou no segundo set e se tornou a principal jogadora do Rio do Sul. Deu um show no bloqueio e incendiou o time.
 
Houve ainda a incrível recuperação do Rio do Sul no quarto set, quando perdia por 24x16. O time catarinense conseguiu empatar com uma sequência incrível de bons saques e bloqueios enquanto o Molico dava mais uma demonstração da sua instabilidade emocional e técnica. O Osasco assume o golpe na mínima pressão que enfrenta.



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Em termos gerais, o Rio do Sul foi um time mais coeso. Foi bem no saque e no bloqueio, e manteve uma certa regularidade na virada de bola, mesmo com ponteiras menos badaladas do que o Osasco. O problema maior – e que acabou comprometendo a vitória – foi o baixo aproveitamento nos contra-ataques e os erros não forçados (como no saque) que aliviaram a pressão pra cima do Osasco.

No tie-break, o Spencer cometeu um erro ao fazer a inversão de 5x1. Ele acabou tirando a sua principal atacante e pontuadora, a Natiele. Ela era a única que tinha começado o set conseguindo virar. Com a inversão, o Rio do Sul perdeu esta opção e ainda viu, com os erros da Duda - a substituta, o Osasco abrir vantagem. 

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Já o Molico continua atrapalhado. Poderia dizer que a causa ainda é a falta da Dani Lins, mas não é só isto. O problema também está na confusão da linha de passe. Tendo que cobrir suas colegas, Camila Brait tem o trabalho dobrado e, pior, comprometido. Samara perdeu a tranquilidade e a segurança que tinha no início da temporada.

Ontem o Luizomar teve a volta da Carcaces. Ela começou a partida, foi bloqueada duas vezes e foi substituída pela Gabi, que, depois, foi substituída pela Mari. Aí, o discurso no final do jogo, após a “grande vitória”, é exaltando a força do grupo. Bobagem. O troca-troca do Luizomar é típico de quem tá perdido e não sabe dar um mínimo de organização para seu time.

E estou com receio que o Luizomar esteja enfraquecendo o maior diferencial da sua equipe, a Carcaces, tornando-a uma peça como qualquer outra quando, obviamente, ela não é. Ela é a única grande atacante que ele tem à disposição. Tem também a Thaísa, mas, como central, ela precisa de bolas específicas. A Carcaces é pau pra toda obra. Com a Diana no levantamento, ela se faz ainda mais necessária.

Digo isso não só por ontem - quando ela foi descartada no primeiro set com uma facilidade e rapidez incríveis-, mas também pelo Top Volley. O Luizomar tem que pensar o time para potencializar a recuperação da cubana. Se até quando a Mari entra, ele adapta a Ivna como ponteira, por que não fazer isso com a Carcaces, deixando-a livre só para atacar? Que o treinador não se iluda, mas a “força do grupo” não vai ser suficiente para vencer as competições nacionais. 

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Demais resultados da 2ª rodada do returno:

Camponesa/Minas 3x0 Dentil/Praia Clube

São Bernardo 3x0 São Cristóvão Saúde/São Caetano

Uniara/Afav 0x3 Pinheiros 


São José dos Campos 0x3 Rexona 


Maranhã/Cemar 0x3 Sesi


- Estou surpresa com o placar e a facilidade da vitória do Minas contra o Praia. Nem a Ramirez voltando como titular ajudou o Praia a ter um bom aproveitamento no ataque. E o Picinin tá quebrando a cabeça para montar o time em quadra. Não sei qual foi a escalação na Copa Brasil, mas contra o Minas a equipe teve, além da Ramirez, Ju Costa e Carrijo no time titular nos lugares de Sassá e Karine. Neste primeiro (ou segundo) teste, não deu nada certo.